Scania 50 vezes gaseificada

Scania 50 vezes gaseificada

Fabricante ultrapassa a meta de venda de 50 caminhões movidos a gás natural e biometano e fortalece seu trabalho em sustentabilidade no transporte brasileiro

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A Scania ultrapassou a meta. Nos caminhões a gás, que foram apresentados ano passado na Fenatran, a empresa alcançou um feito notável: já vendeu 50 veículos para diferentes clientes e segmentos de atuação no transporte. E vem mais por aí. Os executivos da empresa estão animados com os resultados e reafirmaram o compromisso da Scania em trabalhar seriamente por um transporte mais sustentável no Brasil.

Nova geração econômica

Esse trabalho já vem sendo feito desde 2018, quando a marca lançou sua nova geração de caminhões, mudando por completo seu modo de produção e apresentando um produto com performance e economia comprovados pelas operações dos clientes. Na nova geração, a promessa de economia de 12% de combustível foi cumprida. Agora, com a linha 2020/2021, eles prometem 15%, com a nova tecnologia Acticruise, um piloto automático inteligente que aproveita a inércia do veículo e a topografia para economizar energia.

Somente em 2020, de janeiro a setembro, a Scania emplacou 5.547 caminhões de sua nova geração. Se aplicarmos a porcentagem da economia a este número de veículos e as perspectivas de impacto ao meio ambiente, isso equivale à redução de emissão de 120 mil toneladas de CO2, ou o plantio de 721 mil árvores.

Eles estão levando a sério mesmo. A Scania tem parceria com o Instituto Mata Atlântica para a preservação deste importante bioma brasileiro e quer mais: quer trabalhar com combustíveis alternativos que tenham menos impacto ambiental. Eles dizem que o caminhão a diesel é parte do problema. A Scania quer ser parte da solução também.

“Gaseificada” não é a palavra

A brincadeira do título não traz a palavra certa. Mas o jogo de palavras serve para nos atentarmos a um fato muito importante para o transporte brasileiro. A Scania já vendeu 50 caminhões a gás feitos no Brasil. Isso equivale a cerca de 1% da produção da empresa. É pouco?

Na verdade, não é pouco. É uma fatia que, pelo menos há um ano, não existia. Este número já não é um traço. É uma marca significativa no mercado brasileiro de caminhões. O caminhão movido a gás natural e/ou biometano é, de fato, um veículo que ajuda a variar a matriz energética do transporte de cargas nacional. O gás é mais sustentável, existe em abundância, é natural, pode ser obtido pela decomposição de lixo e detritos e emite menos poluição.

A Scania sabe de tudo isso e, ao desenvolver um caminhão brasileiro movido a gás, com sua cabine de nova geração e novas tecnologias para o motor, deu um passo à frente.

O motor aguenta? O cilindro explode?

Sim, e não!! O motor é um Scania que trabalha de forma diferente do ciclo diesel. Ele é ciclo Otto, mas, segundo Silvio Munhoz, diretor de Vendas de Soluções da Scania Brasil, é construído com 80% dos materiais, componentes e peças do motor a diesel. “O motor diesel trabalha com uma taxa de compressão maior e o bloco tem uma resistência grande. No gás, a explosão é mais fraca, o que faz com que a estrutura do motor e sua resistência sejam muito superiores ao necessário para este tipo de motor. Com isso, ele vai ter muita durabilidade”, disse o executivo.

Estes motores têm as mesmas tecnologias dos motores a diesel da nova geração Scania. Uma delas é a injeção de combustível em altíssima pressão, a XPI, que otimiza a queima em vários pontos da injeção e trabalha com uma pressurização para aumentar a combustão. Além disso, o bloco do motor é feito de um composto que usa grafeno, uma das formas mais duras do carbono.

O cilindro não explode. Ele não se comporta como aqueles instalados em oficinas “boca de porco”, utilizando gambiarras e materiais baratos. Os cilindros de alta compressão são ultra resistentes e garantidos pela Scania. De acordo com a fabricante, por enquanto, muitos cilindros ainda são importados, porque os fornecedores brasileiros estão gerando capacidade de produção para dar conta da demanda. São equipamentos e materiais homologados e testados à exaustão e não vão “explodir por aí ferindo pais de família”.

E o biometano?

Este gás, que é essencialmente o combustível que faz o motor do caminhão funcionar, é proveniente, na natureza, da decomposição de materiais orgânicos. Isso torna possível a criação de usinas de decomposição ou compostagem para a geração deste gás.

No segmento sucroalcooleiro, as usinas estão de olho nesta energia valiosa que vem da natureza, tem alto grau de pureza e eficiência e é inesgotável e renovável. O Grupo Cosan, que tem 27 usinas de produção de açúcar e álcool e precisa de combustível para uma frota de cerca de cinco mil veículos, está estudando a construção de uma usina de biogás. Outras empresas, com a Usina São Martinho e a Usina Cocal estão com projetos para gerar biogás para abastecer carros, máquinas e caminhões com gás biometano.

Novos e antigos clientes

Para chegar à venda de 50 caminhões a gás, a Scania contou com uma demanda nova de embarcadores importantes. Empresas como L’Orèal, PepsiCo, Carrefour e Nestlè estão em busca de um transporte mais sustentável e pediram às transportadoras que as atendem para criar projetos com caminhões que usam energia alternativa. A Scania apresentou seus caminhões a gás há exatamente um ano.

Clientes como a RN Express, Jomed LOG e Charrua foram os primeiros a comprar os veículos. Agora, uma grande transportadora comprou um lote significativo. “A TransMaroni comprou 11 caminhões R 410 6×2 a gás, e se tornou a transportadora a adquirir o maior lote até o momento. As conversas começaram na Fenatran e amadureceram ao longo dos meses. Trata-se de um grupo com muita visão de futuro e de ações concretas de sustentabilidade”, diz Sílvio Munhoz. “Vale a pena reforçar que a empresa que comprou o maior volume ainda é a PepsiCo, com 18 unidades do G 340 4×2, que terão rotas por todo o país”, conta. A parceria com a PepsiCo, uma das líderes mundiais no segmento de alimentos e bebidas, foi anunciada em junho de 2020.

Os caminhões a gás da Scania estão disponíveis no portfólio de vendas da marca no Brasil e são fabricados em São Bernardo do Campo (SP). De acordo com a fabricante, os veículos a gás custam, em média, 30% a mais do que os convencionais a diesel.

A Scania informou que sua rede de concessionárias está sendo preparada para dar todo o suporte aos clientes que rodam com caminhões a gás, com boxes, ferramentas e check-list especiais para estes veículos, que estarão disponíveis nos próximos meses.

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Leo Doca – Agência Transporta Brasil (ATB)
leodoca@transportabrasil.com.br

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Agência Transporta Brasil – ATB

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