A Volkswagen Caminhões e Ônibus aposta alto na retomada do nicho de cavalos mecânicos com configuração de eixos 4×2 com o novo Constellation 20.480, um caminhão que traz motorização de 13 litros MAN D26, de seis cilindros, a mesma da família Meteor, que desenvolve até 480 cavalos de potência e um torque de até 2.400 Nm.
Para uma aplicação com cavalo do tipo toco, com dois eixos, que tradicionalmente roda com carretas LS de dois ou três eixos e cargas leves, parece exagero. Mas não é. Este tipo de cavalo mecânico viabiliza algumas composições que podem trazer alta produtividade para o transportador com o uso de um caminhão com preço reduzido e menor custo de operação. Isso porque o cavalinho toco de alta potência é capaz de tracionar até 56 toneladas em seu Peso Bruto Total Combinado, justamente o peso total das composições do tipo bitrem de seis eixos.
A convite da Volkswagen Caminhões e Ônibus, rodamos com o Constellation 20.480 em um teste entre o ABC Paulista e o litoral, no percurso que iniciou em São Bernardo do Campo, na concessionária Apta Caminhões, indo até Itanhaém, à beira-mar, e retornando, totalizando pouco menos de 200 quilômetros rodados.
O caminhão puxou uma carreta sider de três eixos com 30 toneladas de carga, simulando uma operação comum no dia a dia deste tipo de caminhão no transporte rodoviário de média distância com cargas industriais.
Conforto e tecnologia

Para começar, o Constellation, que é uma cabine com mais de 15 anos de fabricação, ganhou ares de modernidade com os novos farois de led e recebeu um conforto extra com suspensão pneumática em quatro bolsões, além da suspensão pneumática da cabine. O acabamento da versão testada é premium, com revestimento dos bancos com detalhes muito bonitos, além de uma área de trabalho para o motorista com bancos especiais, com diversos ajustes, volante multifuncional, que dá o comando para várias funções, e, a grande novidade da Volkswagen nos caminhões: o painel totalmente digital, que tem mais de 80 funções e configurações. Além disso, o caminhão conta com central multimídia com espelhamento de smartphones para navegação com aplicativos de rota, com o Waze e o Google Maps.

Ainda sobre os sistemas eletrônicos a bordo, vale destacar o aplicativo de apoio ao motorista que a Volkswagen Caminhões traz nestes veículos. É um programa acessível tanto pelo painel digital quanto pela central multimídia que analisa o comportamento do motorista, atribuindo notas para cada parâmetro, como frenagem, antecipação, aceleração e outros, para ajudar no treinamento e no melhor uso do caminhão pelos profissionais.

Na tecnologia que não se vê no caminhão, vale destacar que ele é equipado com assistente de partida em rampa, freios ABS, sistema de gerenciamento eletrônico dos freios EBS, controle de tração e de estabilidade. A cabine do Constellation é bem espaçosa, apesar do túnel do motor, e silenciosa: com testes eletrônicos de medição de ruídos, o nível não passou dos 65 decibéis em marcha lenta, a 60 km/h ou a 90 km/h.
Trajeto pela Serra do Mar
Partimos pela manhã da beira da Rodovia dos Imigrantes em nossa jornada para o litoral. Como é sabido, é proibido que caminhões desçam a serra pela Imigrantes, portanto, acessamos a Via Anchieta pela Interligação. Acompanhei tudo do banco do passageiro e quem conduziu a máquina foi o motorista profissional Alexandre Luciano, instrutor Técnico de Condução Eficiente que presta serviço para a VWCO. Ele explicou que a operação do Constellation 20.480 é bem simples e confortável, graças ao motor de 13 litros, que traz o freio motor do tipo EVB, por compressão, com potência de frenagem de 428 cavalos, mais freio de cabeçote e válvula borboleta no escape, e transmissão automatizada TraXon de 12 velocidades, que a Volkswagen chama de V-Tronic e calibrou especialmente para seus caminhões. Esta transmissão tem a primeira marcha super reduzida, com uma relação de quase 17 para um, e a última marcha direct drive, com relação um para um, além de duas marchas à ré. Na tração 4×2 deste modelo, a arrancada foi surpreendentemente suave, sem tranco para tirar o caminhão da inércia, partindo já de terceira marcha, já que o computador inteligente da caixa escolhe cada marcha de acordo com a situação. Inclusive é importante relatar que esta transmissão é equipada com um sistema de GPS e mapas topográficos em sua memória, o que faz com que ela “saiba” qual é o trecho onde está rodando e, junto com o inclinômetro, faz medições e calcula as trocas das marchas prevendo os trechos planos, de aclives ou declives, ajudando na economia do diesel.

A rodagem pela rodovia plana é muito suave e a troca de marchas é quase imperceptível. O caminhão atinge os 90 km/h máximos permitidos rapidamente, trafegando livre pela faixa da direita até buscarmos o acesso da Interligação para a Anchieta. Depois de pagar o pedágio e iniciar o trecho de serra, a tranquilidade da viagem dá lugar ao estado de alerta do motorista, já que a descida da Serra do Mar pela Anchieta é uma tarefa quase exaustiva em um caminhão, devido ao tráfego pesado de veículos de carga o tempo todo à frente. É necessário estar sempre atento e manter uma velocidade de descida constante. E é aí que entra um recurso interessante do caminhão.
V Constante é a salvação

Os caminhões Volkswagen com motor MAN D26 de 13 litros contam com um recurso de auxílio à manutenção da velocidade em descidas de trechos de serra chamado V Constante. Basicamente, é um “controle de cruzeiro às avessas”, que atua na frenagem do caminhão para manter uma velocidade constante na descida, de acordo com o que o motorista seleciona ao pisar no freio de serviço para configurar o recurso. Uma vez acionado, o V Constante faz o gerenciamento da frenagem do caminhão, sem usar os freios de serviço, acionando o freio motor automaticamente para manter a velocidade, por exemplo, em 30km/h, sem que o motorista precise se preocupar com esta ação. O computador do caminhão gerencia a descida e, ao toque do pedal do freio ou do acelerador, o recurso é desabilitado e o controle fica todo com o motorista. Não é comum ver este tipo de recurso nos caminhões pesados no Brasil e, geralmente, o acionamento do freio motor ou do retarder ficam na responsabilidade do motorista.
Além disso, o Constellation 20.480 tem outro recurso, um tipo de “banguela eletrônica”, que deixa a transmissão no Neutro, mas sem desacoplar, para rodar trechos planos em baixa rotação de motor, consumindo o mínimo possível.
Rodou bem e bebeu pouco

A descida da Serra do Mar transcorreu tranquila, com o uso e a demonstração de todos os recursos do caminhão por parte do instrutor, e logo vencemos a distância até a cidade praiana de Itanhaém, onde foi feita uma parada rápida para o almoço e depois, o retorno. A subida da serra foi feita pela Rodovia dos Imigrantes, muito mais retilínea e menos desafiadora. Na subida, o caminhão se comporta bem. Longos períodos em trechos de aclive com o uso das últimas marchas, como a décima, décima primeira e décima segunda puderam ser observados neste trecho, mostrando que o caminhão tem potência de sobra e torque necessário para fazer seu trabalho em baixa rotação.
Todo o percurso foi feito em pouco mais de quatro horas, adicionando a parada, com uma velocidade média acima dos 65 km/h, mostrando a entrega de um cavalo mecânico 4×2 com motor de alta potência para operações que precisam desta velocidade mais elevada. Ao final, o computador de bordo do caminhão mostrou uma média geral de consumo de 3 quilômetros rodados por litro de diesel.
O Volkswagen Constellation 20.480 se mostrou uma ferramenta de trabalho de fácil operação, com recursos que privilegiam o conforto e a usabilidade do motorista. É moderno, tecnológico e tem motorização condizente com operações que precisam otimizar custos e entregar produtividade, com baixo consumo e alta performance. A experiência de uso é muito agradável e a entrega do caminhão superou expectativas.
O jornalista Leo Doca rodou de Constellation a convite da VWCO.
Leo Doca – Agência Transporta Brasil (ATB)
leodoca@transportabrasil.com.br
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Agência Transporta Brasil – ATB


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