A GWM, montadora chinesa que tem tido grande sucesso com carros de passeio no Brasil, acaba de anunciar que trouxe para o nosso país um exemplar do GWM Hydrogen FTXT, caminhão 6×2 elétrico alimentado por um sistema de células a combustível por meio do uso de oxigênio do ar e alimentação de hidrogênio.
O veículo está na fábrica da GWM em Iracemápolis, no interior de São Paulo, e será testado em parceria com universidades brasileiras, como a USP.
Como funciona?

Basicamente, um caminhão movido a células a combustível é um veículo elétrico, que tem bateria e motor elétrico. O sistema das células é alimentado com hidrogênio dos tanques e com oxigênio do ar para realizar um processo físico-químico chamado eletrólise. Este processo quebra as moléculas e as reorganiza, liberando água e eletricidade.
É esta eletricidade proveniente da eletrólise nas células a combustível que vai para a bateria do caminhão e, em seguida, alimenta o motor elétrico.
O caminhão da GWM conta com sistema de células a combustível fornecido pela FTXT, subsidiária da empresa na China para o desenvolvimento deste tipo de tecnologia.
Ele conta com um motor elétrico com potência equivalente a cerca de 539 cavalos e uma bateria de 105 kWh, capaz de movimentar o veículo por 500 quilômetros utilizando tanques de hidrogênio com 40 quilos de capacidade total.

Este tipo de veículo, por ser elétrico, tem zero emissão de poluentes e de ruídos e, por trabalhar com o sistema de células de combustível, emite vapor d’água ao final do processo.
“A chegada deste caminhão representa mais do que um marco tecnológico: é o início da construção de um ecossistema de hidrogênio no Brasil, com parcerias estratégicas e soluções adaptadas à nossa realidade”, afirma Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen-FTXT Brasil.
Testes com especialistas

De acordo com a GWM, os primeiros testes com o sistema de hidrogênio estão programados para setembro, em parceria com universidades brasileiras, incluindo a Universidade de São Paulo (USP), que já conta com infraestrutura para abastecimento a partir do etanol, tecnologia desenvolvida no Brasil para produzir hidrogênio de baixo carbono.
Inicialmente, os testes terão caráter essencialmente de pesquisa e desenvolvimento, com foco na transferência de conhecimento para as equipes brasileiras e na colaboração com centros de pesquisa e universidades.
Antes de iniciar a rodagem em vias públicas, o veículo passará por avaliações de suspensão, desempenho e segurança em pistas de prova no interior de São Paulo. Inicialmente, a operação será feita sem carga, evoluindo gradualmente para condições reais de transporte.

Atualmente, na China, já existem cerca de 30 mil unidades de caminhões movidos a hidrogênio rodando em operações reais de transporte, mas este é o primeiro modelo a operar em território brasileiro, o que permitirá verificar o desempenho em climas e topografias diversas, além de identificar oportunidades de melhoria.
Após essa primeira fase, o caminhão será testado em infraestruturas de abastecimento com diferentes fontes de hidrogênio: seja eletrolítico (ou hidrogênio verde) ou hidrogênio da reforma do etanol. Em um terceiro momento, a GWM fará uma avaliação econômico-financeira para estimar a viabilidade comercial da tecnologia no país.
Leo Doca – Agência Transporta Brasil (ATB)
leodoca@transportabrasil.com.br
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