Sem definição do programa de renovação de frota, vendas de caminhões terão nova queda em 2016

Entidade que representa o setor espera pacote de estimulo do governo até o fim de janeiro

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iveco linha de produção

O segmento de caminhões puxou a queda do setor automotivo em 2015, com redução de 47,6% nas vendas, para apenas 71,7 mil unidades. O tombo não será seguido por recuperação este ano se a expectativa da Fenabrave se cumprir. A entidade dos distribuidores de veículos projeta que os negócios tenham novo desaquecimento, ainda que mais sutil, de 2,7% na comparação com o resultado de 2015, para 69,8 mil caminhões.

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“A redução será menor porque as vendas de pesados podem acabar subindo mesmo com a expectativa de queda no PIB”, comenta Tereza Maria Dias, da MB Associados, consultoria econômica da Fenabrave. Segundo ela, o setor agrícola caminha razoavelmente bem mesmo com a piora do cenário econômico. A especialista aponta que a tendência é de leve aumento da safra de grãos, o que pode puxar a demanda por caminhões pesados e extrapesados.

Outro fator positivo é a renovação obrigatória da frota em alguns segmentos, como o de combustíveis, que exige idade máxima de cinco anos para os veículos. Com isso, pode haver um leve movimento de compra em 2016. “Por outro lado, o setor da construção continua retraído, com o corte de 500 mil empregos em 2015. A área de infraestrutura também permanece em queda com o aperto fiscal do governo”, pondera.

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Ao longo de 2016, o setor de veículos comerciais terá de administrar ainda o fim do Finame PSI, financiamento subsidiado pelo governo federal que impulsionou as vendas dos últimos anos. Volta a funcionar o Finame indexado pela TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) que, segundo a Fenabrave, deve variar entre 15% ao ano e 17% a.a. ao longo de 2015. Alarico Assumpção Jr., presidente da organização, avalia que a mudança não será problema maior do que o cenário econômico. “As coisas vão se encaixando e o setor vai se adaptar”, acredita.

Considerando também o segmento de ônibus, as vendas devem chegar a 89,5 mil veículos em 2016. A entrega de chassis tende a alcançar 19,6 mil unidades, com redução de 3,2% sobre o resultado deste ano.

PROGRAMA DE RENOVAÇÃO DE FROTA SAI EM JANEIRO

A Fenabrave sustenta a expectativa de que um programa de renovação de frota seja anunciado em breve, até o fim de janeiro. A iniciativa traria alento para o setor, que poderia vender de 10 mil a 12 mil caminhões a mais em 2016. No médio e longo prazo, o setor projeta que um programa do gênero seria capaz de impulsionar emplacamentos de 30 mil caminhões por ano.

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A medida é negociada pela Fenabrave e por outras 18 unidades com o governo federal desde 2013. “Diante da situação atual, não esperamos qualquer subsídio”, aponta Assumpção. Ele é cuidadoso ao falar do programa, adiantando apenas que ele deve funcionar inicialmente para caminhões com mais de 30 anos e para automóveis com idade superior a 15 anos. No total, a expectativa é de que o programa possa estimular vendas de 500 mil unidades por ano, entre leves e pesados.

A ideia é que estes veículos possam ser recomprados pela rede de concessionárias, ou revendedoras independentes, que pagarão ao proprietário com uma carta de crédito para que ele adquira um veículo mais novo. “A ideia é tirar os carros antigos de circulação. Eles não serão revendidos, mas desmontados e reciclados”, esclarecem Assumpção.

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