Amaggi dá novo significado ao biodiesel em iniciativa sem precedentes

Amaggi dá novo significado ao biodiesel em iniciativa sem precedentes

Uma das maiores empresas do agro brasileiro cria fábrica de combustível renovável e vai rodar com caminhões movidos a B100

Braspress amplia a frota com 135 caminhões Mercedes-Benz
Confira os 10 caminhões pesados mais vendidos em 2023
Airbus envia seu último gigante A380 para pintura na Alemanha

Diamantino e Lucas do Rio Verde (MT) – O biodiesel é uma realidade e não chega a ser uma novidade nos noticiários sobre o agro e o transporte no Brasil e no mundo. A busca por alternativas aos combustíveis fósseis, pela neutralização do carbono nas operações de transporte e na produção rural, e pela redução do impacto ambiental na atividade humana têm revelado diversas iniciativas criativas e de alta tecnologia.

Uma delas é a fábrica de biodiesel à base de soja criada pela Amaggi em Lucas do Rio Verde no Mato Grosso. De olho em sua alta produtividade da commodity e nas oportunidades de demanda pelo combustível não-fóssil, de biomassa renovável, a empresa iniciou um projeto para a produção do B100, o diesel vegetal gerado pela reação de transesterificação do óleo de soja.

A fábrica foi instalada há cerca de dois anos e demandou um investimento de R$ 100 milhões em equipamentos industriais, processos, treinamento, aquisição de tecnologia e armazenagem. A planta é capaz de produzir 337 milhões de litros biodiesel por ano e 30% desta produção será destinada ao consumo da própria Amaggi, que utiliza 120 milhões de litros de diesel por ano em seus caminhões, máquinas agrícolas, processos produtivos, manejo e manutenção das fazendas.

Juliana Lopes, diretora de ESG, Comunicação e Compliance da Amaggi

“Temos uma meta muito séria de chegar a uma operação líquida de carbono zero até o ano de 2050. Sabemos que no agro a redução de emissões é complicada e que, principalmente na nossa área logística, o desafio é grande. Nosso primeiro passo é este projeto piloto que estamos concluindo na Fazenda Sete Lagoas, em Diamantino, no Mato Grosso, onde 21 máquinas da John Deere e diversos caminhões da Scania já estão operando com o B100 e aos poucos vamos expandir o uso do combustível renovável para outras unidades de produção e logística da Amaggi”, diz Juliana Lopes, diretora de ESG, Comunicação e Compliance da Amaggi.

Desmistificando o B100 nos caminhões e máquinas agrícolas

Um dos passos mais importantes para o projeto de descarbonização de as operações de produção de grãos e fibras e de logística da Amaggi é o uso do B100, diesel 100% vegetal, em seus caminhões e nas máquinas agrícolas que fazem o manejo e a colheita do milho, da soja e do algodão. Para isso, a empresa contou com parceiros como a Scania e a John Deere, que mergulharam de cabeça no projeto. “A Amaggi nos procurou para saber a possibilidade técnica de ter caminhões rodando com o B100 nas operações de transporte de grãos e nós da Scania construímos uma solução ideal para este fim. Os nossos caminhões Super na potência de 500 cavalos estão aptos para este trabalho, rodando tanto em composições de nove eixos, com configuração 6×4, quanto em sete eixos, no 6×2, e o nosso time de engenheiros rapidamente configurou os veículos para este fim. O resultado foi a venda de 101 caminhões B100 para a Amaggi, por meio da concessionária Scania Rota Oeste, uma das maiores frotas movidas a biodiesel da Scania no mundo”, explica André Gentil, gerente de Vendas de Soluções a Frotistas da Scania Operações Comerciais Brasil.

Os 101 caminhões Scania comprados pela Amaggi são compostos por 100 unidades do modelo Super 500 R 6×4, para o transporte de grãos, e uma unidade do Super 500 R 6×2, para o transporte do biodiesel. Segundo Marcelo Gallao, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania Operações Comerciais Brasil, o Super é a plataforma ideal para o projeto, pois conta com características de motor compatíveis com o uso do B100, como a alta pressão na injeção do diesel. “Aliado aos procedimentos de armazenagem adequada que a Amaggi tem e ao alto fluxo do combustível, desde sua produção até o consumo, o caminhão tem um comportamento excelente e uma performance normal, em comparação ao S10 B14 que temos no mercado atualmente. A Amaggi já rodou mais de 70 mil quilômetros com caminhões no B100 e não teve problema algum. É claro que o combustível tem algumas características que inspiram cuidado. O biodiesel é vivo. Ele contém matéria orgânica e pode conter bactérias, além de ser higroscópico, ou seja, atrai a umidade do ar. A soma destes fatores pode trazer resíduos indesejados que poderão comprometer alguns componentes do caminhão, mas o uso correto, a armazenagem correta e o cuidado com os veículos tira todo o estigma do B100 para a operação. A Scania fez algumas modificações no caminhão, como em mangueiras, conectores, software de controle da mistura do combustível e sistema de escape, que mitigaram estes problemas e viabilizaram esta compra grande de caminhões movidos a B100. O uso do combustível renovável, que tem em sua produção um sequestro tão grande de carbono e que não utiliza energia fóssil é uma iniciativa muito especial da Amaggi em prol da sustentabilidade do nosso meio ambiente”, disse Gallao ao Transporta Brasil.

Os caminhões da Scania são usados pela Amaggi para o transporte de grãos desde suas fazendas e complexos de armazenagem até o corredor Norte de exportação de soja, em Miritituba, no Pará, com trajetos de até 1.500 quilômetros.

Além dos caminhões, a Amaggi também usa o B100 para abastecer as máquinas agrícolas que utiliza no campo. A John Deere foi a parceira que ajudou neste processo. “Fomos procurados pela John Deere em 2022 sobre a viabilidade do projeto com nossos produtos e a primeira máquina a ser usada e testada foi a motoniveladora. Depois, estendemos o B100 para todas as máquinas verdes e amarelas na operação da Amaggi. Nossas máquinas já têm em seu manual a possibilidade técnica de uso de biodiesel como combustível, já estão preparadas para isso. Além disso, a John Deere tem dado toda a consultoria técnica e o apoio à Amaggi para este projeto. Nosso produto, que já é preparado para o biodiesel, nosso apoio técnico, o cuidado da Amaggi e o uso de aditivos John Deere de ação bactericida, fungicida e de limpeza, contribuem para o uso eficiente das máquinas com este tipo de biodiesel. É a tecnologia do campo contribuindo para um planeta mais verde e uma produção agrícola mais sustentável”, diz Bruna Mazzante, gerente de marketing da John Deere.

Bruna Mazzante, gerente de marketing da John Deere

As máquinas da John Deere são usadas pela Amaggi para o preparo do solo, manejo, colheita, transbordo e transporte dos grãos entre o campo e as unidades armazenadoras.

A reportagem da Agência Transporta Brasil viajou ao Mato Grosso a convite da Amaggi.

Leo Doca – Agência Transporta Brasil (ATB)
leodoca@transportabrasil.com.br

Clique aqui para assistir a vídeos sobre transporte todos os dias na TV Transporta Brasil

+ Saiba tudo do mundo do transporte rodoviário. Curta nossa página no Facebook!
Agência Transporta Brasil – ATB

COMMENTS