Efeito Euro 5 derruba receita da Randon no primeiro trimestre

Implementação das novas normas de emissão de poluentes para a indústria automotiva, com mudanças no mercado de caminhões, influenciou diretamente os resultados da empresa

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A Randon S.A. Implementos e Participações encerrou o primeiro trimestre de 2012 com queda na receita bruta total. Os números que incluem as vendas entre empresas somaram R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre de 2012, resultado 22,4% menor em relação ao mesmo período de 2011.

A Companhia obteve uma baixa significativa no lucro líquido, que se consolidou em R$ 18,8 milhões, 71,9% menor se comparado ao mesmo período de 2011. Segundo a empresa, a implementação da Proconve P7, que desde janeiro deste ano exige que a indústria de veículos comerciais regule a emissão de poluentes, por meio da utilização da norma Euro 5, afetou diretamente os resultados da companhia, devida a recessão nas vendas de caminhões.

“As vendas no primeiro trimestre são historicamente menores. Este ano a produção foi afetada por eventos recorrentes, como férias de verão e feriados prolongados e ainda, pelas férias dos trabalhadores dos fabricantes de caminhões concentradas totalmente em janeiro, o que não acontecia há algum tempo”, explicou o diretor corporativo e de relações com investidores, Astor Milton Schmitt. ”Além das razões de mercado, a Randon registrou diminuição no ritmo do processo produtivo e comercial por conta de adaptação da empresa e de algumas de suas controladas à transferência de sistema (ERP), realizada no início de janeiro de 2012”, complementou.

A retração do mercado automotivo comercial afetou os rendimentos de diversos setores de atuação do grupo Randon. A participação da empresa no mercado foi 28,9% menor. Alguns mercados, como grãos, no sul, e cana-de-açucar, no sudeste, também apresentam redução significativa, impactando as vendas de veículos comerciais neste segmento.

Os efeitos da nova legislação de motores impactaram também na performance da divisão de autopeças da Companhia. A produção de caminhões caiu 32,5%. Já o licenciamento de caminhões, alimentado por estoques da geração antiga, teve performance melhor, declinando 6,3% no período.

Em fevereiro passado, a Companhia anunciou a venda de 540 vagões modelos “hopper” e plataforma, para transporte de grãos e fertilizantes e carga geral. Os mesmos serão locados à Vale S.A. e circularão pelas Ferrovias Norte-Sul e Centro-Atlântica.O fornecimento do primeiro lote de 265 vagões já está contabilizado nos resultados de 2012. O restante do pedido tem entrega prevista para os próximos trimestres de 2012.

Os novos negócios da Randon em 2012 geram uma expectativa mais otimista para o restante do ano. Em março, a Randon assinou contrato de fornecimento, com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com a Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e com a Usiminas, esses negócios ultrapassam o valor de R$ 100 milhões. Para o MDA serão fornecidas 413 máquinas para utilização nos canteiros de obras do governo federal espalhados pelas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e que integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Com a CRM foi assinado contrato de fornecimento de três caminhões modelo RDP 470 e para a Usiminas a Randon fornecerá 14 caminhões modelo RDP 490, que serão utilizados nas minas Central/Oeste em Itatiaiaçu/MG para o transporte de minério de ferro. Os produtos serão entregues até o final de julho deste ano.

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