Movimentação de contêineres cai 27% nos portos brasileiros

Os dados que registram queda na movimentação de contêineres estão no sistema de informações gerenciais “Desempenho Portuário”, disponibilizado para consulta pública no site da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq)

Codefat pode aprovar crédito para motofretistas
Obras estarão prontas dentro de cinco meses
Arco rodoferroviário do Ceará vai custar R$ 220 milhões

A quantidade de contêineres movimentados nos principais portos do País, como Santos (SP), Rio Grande (RS) e Salvador (BA), no primeiro trimestre deste ano, foi, em média, 27% menor do que no mesmo período de 2008. Além dos reflexos da recessão econômica mundial, as operações portuárias foram atingidas por “crises particulares” de portos nacionais de grande importância. Enquanto Itajaí (SC) ainda sofre as consequências das chuvas que castigaram Santa Catarina e destruíram parte do complexo portuário local, a Companhia Docas da Bahia (Codeba) está há meses em turbulência, sem presidente para indicar os rumos mais adequados para os portos de Salvador, Aratu e Ilhéus.

Os dados que registram queda na movimentação de contêineres estão no sistema de informações gerenciais “Desempenho Portuário”, disponibilizado para consulta pública no site da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq). Até o final deste mês de abril, o sistema apresentava as estatísticas do primeiro trimestre de 12 portos brasileiros. Não havia registro, porém, da movimentação de março dos portos de Vitória (ES), Paranaguá (PR) e Porto Alegre (RS).

A diminuição das operações com contêineres no Brasil pode ser constatada tanto pelo número de unidades movimentadas como pela quantidade de TEUs. No primeiro trimestre do ano passado, 12 portos movimentaram 1.053.870 TEUs, num total de 663.976 unidades de contêineres que embarcaram e desembarcaram nesses complexos portuários. Em 2009, os mesmo índices caíram, respectivamente, para 769.017 TEUs (redução de 27%) e para 489.763 unidades (queda de 26,2%).

O principal porto do País, o de Santos, é o exemplo da brusca queda na importação e exportação de contêineres, embora em situação menos agravante. De acordo com o “Desempenho Portuário”, a redução no complexo portuário santista foi de cerca de 22,5% em termos de TEUs. No entanto, é possível detectar que o volume de contêineres vazios que circulam por Santos não foi reduzido, como é o desejo da Prefeitura local e de todos os que procuram reduzir os custos de transporte marítimo. Nos três primeiros meses desse ano, 88.284 unidades vazias ocuparam espaço em terminais do porto santista, contra 93.076 nos mesmos meses de 2008. Essa queda – de 5,1% – foi muito mais amena do que a de outros índices.

Santos exportador

Nesse trimestre, o Porto de Santos se mostrou de perfil mais exportador do que importador, assim como a média dos 12 portos consultados. Na média nacional, as exportações passaram a representar 52,4% dos contêineres movimentados – em 2008, essa taxa era de 49,5%. Em Santos, os números são parecidos: 52,2% referentes à exportação neste primeiro trimestre e 49,9% constatado de janeiro a março de 2008.

Um dos principais portos conteineiros da região Sul do País, São Francisco do Sul contabilizou queda menor do que a média e comemora o aumento da capacidade operacional de seu cais. A redução de TEUs neste último semestre foi de 9,9% e a de unidades também ficou em torno de 10%. O diretor de Logística do porto catarinense, Gilberto de Freitas, argumentou ao PortoGente que o desempenho acima da média nacional aconteceu devido às melhores condições operacionais que São Francisco do Sul está ofertando ao mercado.

Segundo ele, a Autoridade Portuária investiu em equipamentos e, atualmente, disponibiliza seis guindastes de terra para operações. Antes dos investimentos, eram apenas três guindastes. “Estamos trabalhando com a perspectiva de termos 2009 superior aos demais portos brasileiros. Sempre trabalhamos no limite da capacidade, mas agora temos como aumentar nossa movimentação”. A perspectiva de Freitas e da gestão de São Francisco do Sul é superar os números totais de 2008, mesmo com a turbulência econômica fazendo vítimas em todo o mundo.

Outras obras já finalizadas no porto catarinense, como a derrocagem da Laje da Cruz, vêm ajudando na atração de cargas para o Porto, explica o diretor. “Carga tem, afinal estamos próximos do principal polo econômico do estado. Faltavam melhores condições para os armadores endereçarem linhas para cá”. São Francisco do Sul também registrou expressiva queda na participação de contêineres vazios no cais – de 45,2% de janeiro a março de 2008 para 27,7% neste mesmo período de 2009. O mérito disso, entretanto, não é da administração portuária, salientou Freitas. “Os armadores podem distribuir esses contêineres pelos quatro portos que temos na região, de acordo com o espaço nas embarcações”.

Entre os portos paraenses, os contêineres tiveram grande rotatividade. O tradicional Porto de Belém perdeu espaço para Vila do Conde e, em menor escala, para Santarém, que quase não recebeu esse tipo de operação em 2008. A Antaq apontou redução de 41,7% em TEUs no porto da capital paraense, se comparado os primeiros trimestres de 2008 e 2009. Belém ainda se “destacou” por abrigar mais contêineres vazios do que cheios de mercadorias nesse período inicial do ano.

Crescimento

Na contramão dos grandes portos brasileiros, Vila do Conde e Santarém se juntam a Maceió (AL), Fortaleza (CE), Natal (RN) e Macapá (AP) ao apresentar crescimento na movimentação de contêineres, na comparação com o primeiro trimestre de 2008. Em números absolutos, o porto da capital cearense é o mais representativo de todos, tendo movimentado 12.233 TEUs de janeiro a março deste ano, em um crescimento de 3,6%. Apesar de terem apresentado maior evolução, os demais portos ainda engatinham no cenário conteineiro, embora atuem como importantes pontos de escoamento para os estados em que se situam. (Bruno Merlin – Porto Gente)

COMMENTS