Financiamentos de pesados estão comprometidos com o fim do Finame PSI

Financiamentos de pesados estão comprometidos com o fim do Finame PSI

Vendas de caminhões são as mais desanimadoras desde 1999

Volkswagen lidera mercado brasileiro de caminhões em 2022
Brasil produziu mais de 190 mil caminhões em 2013
Produção de caminhões no Brasil chega a quase 30 mil unidades entre janeiro e maio

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Se a produção de caminhões nas montadoras é um termômetro do mercado de transportes em geral, então pode-se dizer que as temperaturas estão baixíssimas. “O setor de veículos pesados continua passando por uma situação dramática. Falta confiança para o financiamento”, lamenta Luiz Carlos de Moraes, vice-presidente da Anfavea, ao comentar o desempenho do segmento durante a apresentação dos resultados na sexta-feira (6), em São Paulo.

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O volume de caminhões licenciados no acumulado entre janeiro e outubro ficou na casa das 61 300 unidades, descendo ao menor nível desde 1999, quando o mercado consumiu 50 700 unidades novas.  “Isso reflete bastante o estado de espírito da economia brasileira”, completou Luiz Moan, presidente da entidade, ao lembrar que o segmento do transporte de cargas está fortemente ligado à evolução do PIB, que é a soma das riquezas produzidas no País. “Só para dar ideia do tamanho da retração deste mercado, em 2011 apuramos vendas recordes de 170 000 caminhões. Neste ano, nossa previsão é de um volume de 70 000, são 100 mil caminhões a menos em apenas quatro anos de diferença.”

Segundo Moraes, o resultado de outubro, quando os emplacamentos declinaram 52,5% sobre igual mês de 2014, para 5 770 mil unidades, também foi prejudicado pela interrupção do PSI, cujos recursos foram cortados pelo governo em 23 de outubro. Além disso, o setor que semanas antes havia recebido autorização do BNDES para contrair financiamentos via PSI no modo simplificado até 31 de dezembro teve todas as operações bloqueadas até 27 de outubro.

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Se o ritmo lento da economia ao longo deste ano fez com que a Anfavea projetasse queda contundente de 45,5% para o segmento de pesados neste ano contra 2014, com 90 000 caminhões e ônibus, conforme sua última previsão, o fim dos financiamentos via PSI – que ainda apresentavam taxa de juros mais atrativas do que outras modalidades – deve aprofundar ainda mais a crise do segmento.

“Esta foi uma decisão bastante difícil para o setor e traz uma expectativa negativa para os dois últimos meses do ano. O que posso dizer é que o mercado está parado neste momento e isso traz consequências e impactos importantes não só nos volumes de venda, mas na produção”, comenta Moraes.

Na contramão do mercado doméstico – o que tem servido de pequeno alívio para as montadoras –, as exportações cresceram 13,8% no acumulado dos meses completos do ano, para 17 400 unidades.

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No entanto, as vendas ao exterior não são suficientes para manter um ritmo saudável nas linhas de produção: as montadoras fabricaram 46,6% menos caminhões este ano até outubro na comparação com mesmo período de 2014. Foram 66,1 mil unidades contra as 124,4 mil montadas há um ano, o pior volume de produção desde 2009, quando a indústria entregou 95 mil caminhões.

Extrapesados estão sendo produzidos na fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG)

Extrapesados estão sendo produzidos na fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG)

ÔNIBUS

O segmento de chassis de ônibus acompanha o tombo dos caminhões: de janeiro a outubro, os emplacamentos não passaram de 14 600 unidades, 36% de queda na comparação anual.

Ainda no acumulado, as exportações somaram 5 850 unidades, alta de 7%, impulsionadas pelo segmento de ônibus rodoviários, cujas vendas para outros países subiram 26% no período, para 2 89, enquanto as de ônibus urbanos caiu 6,8% ao totalizar 2 960 chassis.

Com quase 20 000 ônibus produzidos até outubro deste ano, a indústria brasileira soma queda de 35%.

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