Scania G 500 8×4 é o novo chefe da mina

Scania G 500 8×4 é o novo chefe da mina

Modelo tem maior capacidade de carga líquida e muita robustez para operar nas mineradoras, por isso já representa 80% das vendas de off-road da marca desde janeiro

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Junto com a nova geração de caminhões Scania está também o fora de estrada G 500 8×4 Heavy Tipper – o sobrenome Heavy Tipper designa que o caminhão é indicado para operações de mineração com maior capacidade de carga.

E para se ter uma ideia do que esse bruto é capaz, ele possui PBT de 58 t a 66 t. Isso porque a aplicação é que vai definir qual é o PBT mais adequado. Por exemplo, para aquele caminhão que vai operar transportando o produto bruto é recomendado a versão de 58 t, já que nessas atividades comumente não existe o controle do peso que vai transportar. Já aquele caminhão em que há controle da carga transportada, como guindaste, caminhão de comboio de abastecimento ou pipa – aqueles que operam como secundários dentro das minas – a Scania recomenda a versão com PBT de 66 t.

Também chama a atenção a CMT (Capacidade Máxima de Tração) do G 500 de 210 t. Mas o que faz dele forte candidato a chefiar a mina é sua capacidade de carga líquida que varia de 40 t a 44 t – a maior entre os competidores. Caminhões dessa natureza – baseados em plataformas de veículos rodoviários – geralmente têm capacidades líquidas de 38 t.

Contexto histórico

Segundo Fabrício de Paula, gerente de vendas off-road da Scania no Brasil, até 2010, a carga líquida dos caminhões para mineração não passava de 33 t.
Um gap anos-luz distante dos caminhões que operavam antigamente nas minas, aqueles gigantes amarelos, cuja carga líquida chegava as 70 t. Contudo, por serem caminhões caros, importados, logo, não finamizados, a Scania entendeu que poderia dar acesso ao cliente a ter caminhões off-road a preços competitivos, finamizados, porém, com carga líquida inferior, já que se originam dos rodoviários.

E daí nasceu o G 440 e outros modelos de outras marcas. Porém, todos ainda com carga líquida bem limitada frente aos da linha amarela. Foi aí que a Scania desenvolveu o conceito que ela chamou de Heavy Tipper, resultando hoje no G 500 com carga líquida a partir de 40 t. “Não chegamos perto da linha amarela, mas a Scania descolou dos concorrentes e cobrimos parte desse gap que existe”, destaca o gerente.

Deve-se levar em consideração também que os caminhões atuais de mineração são mais confortáveis, mais seguros e privilegiam o condutor. O G 500 traz de série suspensão de cabine e a do banco do motorista pneumática, ar-condicionado, banco de vinil e painel com material de fácil limpeza e macio ao toque, e um painel de instrumentos renovado com todas as informações necessárias no computador de bordo para boa performance do condutor.

Trem de força

O G 500 8×4 é equipado com câmbio automatizado GRSO 935R, conhecida como Opticruise de 14 velocidades com Retarder acoplado específico para mineração com o diferencial de atuar em baixíssima velocidade, tanto que pode ser acionado a partir de 10 km/h. Sua capacidade de frenagem é de 418 mkgf de torque. Para se ter uma ideia,na linha anterior a capacidade era de 357 mkgf e ele começava a funcionar a partir dos 30 km/h.

Além disso, essa nova geração da Opticruise possui o chamado Lay Shaft Brake sistema de freio de eixos relacionado à condução e ao desempenho. Graças ao freio do eixo, a caixa de câmbio realiza a troca em 0,4 segundos, o que significa que o tempo de mudança de marcha foi reduzido pela metade. Utilizar o Lay Shaft Brake não só reduz o tempo de mudança de marcha, mas também contribui para que a pressão do turbo seja mantida. Portanto, o veículo irá aumentar a velocidade para a próxima marcha com maior torque, mantendo a suavidade das trocas.

Essa novidade mais as inovações de software resultaram em trocas de marchas 70% mais rápidas em relação à geração anterior.

O motor é o Scania DC13, de 13 litros que desenvolve potência de 500 cv a 1.900 rpm e torque de 260,2 mkgf de 1.000 a 1.300 rpm – o torque mais forte entre os competidores. Deve-se lembrar que esse motor chega a uma economia de até 8% em relação à geração anterior, isso graças ao novo sistema de injeção XPI, além disso, a potência de 500 cv trabalha com mais folga, ainda mais agora que o caminhão carrega mais peso, necessitando de torque e potência para que cumpra o seu ciclo de produção de forma mais rápida.

Todos os eixos foram modificados e redimensionados, além do sistema de suspensão e reforços das longarinas. O eixo traseiro RBP 900 com redutor nos cubos de roda ficou mais parrudo.

A Scania mantém inúmeras relações de diferenciais e de entre-eixos. Destaque para a novidade de 7,63:1 – a mais reduzida do lineup. Mas a marca do grifo ainda possui uma série de relações de redução e de entre-eixos para atender às demandas dos clientes nas minas. E com relação aos entre-eixos destaque para a versão de 4.350 mm – adequada para dar mais agilidade em estradas mais estreitas e de curvas bem fechadas.

Pacote XT de série para o modelo

Na linha off-road o pacote XT é de série. Já nas operações mistas é oferecido como opcionais, mesmo porque o cliente vai eleger os itens mais adequados ao seu perfil de atividade.

No pacote XT dentro da mineração chama a atenção para-choque avançado em 150 mm em relação à cabine. Isso permite que a cabine fique mais protegida de barrancos, pedras etc, reduzindo o número de paradas por avarias do item e também a possibilidade de danificar a frente do veículo em caso de pequenas colisões frontais. O para-choque de aço também proporciona maior ângulo de ataque quando comparado com o convencional, possibilitando a entrada do veículo em qualquer terreno.

Outros itens inclusos no pacote XT são degrau articulado que possibilita acesso fácil para que o motorista possa efetuar a limpeza do para-brisa ou até mesmo para realizar a substituição das palhetas do limpador do para-brisa; a grade do farol que contribui para a proteção das lentes do farol; a grade frontal, na cor preta; o pino de reboque que suporta até 40 t, sendo um item de grande ajuda, caso se necessite rebocar o veículo.

E os novos retrovisores ainda têm como opcional o ajuste elétrico.

Por tudo isso, dos 280 caminhões off-road que a Scania vendeu desde janeiro, o G 500 foi responsável por 80% das vendas. E isso vai incomodar a concorrência, que por anos vem nadando de braçada nesse segmento.

Competidores

Com sua nova capacidade de carga líquida, a Scania se descolou um pouco dos seus competidores Volvo FMX 500 e o Actros 4844 ambos 8×4.
O Actros é o modelo mais vendido do mercado, ou assim foi até o ano passado, quando emplacou 84 unidades. Nos primeiros três meses deste ano, as vendas já ultrapassaram o ano todo de 2018, com 92 unidades. Mas 2018 foi um ano economicamente complicado para o setor off-road.

Contudo, este ano tudo indica que o modelo da estrela poderá ser o calcanhar de Aquiles do Scania G 500 – e este, pelos números de vendas também vai incomodar o representante da Mercedes.

O Actros 8×4 é homologado com PBT de 48 t e tem capacidade de carga líquida de 36 t. Sua motorização é o OM 501 LA, motor de 12 litros e de 6 cilindros em V, que desenvolve 435 cv a 1.800 rpm com torque de 214,1 mkgf a 1.080 rpm.

Esse motor trabalha com a transmissão automatizada MB G-330 de 12 marchas Powershift. O Actros ainda possui freio retardador Voith que junto com o freio-motor lhe dá uma capacidade de frenagem na ordem de 1.145 cv. Os eixos com redutores nos cubos de roda são o HD7-HL7 produzidos pela marca.

O Volvo FMX 500 é o que mais vai bater de frente com o G 500 por terem potências equivalentes. Contudo, a Volvo possui versões do FMX com diferentes trações e potências que partem dos 380 cv até 540 cv, porém, o FMX 500 representa 60% das vendas dentro da família.

O FMX 500 8×4 tem PBT de 52 t e capacidade de carga líquida entre 35 t e 38 t. Seu motor é o Volvo D13C500 que desenvolve potência de 500 cv entre 1.400 a 1.900 rpm e torque de 255 mkgf entre 1.050 e 1.400 rpm.

Esse caminhão também é equipado de série com a transmissão automatizada I-Shift de 12 marchas.

Conta com versões de entre-eixos que vão de 4.300 mm a 5.500 mm e seu eixo é o Volvo RTH3210F com redutor nos cubos de roda. E ele também detém de algumas opções de relações que partem de 3,33:1 a 7,21:1.

Andrea Ramos, Editora-executiva da Agência Transporta Brasil
andrearamos@transportabrasil.com.br

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