Valor do frete ferroviário é maior do que o adequado no Paraná

Levantamento aponta que o valor praticado é 70% superior ao que poderia ser cobrado, o que acarreta em uma perda de competitividade do modal

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O valor do frete ferroviário praticado atualmente no estado do Paraná é superior ao custo real necessário para cobrir os gastos e manter a competitividade do modal, segundo dados do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (ESALQ-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.

Os pesquisadores desenvolveram um simulador para fretes com o objetivo de avaliar como se comportavam as tarifas de fretes ferroviários e rodoviários no estado. “Constatamos que o valor do frete ferroviário é 70% maior do que o custo estimado pelo simulador”, aponta a economista Priscilla Biancarelli Nunes, coordenadora do grupo.

“Os resultados obtidos sinalizam para a necessidade da elaboração de políticas públicas para aproximar o custo do frete ferroviário da tarifa praticada. Atualmente esta tarifa está muito acima do custo referencial. Estando alto, diminui a competitividade do produto brasileiro no mercado externo e interno”, ressalta.

Os pesquisadores realizaram visitas de campo e aplicaram questionários a fim de saber como o setor lidava com os fretes rodoviários e ferroviários com o objetivo de entender o que o mercado pratica. Foram seis os produtos analisados: açúcar, soja, milho, farelo de soja, etanol, fertilizantes, em cerca de 200 rotas localizadas no estado paranaense.

O simulador foi baseado numa metodologia que levou em conta os insumos necessários para a realização do serviço de transporte ferroviário, como o combustível, os custos com manutenção e operação de locomotivas e vagões, além dos custos administrativos, como mão-de-obra e operacionais.

“O modelo atual de concessão das ferrovias permite que as empresas exerçam poder de monopólio e pratiquem a tarifa que quiserem, dentro da tarifa teto estipulada pela Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT). Verificamos que o preço praticado nos fretes ferroviários representa 79% do teto tarifário vigente. Em um mercado de livre concorrência, o preço praticado de mercado muitas vezes aproxima-se do custo de transporte. O simulador vem mostrar de quanto deveria ser o custo de transporte”, aponta.

Da composição do custo ferroviário estimado pelo simulador, 60% é financeiro. “Envolve despesas com arrendamento e concessões, custo de capital e depreciação de investimentos”, explica.

Priscilla lembra que, atualmente, os produtores precisam utilizar o transporte multimodal, ou seja, rodoviário e ferroviário, para transportar seus produtos. “O multimodal é 12% mais caro que o rodoviário apenas, nas rotas analisadas. O Porto de Paranaguá, no Paraná, apresenta gargalos na recepção e distribuição de produtos nos terminais. Se receber os produtos somente por rodovia, o Porto não tem capacidade para atender a demanda. Por isso, os produtores necessitam utilizar o transporte ferroviário para os produtos”, informa.

“Os embarcadores ficam de mãos atadas, sem alternativas para aumentar a competitividade. Se o preço ferroviário fosse menor, seria mais rentável”, aponta a economista. Priscilla lembra que os produtores são tomadores de preço, ou seja, o preço dos produtos é estabelecido pelo mercado, segundo as Bolsas de Valores internacionais.

De acordo com a pesquisadora, vários estudos mostram as vantagens do frete ferroviário quando comparado ao rodoviário e que ele seria mais barato, além de ser menos poluente. “Na prática, não é isso que ocorre. Muitas vezes o valor do frete ferroviário chega a ser superior ao rodoviário”, destaca.

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