Financiamentos de pesados estão comprometidos com o fim do Finame PSI

Financiamentos de pesados estão comprometidos com o fim do Finame PSI

Vendas de caminhões são as mais desanimadoras desde 1999

Licenciamento de caminhões no Brasil sobe mais de 60% em março
2018 foi o ano dos pesados
Fabricantes de veículos acreditam na retomada do crescimento em 2015

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Se a produção de caminhões nas montadoras é um termômetro do mercado de transportes em geral, então pode-se dizer que as temperaturas estão baixíssimas. “O setor de veículos pesados continua passando por uma situação dramática. Falta confiança para o financiamento”, lamenta Luiz Carlos de Moraes, vice-presidente da Anfavea, ao comentar o desempenho do segmento durante a apresentação dos resultados na sexta-feira (6), em São Paulo.

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O volume de caminhões licenciados no acumulado entre janeiro e outubro ficou na casa das 61 300 unidades, descendo ao menor nível desde 1999, quando o mercado consumiu 50 700 unidades novas.  “Isso reflete bastante o estado de espírito da economia brasileira”, completou Luiz Moan, presidente da entidade, ao lembrar que o segmento do transporte de cargas está fortemente ligado à evolução do PIB, que é a soma das riquezas produzidas no País. “Só para dar ideia do tamanho da retração deste mercado, em 2011 apuramos vendas recordes de 170 000 caminhões. Neste ano, nossa previsão é de um volume de 70 000, são 100 mil caminhões a menos em apenas quatro anos de diferença.”

Segundo Moraes, o resultado de outubro, quando os emplacamentos declinaram 52,5% sobre igual mês de 2014, para 5 770 mil unidades, também foi prejudicado pela interrupção do PSI, cujos recursos foram cortados pelo governo em 23 de outubro. Além disso, o setor que semanas antes havia recebido autorização do BNDES para contrair financiamentos via PSI no modo simplificado até 31 de dezembro teve todas as operações bloqueadas até 27 de outubro.

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Se o ritmo lento da economia ao longo deste ano fez com que a Anfavea projetasse queda contundente de 45,5% para o segmento de pesados neste ano contra 2014, com 90 000 caminhões e ônibus, conforme sua última previsão, o fim dos financiamentos via PSI – que ainda apresentavam taxa de juros mais atrativas do que outras modalidades – deve aprofundar ainda mais a crise do segmento.

“Esta foi uma decisão bastante difícil para o setor e traz uma expectativa negativa para os dois últimos meses do ano. O que posso dizer é que o mercado está parado neste momento e isso traz consequências e impactos importantes não só nos volumes de venda, mas na produção”, comenta Moraes.

Na contramão do mercado doméstico – o que tem servido de pequeno alívio para as montadoras –, as exportações cresceram 13,8% no acumulado dos meses completos do ano, para 17 400 unidades.

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No entanto, as vendas ao exterior não são suficientes para manter um ritmo saudável nas linhas de produção: as montadoras fabricaram 46,6% menos caminhões este ano até outubro na comparação com mesmo período de 2014. Foram 66,1 mil unidades contra as 124,4 mil montadas há um ano, o pior volume de produção desde 2009, quando a indústria entregou 95 mil caminhões.

Extrapesados estão sendo produzidos na fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG)

Extrapesados estão sendo produzidos na fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG)

ÔNIBUS

O segmento de chassis de ônibus acompanha o tombo dos caminhões: de janeiro a outubro, os emplacamentos não passaram de 14 600 unidades, 36% de queda na comparação anual.

Ainda no acumulado, as exportações somaram 5 850 unidades, alta de 7%, impulsionadas pelo segmento de ônibus rodoviários, cujas vendas para outros países subiram 26% no período, para 2 89, enquanto as de ônibus urbanos caiu 6,8% ao totalizar 2 960 chassis.

Com quase 20 000 ônibus produzidos até outubro deste ano, a indústria brasileira soma queda de 35%.

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