A crise do abastecimento nas grandes cidades

Luiz Carlos de Faria Jr. faz uma análise dos problemas relacionados às restrições aos caminhões em São Paulo

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Parece que os caminhões estarão cada vez mais proibidos de circular na Grande São Paulo. Lembro que, desde meados de 1982, em reuniões no SETCESP (Sindicato das Empresas de Transporte de São Paulo), já se discutiam as questões voltadas ao caos que estava se instalando na grande São Paulo. A NTC (Associação Nacional do Transporte de Cargas) disparou contra as autoridades: só aqui é que andamos na contramão da lógica… Os carros de passeio são priorizados em detrimento dos caminhões, responsáveis pelo abastecimento dos grandes centros urbanos, e olha que de lá para cá a coisa só piorou…

A grande São Paulo tornou-se a maior meso-região metropolitana das Américas e a terceira maior do mundo, e o que nossos governantes têm feito para melhorar as condições de circulação dos caminhões? Nada! Absolutamente nada! Já se vão quase 30 anos e o que melhorou na questão da ampliação das vias de circulação? Muito pouco… E bolsões de estacionamento próximos aos grandes centros comerciais? Não me lembro de nenhum!

Houve, sim, muitas mudanças nos hábitos dos paulistas e paulistanos. As periferias se estenderam em direção ao interior e os centros comerciais se ampliaram, a quantidade de veículos novos emplacados na grande São Paulo, vide números do DETRAN, aumenta geometricamente disputando o mesmo espaço com os caminhões, e ao meu ver, foram criadas restrições absurdas. Os investimentos em infraestrutura andam a passos de tartaruga e a cada trecho do Rodoanel concluído, fazem um “barulho” como se não fosse o “Minimum Minimorum” a ser feito.

São Paulo precisa de um projeto complexo com foco no Planejamento Logístico voltado ao abastecimento da cadeia de varejo, para o qual deveriam sentar na mesma mesa, junto com os órgãos governamentais de todas as esferas, o produtor rural, as indústrias de alimentos, os atacadistas, os distribuidores, os varejistas e, por fim, os transportadores e os operadores logísticos. Um projeto de onde saiam soluções lógicas e inteligentes, longe das recentes sancionadas, claramente eleitoreiras e contendo um fortíssimo apelo popular, mas cheias de “brechas” que nos levam a crer que realmente existe entre o céu (governantes) e a terra (população) mais mistérios do que a nossa vã filosofia possa imaginar.

Hoje temos como missão crítica a “Visibilidade Logística de toda a cadeia de Supply Chain”, e está cada vez mais difícil e caro mantermos o abastecimento dos produtos de consumo de varejo, do nosso dia a dia. Aqui na grande São Paulo, os transportadores foram obrigados a reestruturar parte da sua frota de entregas, o que demandou investimentos emergenciais e é claro que estes custos foram em parte repassados ao produto final, e nós como consumidores continuamos pagando a conta.

Ora proíbem os VUCs (Veículos Urbanos de Carga com até 6,30m de comprimento), ideais para a distribuição urbana, ora liberam, as transportadoras paulistas e de outros Estados precisaram em alguns casos fazer mágicas para conseguir dar conta de realizar suas entregas, sem tomar multas. Os caminhões não podiam trafegar de segunda a sexta-feira, das 5h às 21h, e aos sábados, das 10h às 14h, exceto em feriados, e, além disso, ainda vão ter que continuar respeitando o rodízio de placas, pares em dias pares e ímpares nos dias ímpares.

Os operadores estão investindo em Centros Logísticos nas principais entradas da Grande São Paulo. Guarulhos e Barueri, dois municípios com vocação logística muito grande estão nas interligações de grandes rodovias estaduais e federais e estes Centros Logísticos estão cada vez mais preparados para realizar operações de Consolidação e Desconsolidação de cargas, Crossdocking, Ova e Desova de Contêineres bem como outras operações logísticas com aplicações específicas em alguns setores, a exemplo do Expresso Mirassol, que se especializou em Operações Logísticas aplicadas às montadoras.

É lógico que precisamos ficar muito atentos às questões sociais e de sustentabilidade ambiental, mas “jogar a sujeira para baixo do tapete” eu não creio que seja a melhor solução, tirando do cidadão o seu direito de ir e vir, ao invés de apresentar soluções inteligentes e inovadoras que atendam a todos, principalmente com foco na melhoria de vida de todos nós. Afinal de contas, não foi para isso que os elegemos?

Luiz Carlos de Faria Jr., é gestor Comercial Corporativo do Expresso Mirassol
luiz@transportabrasil.com.br

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