Brasil precisa de R$ 82 bi para encher o tanque

Brasil precisa de R$ 82 bi para encher o tanque

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Os combustíveis são um dos fatores mais sensíveis da economia de um país e o Brasil tem motivos de sobra para se preocupar com este mercado. Um estudo realizado pelo Boston Consulting Group (BCG), com o título “Agenda Para a Competitividade da Cadeia de Combustíveis no Brasil” aponta os desafios e necessidades do setor para os próximos anos.

Os dados do estudo foram apresentados este mês pela Plural, a Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência.

Seguindo a logística

Com a esperada retomada econômica, o Brasil deve acompanhar o crescimento do segmento de logística. Um dos termômetros da economia, o mercado de combustíveis será impactado diretamente pelo novos rumos.

“A gente com certeza tem que melhorar a infraestrutura do País”, afirmou Leandro Silva, diretor de abastecimento e regulamentação da Plural. “Nós entendemos que tem um processo de médio e longo prazo de melhoria em modais de transportes, investimento em ferrovias, investimento em rodovias, em infraestrutura portuária, para que o Brasil tenha essa movimentação de combustíveis mais eficiente para trazer menos custos para todos os agentes que hoje trabalham neste setor”, concluiu.

Apesar de bem estruturada, a distribuição de combustíveis no Brasil tem gargalos expressivos. De acordo com a Plural, um dos pontos que mais impacta a cadeia e, consequentemente, o custo para o consumidor final é a concorrência desleal.

“(É preciso) garantir que ele vai ficar parado o menor tempo possível pois toda a eficiência se vai quando ele fica muito tempo parada”, explicou Leandro Silva. “A gente já tem tantos desafios em relação à eficiência, então ter um mercado irregular maior não ajuda em nada.”

Preço é o negócio

Outro ponto sensível com impacto no bolso dos transportadores é a formação do preço dos combustíveis. O estudo do BCG verificou que os preços e tributos estão alinhados com o que é praticado internacionalmente. No entanto, o peso da complexidade dos tributos é um dos responsáveis pela origem da sonegação por alguns agentes.

“A simplificação tributária, que uniformizaria o ICMS em todo o país, criaria maior estabilidade no preço final, além de contribuir para o fim da guerra fiscal entre os estados e desestimular a ocorrência de fraudes que afetam diretamente o consumidor final”, destacou Leonardo Gadotti, presidente executivo da Plural.

Variação internacional

Uma das políticas que mais incomodou transportadores ao longo de 2017 e 2018, a paridade de preços do barril de petróleo no Brasil em relação ao mercado internacional também foi abordada.

“Essa política da Petrobras de paridade tem ligação com as necessidades de investimento do País”, destacou Hélvio Rebeschini, diretor de planejamento estratégico e mercado da Plural.

O executivo acredita que é o momento de discutirmos um imposto colchão. “Algo como a CIDE foi lá atrás”, explicou. “No momento em que cair muito o preço do barril, se cria uma poupança. No momento em que subir, usa-se a poupança para amortizar estes custos. Seria benéfico para a sociedade como um todo”.

Leandro Tavares, especial para a Agência Transporta Brasil
redacao@transportabrasil.com.br

Como fica a formação do preço do diesel? – Rádio Agência Transporta Brasil

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