Brasil é o oitavo país mais perigoso para transportar carga

Se não considerarmos nações que passam por conflitos armados, país encabeça lista desenvolvida por comitê internacional

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Um comitê do setor de transporte de cargas no Reino Unido, Joint Cargo Committee, listou 57 países em que é mais arriscado transportar mercadorias e constatou que efetuar esse serviço no Brasil é tão perigoso quanto no Iraque ou na Somália, países em que há tempos passam por conflitos armados. Os dados foram divulgados neste mês de março pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Para o comitê estrangeiro, o Brasil é o oitavo país em que é mais perigoso transportar carga, porém, ao excluir nações atualmente em guerra, como Síria e Sudão do Sul, o Brasil passa a ocupar o topo da lista.

A pesquisa levou em conta os trechos da BR-116, entre Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, da SP-330, entre Uberaba e Santos, e da BR-050, entre Brasília e Santos.

“A decisão de investimento do empresário leva várias coisas em consideração, e uma delas é a segurança. O roubo de carga afeta frontalmente a decisão de investimento e compromete o futuro do nosso país”, alertou o vice-presidente da Firjan, Sergio Duarte.

De 2011 a 2016, o número de roubos de carga registrados no Brasil subiu 86%, passando de 22 mil casos por ano no levantamento realizado pela Firjan. A soma não leva em conta os casos do Acre, Amapá, Paraná e de Roraima, cujos dados não foram obtidos pela pesquisa.

Neste ano, o Brasil levou apenas 44 dias para superar o número de roubos de carga registrados em 25 países europeus, nos Estados Unidos e no Canadá. Apesar de São Paulo concentrar a maior parte dos casos, o Rio de Janeiro chama a atenção pela velocidade com que a incidência do crime vem aumentando. Em 2011, pouco mais de 25% dos casos do país ocorreram no estado do Rio, fatia que cresceu para 43,7% em 2016.

“O industrial do Rio de Janeiro tem sua carga saindo da empresa com risco de ser roubada e tem aumento de custo da sua matéria-prima. O produto dele fica mais caro e ele não vai competir com as empresas de outros estados. Nos supermercados, por volta de 20% dos preços estão sendo majorados por causa do roubo de carga.”

Como resultado da alta dos custos, já há empresas desistindo de levar suas mercadorias para o Rio de Janeiro, e empresários fechando suas unidades no estado. Além do encarecimento, o consumidor pode enfrentar falta de produtos se o problema permanecer em alta, afirma Duarte.

A Firjan lançou na semana passada um movimento nacional de combate ao roubo de cargas. “É importante as pessoas entenderem que não existe roubo se não houver quem compra o [produto do] roubo. O consumidor tem que entender que ele faz parte disso”, comenta Duarte.

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