Presidente da CNT: “2008 foi bom para o transporte, mas graças à competência das empresas”

Em entrevista exclusiva ao Portal Transporta Brasil, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade, faz um balanço do setor para ano que termina e avalia os efeitos da crise internacional no transporte brasileiro

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“Podemos dizer que do ponto de vista do business, a atividade transportadora deve encerrar o ano com saldo positivo, muito mais como resultado do impacto do bom momento econômico global e seu reflexo na economia brasileira e também pela competência empreendedora da categoria”. Esta afirmação é de Clésio Andrade, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em entrevista exclusiva ao Portal Transporta Brasil. Segundo Andrade, um dos maiores problemas do País está na falta de infra-estrutura para todos os modais de transporte e na lentidão das soluções governamentais para os diversos problemas do setor, como renovação de frota, tributos e investimentos.

Para Clésio Andrade, o ano de 2008 representou um aquecimento na demanda por transportes no Brasil e as empresa tiveram que se desdobrar para atender a esta demanda diante dos mesmos problemas que o setor enfrenta há anos. “Mesmo com todos os aspectos positivos pelo maior número de contratos, os transportadores continuam realizando os serviços de transporte dentro das limitações de sempre da infra-estrutura. O que traz conseqüências que comprometem, em longo prazo, o crescimento do país e, de imediato, dificultam a expansão dos serviços do transporte, representando menos empregos e menos riqueza gerada”, diz o presidente da CNT.

Tamanho do setor

Perguntado sobre quais benefícios o governo poderia conceder ao setor de transportes para alavancar um crescimento sustentável no segmento, Clésio Andrade lembra a importância numérica dos transportes para o PIB: “O transporte brasileiro como atividade econômica gera riquezas na ordem de 6,5% do PIB e garante aproximadamente 2,5 milhões de empregos diretos, o que faz do setor uma das mais importantes atividades. Ao transporte brasileiro faltam bases estruturais mais favoráveis para promover sua missão com mais qualidade. Há décadas as rodovias do país não recebem a atenção necessária da parte do poder público. Os níveis de investimento para a manutenção e conservação da malha rodoviária brasileira são irrisórios diante dos muitos problemas que apresenta. No ano de 2002, foi instituída a CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), com a finalidade de criar recursos para investimento, entre outras coisas, na infra-estrutura de transporte. No último mês de agosto a contribuição atingiu a significativa cifra de R$ 50 bilhões arrecadados desde sua criação. E, deste total, apenas 34,1% (R$ 17,3 bilhões) foram efetivamente utilizados no pagamento de obras”, esclarece Clésio.

Andrade lembra ainda que a CNT, como entidade máxima dos transportes no Brasil, tem cumprido seu papel para contribuir com o setor em diversas frentes, como na iniciativa de elaborar o Plano CNT de Logística, com uma série de projetos para a recuperação da infra-estrutura. “O Plano prioriza a intermodalidade, a acessibilidade aos pontos de exportação, a integração entre as zonas de produção e de consumo interno e a conexão com os países da América Latina. As propostas de intervenção do Plano dividem-se em projetos rodoviários, aeroportuários, ferroviários, hidroviários, metroviários, Trem de Alta Velocidade (TAV) e de terminais. Os levantamentos financeiros contidos no estudo indicam a necessidade de investimentos de R$ 280 bilhões para que a infra-estrutura de transporte seja recuperada e adquira padrões satisfatórios de segurança e desempenho. Só as rodovias exigiriam, em longo prazo, investimentos da ordem de R$ 125,9 bilhões”, alerta.

Leia a íntegra da entrevista com Clésio Andrade

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