“Logisticando no varejo”

Quanto custa deixar um caminhão com o motorista e colaboradores parados horas a fio? É realmente necessário receber todos os produtos naquele período? Ou será falta de organização, planejamento e treinamento mesmo?

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Finalmente o comércio varejista começa a descobrir que o seu principal foco é o cliente! E quando falamos em clientes, obviamente estamos nos lembrando dos cinco tipos dos mesmos:

  • Externos – que compram nossos produtos ou serviços
  • Internos – que colaboram para o engrandecimento da nossa empresa
  • Acionistas – que precisam ter um bom retorno em seu investimento
  • Fornecedores – que mais do que nunca fazem parte do contexto
  • Sociedade – que deve ser motivada com atividades sociais

Muito já se falou (e ainda se fala…) sobre o envolvimento dos clientes internos através de programas de qualidade total.

Sobre os clientes externos diariamente somos bombardeados com técnicas de satisfação: “O cliente é o nosso rei! Nosso negócio é carregar o cliente no colo!”

Sobre os acionistas basta lermos os jornais para vermos uma verdadeira revolução empresarial em termos de troca – troca de mãos. Nem sempre é o maior comprando o menor, mas é o mais ágil que engole o mais lerdo!

Sobre a sociedade vemos cada vez mais as empresas criando ou participando de programas sociais tais como: creches, hospitais, escolas, clubes de futebol,…

E finalmente, fornecedores; cada vez mais se investe em sistemas eletrônicos de transmissão de dados, vulgo EDI. Cada vez mais os fornecedores são responsáveis pela colocação ou reposição das mercadorias nas prateleiras. Cada vez mais se negocia cada centavo em contratos de longo prazo! Mas esquecem-se todos de examinar cada componente da planilha de custos para se ver onde está o “pulo do gato”!

Não precisamos ir muito longe para “matar a cobra e mostrar o pau”. Basta verificarmos, por exemplo, o que ocorre diariamente com qualquer loja de supermercado: a enorme concentração de caminhões de entrega no período da manhã! Quanto custa deixar um caminhão com o motorista e colaboradores parados horas a fio? É realmente necessário receber todos os produtos naquele período? Ou será falta de organização, planejamento e treinamento mesmo?

Algumas respostas parecem um pouco óbvias: produtos perecíveis tais como hortifrutis, laticínios,… deveriam ser os primeiros a entrar na loja! Os demais produtos poderiam perfeitamente serem recebidos ao longo do período de trabalho, sem atropelos. Será tão difícil fazer essa distribuição? Ou será falta de visão?

Segundo um grande empresário do setor “os custos de logística podem chegar a 2% quando uma loja, apesar de já ter autorizado a compra, ‘burrocratiza’ o recebimento da mercadoria. Com o caminhão parado, a indústria contabiliza custos que de uma forma ou de outra, acabam sendo repassados para o preço dos produtos”.

Um outro aspecto interessante é quanto à embalagem: reparem no exagerado tempo de descarga de um caminhão. Acrescente-se a esse tempo àquele necessário para manuseio e  colocação do produto no local de venda. As embalagens não são unitizadas e muito menos adequadas aos locais da venda.

Hoje em dia, com contratos de longo prazo com fornecedores parceiros, as embalagens poderiam ser do tipo “vaivém” em contentores próprios para transporte e consumo como os já utilizados entre as indústrias em processos JIT/Kanban. O ganho de tempo, a redução com a mão de obra e com embalagens, seriam fantásticos!

Que tal esses pequenos investimentos em logística integrada?

Milton Bulach, treinador e gestor de processos logísticos integrados.

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