Ford Caminhões abandona o Brasil

Ford Caminhões abandona o Brasil

Sindicado dos metalúrgicos do ABC diz que a Ford não pode desistir do Brasil e dos trabalhadores e continuar vendendo carros no Brasil. Notícia do fechamento da fábrica em São Bernardo do Campo coloca 2800 trabalhadores compulsoriamente na rua

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A Ford, que foi a primeira fábrica de caminhões a se instalar no Brasil, anunciou na tarde desta terça-feira (19) que vai interromper sua produção de veículos pesados: linha Cargo e linha F, além do Ford Fiesta que também era produzido na planta de São Bernardo do Campo (SP).

O comunicado, dado por Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, causou “indignação e revolta”. Essas foram as palavras usadas por Wagner Santana, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, quando recebeu o comunicado de que a Ford Caminhões encerrará suas atividades na planta paulista.

“Já estávamos nos preparando para receber essa notícia. Em janeiro fizemos uma assembleia na portaria da fábrica e pedimos para que essa reunião acontecesse para que a Ford pudesse deixar clara a sua real intenção em relação à planta de São Bernardo do Campo”, diz o sindicalista, em vídeo divulgado nas redes sociais na tarde desta terça.

Para Santana, muitos trabalhadores serão atingidos por uma empresa que só quer visar o lucro. “Espero que ela (a Ford) não ache que vai desistir do Brasil e de seus trabalhadores dessa forma e continuar vendendo tranquilamente no nosso mercado”.

Operação

A Ford Caminhões fechou 2018 como a quarta fabricante de caminhões com maior volume de vendas do País. A marca tem bastante sucesso entre os caminhões vocacionais – leia-se caminhões direcionados a operações como construção civil, coleta seletiva, distribuição de bebidas etc. Não por acaso, ano passado emplacou 9.314 unidades, representando 12,27 % do mercado.

Para não abandonar suas atividades no segmento de pesados, a empresa informa que buscou parcerias. Segundo o comunicado, a decisão de deixar o mercado de caminhões foi tomada após vários meses de busca por alternativas, que incluíram a possibilidade de parcerias e venda da operação. A manutenção do negócio teria exigido um volume expressivo de investimentos para atender às necessidades do mercado e aos crescentes custos com itens regulatórios sem, no entanto, apresentar um caminho viável para um negócio lucrativo e sustentável.

O preço do abandono

Em decorrência desse anúncio, a Ford prevê um impacto de aproximadamente US$ 460 milhões em despesas não recorrentes, ou seja, dinheiro que vai ser usado para indenizar trabalhadores, parceiros e donos de concessionárias.

Cerca de US$ 100 milhões serão relacionados à depreciação acelerada e amortização de ativos fixos. Os valores remanescentes de aproximadamente US$ 360 milhões impactarão diretamente o caixa e estão, em sua maioria, relacionados a compensações de funcionários, concessionários e fornecedores.

A maior parte dessas despesas não recorrentes será registrada em 2019 e é parte integrante dos US$ 11 bilhões em despesas, com efeito no caixa de US$ 7 bilhões, que a companhia prevê utilizar para a reestruturação dos seus negócios globais.

Clientes

Watters ainda acrescentou que a empresa atuará em conjunto com os concessionários e fornecedores, dando apoio integral aos consumidores no que se refere à garantias, peças e assistência técnica.

O Brasil perde

A Ford foi a primeira fabricante de veículos a se instalar no Brasil, em 1953, onde começou a suas atividades produzindo caminhões na antiga fábrica do bairro do Ipiranga, ainda em sistema CKD. Quatro anos depois, a Ford começou a produzir o primeiro caminhão no país, com 40% de índice de nacionalização. Tratava-se do F-600, de 6,5 t.

Acompanhe aqui na Agência Transporta Brasil os desdobramentos da saída da Ford do mercado brasileiro de caminhões.

Andrea Ramos
Editora-executiva da Agência Transporta Brasil
andrearamos@transportabrasil.com.br

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Agência Transporta Brasil – ATB

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