Eaton: 65 anos de tecnologias para transportar o Brasil

Eaton: 65 anos de tecnologias para transportar o Brasil

Da fabricação de válvulas ao desenvolvimento de transmissões para o mundo todo, a Eaton do Brasil evoluiu junto com a indústria automotiva global

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A Eaton é uma das protagonistas da indústria automobilística mundial, criando peças, componentes e soluções para a mobilidade, seja em simples componentes para os motores que movem o mundo, seja em complexos sistemas de embreagens, transmissões automatizadas ou para a eletrificação de veículos.

Sua chegada ao Brasil, em 1957, foi marcada pela necessidade da indústria local, que estava nascendo, em obter válvulas para carros de passeio, veículos comerciais e veículos agrícolas. Foi assim que foi aberta, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, a primeira fábrica da Eaton fora dos Estados Unidos.

Mais de seis décadas depois, a presença da Eaton no Brasil atualmente se faz com quatro grandes fábricas de componentes que fornecem peças, válvulas, transmissões manuais e automatizadas, embreagens, sistemas de controle de torque e sistemas e soluções em eletrificação para praticamente todas as montadoras de veículos aqui presentes. De acordo com um estudo da Fraga Consultoria, de 2022, a Eaton está presente em mais da metade da frota de caminhões leves e médios do Brasil, mantendo contratos de fornecimento para empresas como Agrale, Iveco, Mercedes-Benz, Volvo e Volkswagen Caminhões e Ônibus.

Sérgio Kramer, diretor Geral para Veículos Comerciais e Fora de Estrada da Eaton

Além disso, a unidade brasileira da empresa tem grande protagonismo na Engenharia Global, desenvolvendo projetos para diversas regiões. “A América do Sul tem uma grande relevância dentro da Eaton globalmente e os produtos que fabricamos estão presentes nos veículos de praticamente todas as montadoras que atuam no Brasil. A indústria automobilística brasileira tem uma importância gigante para a Eaton, pois absorve e utiliza diversas tecnologias que são criadas globalmente pelos nossos times de desenvolvimento e engenharia. Podemos dizer que a nossa empresa evoluiu junto com esta indústria no Brasil e está pronta para as próximas décadas, não somente na fabricação de componentes para transmissões e trens de força, mas também com novas tecnologias eletrônicas e de software para a eletrificação e para as novas fases da mobilidade mundial. Temos muito orgulho de nossos 65 anos de Brasil e estamos prontos para os próximos 65 anos”, diz Sérgio Kramer, diretor Geral para Veículos Comerciais e Fora de Estrada da Eaton.

Destaques históricos da Eaton no Brasil

Nos anos 1960 e 1970, a empresa se ocupou da fabricação de transmissões com projeto americano para diversos veículos da linha leve, como o modelo 206T, de três marchas, para os veículos Ford Galaxie, F100 e Maverick, e 260F, de quatro velocidades, para os Ford Maverick de 8 cilindros, F100 e F1000 movidos a diesel e a álcool.

Em 1980, com 23 anos de Brasil e consolidando sua presença no mercado nacional, a Eaton já dominava 85% do mercado local de transmissão. A modernização chegou cinco anos depois, em 1985, quando a empresa iniciou a automação de sua linha de produção na fábrica paulista de São José dos Campos.

A Engenharia da Eaton brasileira foi ganhando espaço global na empresa, desenvolvendo seu capital humano e conquistando protagonismo na criação de produtos. Passou de simples modificadora de projetos vindos de fora a desenvolvedora de soluções em 1990, quando a primeira transmissão 100% brasileira saiu da fábrica. O modelo era o CL3905 manual de cinco velocidades com overdrive, aplicado nos caminhões Ford F4000 e nos leves da linha Cargo.

No ano de 1996, a Eaton concluiu a aquisição da fábrica da Clark, em Valinhos (SP), hoje a maior unidade fabril da empresa da América do Sul. No ano seguinte, estabeleceu com a Dana uma parceria com a aquisição de sua linha de embreagens. Em 2000, um marco para a história da Eaton no Brasil: a inauguração da fábrica de transmissões com eixos, engrenagens e sincronizadores para carros de passeio, caminhões e ônibus em Mogi Mirim (SP).

Esta unidade da Eaton é especializada em fabricação sob contrato de manufatura para os principais fabricantes de veículos e a Eaton chegou a dobrar sua produção para atender novos clientes de caminhões pesados e extrapesados. Segundo a empresa, a produção da unidade chegou à marca de 20 mil componentes por dia em 2020.

Dentre os clientes está a Mercedes-Benz, que utiliza os produtos da Eaton para nacionalizar seu câmbio automatizado G291 Powershift de 12 velocidades, que equipa o Novo Actros, caminhão extrapesado da marca.

A Eaton informou que tem investido em Indústria 4.0, automação e conectividade na produção. Dentre as melhorias estão o trabalho de um robô colaborativo de dois braços para a montagem de componentes complexos, o uso de realidade aumentada e impressoras 3D.

A expansão continuou e em 2005 a Eaton fez a compra da Pigozzi, de Caxias do Sul (RS), inaugurando sua primeira fábrica no Sul do Brasil. Falando em aquisições, a Eaton fez em 2012 sua maior ação de expansão com a compra da Cooper Industries, incorporando a fábrica de Porto Feliz (SP) à sua operação brasileira.

A era das transmissões automatizadas

Com a tendência da automatização das transmissões de caminhões no Brasil, iniciada pelos pesados e logo introduzida nos veículos médios, a Eaton produz suas primeiras caixas automatizadas nacionais em Valinhos no ano de 2016. Um dos modelos era o câmbio EA-6101, de seis velocidades, com aplicação em caminhões de 3,5 a 13 toneladas de Peso Bruto Total, além de micro-ônibus, proporcionando maior conforto e produtividade para os motoristas.
Nos ônibus, o modelo UltraShift PLUS PV de seis velocidades, também desenhado e projetado pelos engenheiros brasileiros, foi aplicado em ônibus urbanos de 12 a 17 toneladas. Em parceria com a Ford e a Cummins, a Eaton brasileira também desenvolveu nessa época o câmbio Torqshift de 10 velocidades, utilizado na família Ford Cargo de caminhões médios e semipesados.

A partir daí, com a expertise no desenho e desenvolvimento de transmissões automatizadas, os modelos Eaton passaram a equipar caminhões como o Iveco Tector, Volkswagen Delivery e Mercedes-Benz Accelo, introduzindo a automação nas caixas de câmbio de caminhões leves Brasil afora, graças ao lançamento dos modelos EA-6106 e EA-6206 em 2019.

Recentemente, a Eaton passou a desenvolver e produzir transmissões para veículos comerciais totalmente elétricos, com a criação de sua divisão de eMobility em 2021 e fornecendo as caixas para os novos FNM movidos a bateria.

No campo ambiental, a empresa conquistou diversos destaques de responsabilidade com seus clientes e, no ano passado, alcançou a certificação aterro zero para todas as suas fábricas brasileiras.

“Em nosso Centro de Desenvolvimento para a América do Sul, localizado no Brasil, contamos com um time de engenheiros com recursos de desenvolvimento extremamente fortes e com responsabilidade global que atende a uma gama muito grande de veículos comerciais leves e médios a partir de 3,5 toneladas. Um exemplo desse protagonismo brasileiro é o fato de o centro de desenvolvimento de produtos para o segmento de caminhões de 8 a 15 toneladas global da Eaton ser todo concentrado no Brasil. Desenvolvemos soluções que são aplicadas em diversas regiões, como na Ásia, Europa e outros lugares do mundo. Trabalhamos conectados com todos os centros de desenvolvimento da Eaton no mundo e temos papel de liderança global. Isso se deve à proximidade que temos com nossos clientes frotistas e transportadores aqui na nossa região, que traz um conhecimento muito grande de campo. O ecossistema da América do Sul é bastante específico por trazer condições de relevo, estradas e clima muito diversas, o que permite que criemos caixas automatizadas, embreagens e outros componentes que se ajustam às mais diferentes condições”, destaca o diretor Sérgio Kramer.

Valorizando o capital humano

Para dar conta de suas demandas globais de desenvolvimento e produção de soluções de mobilidade, a Eaton conta com diversas iniciativas de formação de novos trabalhadores, em nível técnico e também superior. Um exemplo é a parceria com o SENAI, que ajuda a trazer mão de obra especializada para suas fábricas. Outra iniciativa é a busca pela diversidade dentro de seus quadros, privilegiando a liderança das mulheres em cargos de importância administrativa e também a abertura de oportunidades para os públicos LGBTQIA+. Tudo isso propicia à Eaton a formação de equipes de alta performance próprias, que contam programas de retenção de talentos e valorização profissional. Atualmente, a Eaton tem 4500 colaboradores no Brasil, divididos em todas as plantas

45 anos de conhecimento e desenvolvimento

Certamente a história da Eaton é feita de pessoas que trabalharam com afinco e se capacitaram para empregar seus talentos em projetos nas mais diversas áreas automotivas. Não por acaso, o colaborador em atividade com mais tempo de casa é o engenheiro João Pavan, que atualmente ocupa a Diretoria de Engenharia de Produto da Eaton. Ele trabalha na empresa há 45 anos e é um personagem que traduz muito bem o caráter pioneiro e a evolução do conhecimento em Engenharia no Brasil, empregado nas transmissões para veículos de diversos tamanhos.

“Eu entrei na Eaton em 1978, já faz 45 anos, e iniciei como estagiário técnico. Eu cursei o colégio técnico em Mecânico e no final do estágio, no mesmo ano, fui efetivado como desenhista do departamento de Engenharia de Produto. Me apaixonei pela Engenharia e fiz toda a minha carreira nessa área, com foco em produto. Fiz a faculdade de Engenharia Mecânica, me especializei e cheguei à carreira gerencial. Hoje estou na Eaton como Diretor de Engenharia”, conta João Pavan, Diretor de Engenharia de Produto da Eaton. Pavan participou da criação da equipe de engenharia da Eaton em Valinhos (SP) e conta que no começo eles faziam apenas algumas alterações e adaptações em caixas de câmbio que a empresa produzia e vendia sob o desenho do cliente em contratos de manufatura. Com o tempo, a equipe foi evoluindo e empregando sua criatividade para passar a desenvolver novos projetos, criando produtos diferenciados e soluções não somente para o Brasil, mas para todas as regiões do mundo. “Hoje temos o know-how e a expertise para fazer o desenvolvimento completo de uma caixa de transmissão automatizada. Isso demandou muita dedicação e muita coragem de nossos profissionais, pois foi uma condição construída a partir das oportunidades que apareciam. A matriz trazia alguns desafios e nós nos voluntariávamos para fazer o desenvolvimento aqui no Brasil, até chegar ao patamar de capacidade de criar um projeto de transmissão automatizada a partir de uma folha em branco”, conclui o diretor.

Leo Doca – Agência Transporta Brasil (ATB)
leodoca@transportabrasil.com.br

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