Paralisação dos caminhoneiros ameaça cadeia agroalimentar de SC

Paralisação dos caminhoneiros ameaça cadeia agroalimentar de SC

Indústria de alimentos Aurora já prevê escassez e encarecimento de produtos região do grande oeste do Estado; produtores chegam a perder R$ 8 milhões por dia

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De acordo com o presidente da Coopercentral Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, os alimentos na região do grande oeste de Santa Catarina vão escassear ou encarecer por conta da greve dos caminhoneiros.

A manifestação dos transportadores locais paralisou três unidades industriais no dia 1/7, e ameaça levar ao fechamento mais sete plantas nesta quarta-feira (3/7). Em nota, a diretoria da Aurora afirmou que não recrimina o movimento, mas reclama da falta de coordenação e da ausência de interlocutores, uma vez que os prejuízos já passam de R$ 8 milhões ao dia.

Lanznaster, o vice-presidente Neivor Canton e o diretor de agropecuária Marcos Antônio Zordan também informaram que a Aurora é a principal agroindústria brasileira prejudicada, “em razão do movimento se concentrar na região onde a cooperativa central mantém suas principais plantas industriais”.

Em consequência dos bloqueios erguidos em rodovias pelo movimento dos caminhoneiros, o fornecimento de rações nas propriedades rurais foi obstruído.

Produção ameaçada

Segundo a Aurora, sua base produtiva é formada por 25 milhões de aves e 950 mil suínos alojados em mais de 15 mil estabelecimentos, pertencentes a 4.050 criadores de suínos, 2.600 criadores de aves e 8.500 produtores de leite. Esse plantel necessita diariamente de 3.500 toneladas de rações para nutrição animal, e o alimento que não está mais chegando ao campo. A falta de nutrientes pode provocar canibalismo e alta mortalidade, especialmente entre aves.

Além disso, também não está chegando aos avicultores os 800 mil pintinhos por dia para reposição dos criatórios de aves.

O fornecimento de aves e de suínos aos frigoríficos e o fornecimento de leite in natura na indústria de lácteos de Pinhalzinho está obstruído. Por isso, estão paralisadas a unidade industrial de suínos de São Miguel do Oeste (abate de 1.900 animais por dia) e a unidade industrial de aves de Maravilha (abate de 145.000 frangos diariamente). Da mesma forma, parou a unidade industrial de rações de Cunha Porã.

Em razão dessa situação, foram temporariamente dispensados até agora mais de 2.500 trabalhadores.

De acordo com a direção da Aurora, estão ameaçadas de parar nas próximas 24 horas as unidades de Pinhalzinho (lácteos), Chapecó (suínos, três unidades), Xaxim (aves), Guatambu (aves) e Quilombo (aves).

Os grevistas não permitem a circulação de aves, pintinhos, suínos, leitões, leite in natura e outros insumos. Por isso, as indústrias não recebem aves e suínos adultos para abate, enquanto os produtores rurais permanecem com a produção estagnada.

Esse quadro é potencialmente gerador de prejuízos. Os produtores têm capacidade de armazenar na propriedade apenas dois dias de produção de leite. Depôs disso, terão de suspender a ordenha ou jogar leite fora. O prejuízo também atingirá os criadores de aves e suínos que deixarão ou já deixaram de receber da Aurora a alimentação para seus plantéis.

“Haverá uma descompensação geral da cadeia produtiva”, prevê o diretor de agropecuária Marcos Zordan.

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