A produção de caminhões no Brasil teve uma queda de 1% no acumulado do ano de 2025 em relação ao mesmo período do ano passado, com 88,5 mil unidades fabricadas de janeiro a agosto deste ano contra 89,5 mil até agosto de 2024. Na comparação entre a produção mês a mês, a queda foi de 16,3%, com 10,1 mil unidades em agosto e 12,1 mil no mês de julho. Os números são da Anfavea, associação que representa os fabricantes de veículos automotores no Brasil.
Em busca de alívio

Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, o cenário de juros altos, custo elevado dos financiamentos e falta de previsibilidade para os compradores de caminhões são os principais fatores motivadores da queda e a Anfavea tem tentado diálogo com o governo federal para buscar alívio: “Os juros altos nos ferem e impedem que o comprador de caminhões novos entre no mercado para fazer suas aquisições. Nós temos conversado com o poder público para propor uma redução na taxa do Finame, que é uma das principais modalidades de financiamento dos caminhões. Temos que tentar fazer com que as condições do Finame melhorem. O plano para renovação de frota incentivado pelo governo também está em nossa agenda. Ele aconteceu por pouco tempo em 2023 e não foi suficiente para trazer algum efeito significativo. Precisamos que esta agenda seja retomada. São duas agendas importantes que a Anfavea tem para tentar ajudar a equilibrar este mercado. Outra questão é o IOF, que, no mercado de caminhões incide sobre as operações do CDC, gerando um custo mais alto e um impacto muito grande sobre este setor. Este impacto pode chegar a 10%”, disse Calvet.
Com a queda nos números de produção e emplacamentos de caminhões no Brasil, a Anfavea anotou um saldo negativo para o número de empregos da indústria de veículos pesados no país, com a extinção de 148 vagas, um indício de retração que pode ser preocupante para todo o segmento.
“O recuo é de apenas 1%, mas indica uma inversão da curva de crescimento que se mantinha ao longo dos primeiros sete meses do ano. O mercado interno de caminhões já vinha em retração desde abril. No caso dos caminhões, nem a alta das exportações está sendo suficiente para sustentar os níveis de produção, o que já começa a se refletir em perdas de postos de trabalho nas fábricas de pesados”, disse o presidente da Anfavea.

Exportações em alta
A boa notícia da Anfavea para o mercado brasileiro de caminhões é o aumento das exportações no acumulado de 2025. De janeiro a agosto, o Brasil exportou 19 mil unidades de caminhões, um aumento de 89% em relação ao resultado do mesmo período do ano passado, que foi de 10 mil unidades.
De acordo com os dados da Anfavea, o mercado da Argentina foi o principal motor para este aumento, com um registro de exportação de 11 mil caminhões para o mercado vizinho, que representa 45% de todas as exportações de caminhões do Brasil no período entre janeiro e agosto de 2025. Este número representa um salto, já que, no ano passado, até agosto, o Brasil havia exportado 4 mil unidades para a Argentina.
Leo Doca – Agência Transporta Brasil (ATB)
leodoca@transportabrasil.com.br
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