Paralisação da hidrovia Tiête-Paraná pode gerar US$ 37 milhões de prejuízo

Hidrovia está paralisada desde maio e calcula-se uma perda de US$ 37 milhões em gastos para escoamento da produção caso a situação continue até novembro

Governo autoriza início das obras para o novo aeroporto em Vitória da Conquista (BA)
Impostos brasileiros sobem mais de 3% em 10 anos
Movimentação nos portos e terminais aumenta 4,6% no 1º trimestre

estiagem-seca-hidrovia tiête paraná

A navegação pela hidrovia Tiête-Paraná está suspensa desde 30 de maio, quando o calado na via atingiu um metro. A baixa profundidade do rio aconteceu pela falta de chuvas que abrange o Estado de São Paulo e a crise do setor energético. O Movimento Pró-Logística prevê que o prejuízo no escoamento da soja mato grossense alcançará US$ 37 milhões em novembro, caso a interrupção continue.

“Os custos com logística aumentam de 10% a 12% com o uso de caminhões até o Porto de Santos. Estimamos um impacto de US$ 15 por tonelada para 2,5 milhões de toneladas prejudicadas até o mês de retorno que nos foi previsto”, afirmou o diretor executivo do Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira.

Em nota, o Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo (DH) afirmou que a navegação na hidrovia Tiête-Paraná está restrita desde fevereiro, por causa do desvio de água para a produção de energia.

“O DH mantém entendimentos com o Operador Nacional do Sistema Elétrico [ONS], Agência Nacional de Águas [ANA] e Daee [Departamento de Águas e Energia Elétrica] com objetivo de encontrar uma solução para que a navegação seja restabelecida o mais urgente possível. Caso isso não aconteça, a soja terá que ser transportada pela rodovia, por caminhões”, conta a nota.

O Movimento Pró-Logística possui uma ação conjunta com o Ministério dos Transportes para tentar solucionar a situação da Tiête-Paraná.

“O ministério [dos Transportes] ainda não nos deu nenhuma perspectiva de solução. Nossa maior preocupação não é o valor acrescido no frete, mas o conflito desnecessário gerado entre os setores, visto que ainda pretendemos fazer mais hidrovias e precisaremos de ações conjuntas”, enfatiza Ferreira.

De acordo com o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, em sua história, o setor elétrico forneceu parcelas dos reservatórios para outros fins além do elétrico, como captação de água para irrigação, navegação e meio ambiente.

“A partir do momento em que se trabalha com escassez hídrica, cria-se um problema para estes outros setores e eles precisam resolver seus problemas sem que o consumidor final [de energia] saia prejudicado”, explica Chipp.

Baixa no nível da hidrovia

O calado (distância entre a quilha do navio e a linha de flutuação da água) mínimo determinado pela Marinha para a navegação é de 2,20 metros. Com distância inferior a esta, as operações náuticas ficam prejudicadas

Em 9 de maio, o calado da Tiête-Paraná passou para dois metros com ondas de vazão (operação em que se turbina a produção de energia em Nova Avanhandava para aumentar o nível do rio e ajudar no transporte da embarcação pela eclusa). Isto diminuiu de 21 para sete, o número de comboios que passavam pelo ponto crítico da hidrovia, localizado entre a usina de Três Irmãos e Nova Avanhandava.

Em 16 de maio, a Marinha baixou o calado para 1,70 metros com ondas de vazão. Mas somente no dia 30 de maio, quanto o calado atingiu um metro sem ondas de vazão, que a navegação foi completamente suspensa na hidrovia.

Atualmente o calado da Tiête-Paraná determinado pela Marinha é de 0,4 metros.

Com informações do DCI

COMMENTS