Ford série F: e agora?

Ford série F: e agora?

A gama F da Ford vigora entre os veículos mais populares do mundo, não por acaso, em 2018, foram vendidas mais de 1 milhão de unidades pelo globo. Agora, com a ameaça de fim de produção no Brasil, como fica essa série lendária?

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A Série F chega aos 70 anos cheia de histórias. Com a infeliz notícia da ameaça de paralisação de sua produção, vale a pena deixar o registro deste caminhão lendário para o transporte brasileiro.

A primeira picape da gama, a F-1, foi lançada em 1948. A trajetória de sucesso se deve pela Ford ter criado um veículo versátil, que tanto poderia ser usado para passeio, como tinha robustez de sobra para o trabalho. E assim é até hoje. A versatilidade se completa pelas opções de motores que vão dos 6 cilindros em linha, passando pelo V6 ao clássico V8.

No Brasil, como a Ford foi a primeira fabricante a se instalar por aqui, em 1953, produzindo caminhões, pelos quatro primeiros anos manteve sua operação por CKD. Em 1957, foi então que lançou o seu primeiro clássico, a F-600 que tinha 40% de índice de nacionalização.

O modelo, cujo PBT era de 6,5 t, estreou no país o motor V8 de 4,5 litros movido a gasolina, com potência de 161 cv.

A primeira aventura do F-600 foi sair da fábrica da Fored que ficava no bairro do Ipiranga, em São Paulo, com destino a Caruaru, Pernambuco, onde enfrentou 1.500 km dos quais 400 km eram de rodovias pavimentadas. O sucesso desse teste firmou a Ford como a produtora de veículos resistentes.

Daí em diante a Ford nunca parou de produzir caminhões e picapes da Série F. Na categoria picape, o último espécime ficou por conta da F-250, que teve sua produção interrompida em 2011.

2018 – 1.075 milhão de unidades

A maior parte desse volume de vendas da Série F, no ano passado, foi destinado ao mercado norte-americano, com destaque para a F-150. Lembrando que por lá a ga,a é composta por versões que partem da F-150 XL a F-450 Super Duty Limited.

Dando um tempo

Em 2012, a linha F teve sua produção interrompida porque a Ford na época não tinha a tecnologia para atender ao programa Proconve P7 de redução de emissões de poluentes, equivalente a Euro 5. A decisão pode ter sido tomada, porque a Ford apostava na gama Transit, o que faria todo sentido, se levar em conta que a arquitetura da gama Transit tinha tudo a ver com o dos comerciais semileves que atuam por aqui. Fato é que, por ser importada da Turquia, custos com importação não fora, os mais convidativos, fazendo com que a Transit perdesse competitividade no mercado. Mas nem tudo estava perdido, porque paralelamente a isso, a Ford estava preparando junto aos seus fornecedores as tecnologias adequadas para trazer de volta os caminhões F-350 e F-4000.

Para se ter uma ideia do tamanho sucesso que a linha F faz no mercado, em 2011 a Ford preparou uma “fornada” de F-350 e F-4000 Euro 3 que foram todas vendidas, emplacando o topo de vendas de suas categorias até meados de agosto de 2012, quando a Euro 5 fazia sua estreia.

Em 2014, depois de dois anos de produção interrompida, a marca retorna a produção dos modelos F-350 e F-4000 4×2 e F-4000 4×4.

1959

Começa a produção da F-350, porém, como o primeiro caminhão para atender o segmento médio

1961

A Ford lança o F-600 versão com motor diesel da Perkins

1964

O F-600 é fabricado com 99% de índice de nacionalização

1965

É iniciada a produção da picape F-100

1968

A picape F-100 começa a equipar suspensão dianteira independente Twin-I-Beam

1971

A Ford renova a sua família F-100, F-350 e F-600, que recebem uma suspensão dianteira Twin-I-Beam mais moderna. Também nesse ano lança a F-750, o primeiro caminhão brasileiro com freio a ar e direção hidráulica opcional. A Ford produz o F-600 número 200 mil movido a gasolina. Lançados os caminhões F-400 e F-4000 com maior capacidade de carga. O F-4000 ainda equipava um dos motores mais modernos da época: o MWM D-226-4.

1976

A picape F-100 ganha motor V8 OHC, de 2,3 litros, tanque de combustível de 87 litros instalado sob a caçamba e estepe. O banco é reposicionado e a bitola traseira está mais larga

1977

Ford apresenta os novos modelos F-7000 e FT-7000, este último com 3º eixo de fábrica e com motor diesel. É lançado o cavalo-mecânico Ford F-8500 para PBTC de 30,5 t, além dos modelos F-8000 e FT-8000 com motor Detroit Diesel 6V-53

1978

Os caminhões F-7000 e FT-7000 passam a equipar motor MWM D-229-6

1979

É lançada a picape F-1000 com motor diesel MWM D-229-4, cuja capacidade de carga é de 1 t. O modelo possui freios dianteiros a disco e como opcional a direção hidráulica.

1980

A Ford lança versão da F-4000 com direção hidráulica como item opcional. A Ford apresenta o caminhão médio F-2000 para 2 t de carga útil, ele tem motor MWM D-229-4, freios dianteiros a disco e opção de direção hidráulica. São lançados os caminhões da Série F com nova nomenclatura baseada no PBT (Peso Bruto Total) e incorporando melhorias de chassi

1982

É iniciada a produção do Ford F-22000 de configuração 6×4. É disponibilizado o motor diesel nos caminhões F-2000 e F-4000, como complemento ao motor MWM. Esses modelos ainda passam a equipar caixa de mudanças de cinco marchas

1985

F-4000 começa a ser produzida com freios dianteiros a disco. É lançada a picape Ford-1000A, com motor 6 cilindros de 3,6 litros a álcool

1986

Começa a produção do Ford-14000 com mais capacidade de carga e com eixos e rodas comuns ao Ford Cargo, lançado no mercado em março de 1985

1989

Iniciada a produção da picape F-1000 a gasolina, com motor de 6 cilindros em linha e 3,6 litros, tendo como opção vidro traseiro deslizante e caixa de mudança de cinco marchas, na versão movida a diesel. É feita a introdução dos freios de ar de 15 polegadas com lonas sem amianto nos caminhões F-11000 e F-14000
Também é dado início a produção da picape F-1000 com melhorias de nível de ruído interno, direção, conforto de rodagem, estabilidade e desempenho. O modelo ainda conta com a opção de acionamento elétrico dos vidros e trava elétrica das portas

1990

Começa a produção da picape F-1000 turbo com motor diesel MWM TD-229-EC4, equipando rodas de liga leve, espelhos retrovisores com controle elétrico e cintos de segurança de três pontos

1991

A F-1000 passa a equipar tanque de combustível de 114 litros em polietileno de alta densidade

1992

É iniciada a produção da linha F-1000 modelo 1993, totalmente nova, com novo design e melhorias mecânicas e de acabamento interno em que o conforto é evidenciado. A novidade é a opção do ar-condicionado de fábrica. Começa a produção dos novos caminhões F-4000, F-12000 e F-14000 HD 1993 com todas melhorias, incluindo maior capacidade de carga

1998

A Série F estreia o ano com os novos modelos F-350 para o segmento leve, F-16000 para o segmento médio e a F-250 como picape

2004

Chega ao mercado a F-350 equipada com cabine dupla, podendo transportar seis pessoas

2005

A Ford entra aquele ano com seus produtos, linhas F-350 e F-4000 e família Cargo atendendo as normas de emissão Euro 3. Mais tarde a tecnologia engloba todos os membros da família, incluindo a picape F-250

2011

A Ford descontinua a família F composta pela picape F-250, o caminhão semileve F-350 e o leve F-4000

2014

F-350 e F-4000 voltam ao mercado mais modernas, com motorização Euro 5 e está 6% mais econômicas se comparar a gama Euro 3. A tecnologia adotada para atender a norma é a SCR de pós-tratamento composta por um catalisador que recebe os gases expelidos pelo motor. Ford lança a versão 4×4 da F-4000

2019

Em março, a Ford anunciou que irá desativar sua fábrica em São Bernardo do Campo e abandonar a produção de caminhões no Brasil. A notícia caiu como uma bomba para os frotistas e donos de caminhões da marca. Pouco tempo depois, rumores indicaram que o Grupo Caoa estaria interessado em assumir as operações, mas, até o fechamento desta reportagem, em 11 de abril de 2019, nenhuma confirmação foi dada pelas empresas. Seria este o triste fim de uma saga no transporte brasileiro?

Andrea Ramos, Editora-executiva da Agência Transporta Brasil
andrearamos@transportabrasil.com.br

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Agência Transporta Brasil – ATB

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