Lei do motorista pode atrasar escoamento da safra, afirmam produtores

Lei do motorista pode atrasar escoamento da safra, afirmam produtores

Para associações, nova regulamentação vai reduzir em 30% a capacidade operacional do setor e aumentar em 70% o valor do frete no auge da safra

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Se a cadeia produtiva da soja tivesse que escolher um único desejo a ser realizado em 2013, este seria um novo adiamento da aplicação da Lei do Motorista. A fiscalização da polêmica Lei 12.619/2012, que disciplina o trabalho dos motoristas profissionais, já começou a autuar transportadores de condutores no País após determinação do Ministério Público do Trabalho divulgada no fim do ano passado.

Embora reconheçam que as novas regras prezam pela segurança nas estradas, as entidades do setor avaliam que a determinação de jornada máxima para a categoria e períodos de descanso em intervalos menores dificultará o escoamento da oleaginosa, já naturalmente complicado durante o período de entrada da safra. O Brasil deve colher um recorde de 82,6 milhões de toneladas em 2012/13, 24% mais do que na temporada anterior.

Caso esse volume, que a Companhia Nacional de Abastecimento estimou em dezembro, seja alcançado, o País se tornará o maior produtor mundial de soja. Uma conquista importante depois que quebras de produção, primeiro na América do Sul e depois nos Estados Unidos, encolheram os estoques globais e impulsionaram os preços internacionais da commodity para máximas históricas. Os gargalos logísticos podem restringir o potencial brasileiro de exportação. Ainda assim, a Conab projeta os embarques do produto para o exterior em 36,4 milhões de toneladas em 2012/13, 12% maiores na comparação anual.

Apesar da intenção do governo federal de diminuir a dependência do transporte rodoviário, os investimentos em ferrovias e portos não devem ser percebidos no atual ciclo. “Estaremos muito pressionados, não só pelas dificuldades que vinham se acumulando, mas por causa dos entraves dessa Lei dos Caminhoneiros”, afirma Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag). Segundo ele, se for aplicada da forma que está, reduzirá em 30% a capacidade de transporte. “Hoje já temos escassez de 50 mil motoristas. E, só para atender ao incremento da produção agrícola deste ano, precisaremos de mais 20 mil veículos novos”, observa.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Carlos Fávaro, que também preside o Movimento Pró-Logística, diz que as limitações logísticas reduzirão a competitividade do agricultor brasileiro. “Ele vai perder esse bom momento, vai pagar mais caro pelo transporte e vai ficar esperando em fila nos portos”, comenta. Para minimizar os problemas no curto prazo, Fávaro recomenda a implementação gradual da Lei dos Caminhoneiros. “Seria de bom senso e evitaria um colapso na logística brasileira”, acrescenta Fávaro.

André Debastiani, analista da Agroconsult, sugere também investir em armazenagem para que o escoamento não se concentre no auge da safra. Ele lembra que o produtor teve boa rentabilidade nas últimas cinco temporadas e depende menos de tradings para financiar a sua produção. “Ele tem a possibilidade de segurar a soja um pouco mais e tentar uma estratégia diferente de comercialização”, explica.

Mas Edeon Vaz, diretor-executivo do Movimento Pró-Logística, pondera que nem sempre isso é possível. “Não se exporta só porque não se tem armazém, mas porque a demanda está aquecida naquela época”, explica, referindo-se ao fato de que a produção brasileira é ofertada no período de entressafra do hemisfério Norte.

Frete 70% mais caro

Os entraves logísticos para o escoamento da produção recorde de soja devem encarecer o frete em até 70% no pico da safra 2012/13, calcula a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove). “Quem vai pagar a conta é a população na hora em que comprar os produtos no mercado interno. E também o produtor, que vai receber menos quando exportar”, afirma Fábio Trigueirinho, secretário-geral da entidade.

Segundo o presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa, José Aroldo Gallassini, o frete rodoviário é o principal desembolso dos cooperados. “É o transporte mais caro que temos, e chegamos a ter de 1,5 mil a dois mil caminhões por dia na estrada no auge da safra.”

 

Com informações do Jornal do Comércio

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