Testamos a nova Sprinter elétrica pela cidade de SP

Testamos a nova Sprinter elétrica pela cidade de SP

Van oferece conforto de carro de luxo a bordo e bom desempenho para as operações urbanas de coletas e entregas

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A Mercedes-Benz trouxe para o Brasil no final do ano passado sua linha de vans elétricas da família eSprinter em versões de 3,5 e 4,2 toneladas, furgão, chassi cabine e vidrada para entrar na concorrência do aquecido mercado de entregas de última milha em nosso país.

Conhecida pelo público transportador brasileiro como confiável, com características premium e com bom desempenho a Sprinter é uma plataforma que dispensa apresentações e que traz, em suas versões elétricas, o legado de suas versões diesel para quem precisa fazer o transporte de encomendas expressas, entregas de e-commerce e de cargas leves cumprindo regras de descarbonização.

Certamente a opção por veículos eletrificados é feita por transportadores que precisam cumprir regras de ESG de seus contratantes e o mercado, ainda que pequeno, com a presença das elétricas Ford Transit, Iveco Daily, Fiat Scudo, Citröen Jumpy e Peugeot Expert é apetitoso para as fabricantes.

Trajeto urbano tranquilo

Testamos a eSprinter de 3,5 toneladas de Peso Bruto Total, que pode ser dirigida por motoristas com CNH Categoria B, na versão furgão que apresentou uma autonomia WLTP de 470 quilômetros na cidade, em um trajeto de cerca de 290 quilômetros pelas ruas da Grande São Paulo. O veículo tem capacidade de carga líquida de pouco menos de 1.000 quilos, graças à sua tara de 2.500 quilos, um pênalti das versões eletrificadas, já que suas baterias têm um peso significativo.

Rodamos com meia carga, cerca de 500 quilos de cimento em sacos de 50 quilos, distribuídos pelo salão de carga, que conta com revestimento naval de alta qualidade e diversos pontos de ancoragem para a amarração da carga. Com esta configuração, a eSprinter teve um consumo médio final de 27 quilowatts a cada 100 quilômetros.

A dinâmica de direção do furgão é bastante satisfatória. O veículo traz as características da família Sprinter, com ótima posição de dirigir, apoio para o braço direito, transmissão automática, já que é elétrico, volante parecido com os carros de passeio da Mercedes, com diversos botões de comando integrados.

A aceleração é instantânea, mas dá para sentir que a fabricante instalou um pacote de segurança para limitar as arrancadas, o que é um ponto positivo que faz com que as rodas patinem em pisos escorregadios e distribuam bem o torque na tração traseira. A suspensão traseira é muito bem assentada, mesmo com o veículo vazio, graças ao peso das baterias. A eSprinter é equipada com uma série de equipamentos eletrônicos de segurança e estabilidade, que controlam a frenagem, as arrancadas, a estabilidade nas curvas, as retomadas e a distribuição do torque durante todos os trajetos.

Existem três modos de direção, o normal, o eco e o power, para diferentes momentos da operação e, como todo carro elétrico, há regeneração da energia nas frenagens e desacelerações e a Mercedes aproveitou esta função para inserir quatro estágios de regeneração, do mais forte ao mais ameno, fazendo com que o veículo freie sozinho quando o motorista tira o pé do acelerador. Isto pode ser muito útil no anda e pára do trânsito da cidade grande, fazendo com que a condução aconteça no estilo “onde pedal drive”, ou seja, condução com apenas um pedal.

A versão que testamos conta com sistema de entretenimento Mbux, com comandos de voz no estilo “Olá Mercedes” e diversas funções que podem ser controladas pelo botões do volante multifuncional ou pela voz, bem ao estilo dos carros chiques da marca.

O sistema de frenagem de emergência automática é de série e o controle de cruzeiro adaptativo também. Este último funciona muito bem e dá para escolher a distância do carro da frente e usar a função das vias urbanas com bastante tranquilidade e segurança. Dá para sentir que o sistema é bastante preciso e sensível. Nas subidas ou rampas íngremes, o assistente de partida em rampa entra em ação discretamente e também com bastante confiabilidade.

Carga e carregamento

A eSprinter que testamos é equipada com baterias de íons de lítio, ferro e fosfato (LFP) de cerca de 90 quilowatts-hora e seu carregamento foi feito em um local público, com carregador de média potência, indo de 20% a 80% e pouco mais de três horas.

O espaço de carga, acabamento do salão, portas de acesso e demais características do furgão são os mesmos da versão diesel, com abertura generosa e fácil das portas e capacidade de carga de 9 metros cúbicos na versão testada de 3,5 toneladas.

A experiência de rodar com uma eSprinter é muito satisfatória e confortável e o uso de um veículo eletrificado para coletas e entregas urbanas, com viagens curtas que não ultrapassam os 250 quilômetros diários faz sentido do ponto de vista operacional.

Leo Doca – Agência Transporta Brasil (ATB)
leodoca@transportabrasil.com.br

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