O caminhão Genh2 da Mercedes-Benz, um eActros alimentado por um sistema de célula a combustível e hidrogênio é uma realidade. O projeto, que teve cerca de quatro anos de maturação, chega à sua viabilidade operacional e econômica em um momento em que a eletrificação da Europa pede socorro.
O caminhão passou por uma uma extensa fase de desenvolvimento e testes e hoje figura como uma opção viável para os operadores. Ele é basicamente um eActros ProCabin, com trem de força elétrico capaz de rodar mais de 1.200 km com um tanque de 80 kg de hidrogênio refrigerado a -253 graus Celsius.
Sua capacidade de carga é de 40 toneladas e a configuração de eixos é 4×2. Seu motor elétrico gera uma potência contínua de 625 cavalos com picos de 897 cavalos.
Emissão do bem

No escapamento, o produto final do processo que gera a eletricidade necessária para movimentar o caminhão é vapor d’água. O subproduto é gerado pela reação físico química de eletrólise que acontece na célula de combustível ao combinar o oxigênio do ar com o hidrogênio dos tanques.
Para o momento atual da eletrificação do transporte europeu de cargas, que atingiu apenas 3% da frota de pesados, é uma alternativa de veiculo com zero emissão que utiliza uma energia alternativa, que não depende da estrutura de carregamento elétrico.
O caminhão tem autonomia comprovada de 1.047 km em testes reais e, com as melhorias da versão que entrou em produção em série, ele pode ultrapassar os 1.200 com uma carga de hidrogênio, que pode ser realizada em até 15 minutos.
Tivemos a oportunidade de rodar com o caminhão em Hannover, na Alemanha, durante o IAA, maior salão do transporte de cargas do mundo, a convite da Mercedes-Benz.

Por dentro, o Actros a hidrogênio tem todas as características do caminhão elétrico da marca, com a diferença do mostrador do sistema de monitoramento da pressão e outros paramentos do hidrogênio.
A tocada é a mesma de um caminhão elétrico. Rodamos pelas estradas de Hannover em um percurso curto com o caminhão carregado com peso máximo e a performance do Genh2 é extremamente satisfatória, com o torque imediato agindo nas arrancadas e o silencio tradicional dos veículos elétricos.
O caminhão entrou em produção na principal planta da Mercedes, em Wörth am Rhein, na Alemanha, e já tem um pedido de 100 unidades da operadora logística Dachser.
O hidrogênio pode despontar como uma das grandes alternativas para os veículos pesados de carga com zero emissão na Europa e a Mercedes-Benz, que buscou parcerias com grandes empresas, como a própria concorrente Volvo, construiu um sistema viável para fazer frente a esta questão.
O repórter do Transporta Brasil viajou à Alemanha a convite da Mercedes-Benz.
Leo Doca – Agência Transporta Brasil (ATB)
leodoca@transportabrasil.com.br
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