Latam quer expandir transporte de carga no Brasil

Presidente do grupo latino-americano demonstrou interesse na ampliação das atividades no setor, mas a crise e o endividamento da empresa brasileira prejudicam novas investidas

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O diretor-presidente do Latam Airlines Group SA, fusão entre a brasileira TAM S.A. e a chilena LAN Airlines S.A., Enrique Cueto, afirmou que pretende ampliar as atividades de transporte de carga da TAM nos aeroportos nacionais.

A empresa está otimista com sua incursão no mercado brasileiro, mas admite que não está imune à crise da dívida da zona do euro, com o setor de carga sendo mais atingido que o de tráfego de passageiros.

Depois da fusão, a empresa ainda não divulgou resultados trimestrais, mas os executivos da Latam contabilizam que o tráfego doméstico brasileiro representa 27% do faturamento da companhia, enquanto que a carga responde por 17%.

A receita da LAN com o transporte de cargas cresceu apenas 6% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, comparado com um ganho de 30% registrado no mesmo trimestre de 2011 em relação ao de 2010. O menor crescimento se deve à queda nas exportações europeias para a América do Sul.

Para dar mais impulso ao setor, Cueto disse que pretende usar a experiência da LAN nesse segmento para reforçar o transporte de cargas no Brasil.

“A TAM voa para 50 aeroportos nacionais, de modo que podemos colocar mais carga nos aviões e passar para aviões maiores, se o volume de carga aumentar, ou menores, se diminuir”, disse Cueto, ressaltando sua paixão pelo setor de carga, onde começou sua carreira.

A TAM divulgou lucro líquido de R$ 101 milhões no primeiro trimestre, 22% menos que o mesmo trimestre do ano passado. A companhia aérea brasileira teve prejuízo de R$ 335,1 milhões em 2011, comparado com um lucro de R$ 637,4 milhões em 2010.

“A TAM é uma empresa com vários problemas, como prejuízos e alto endividamento; portanto não será fácil fazer mudanças”, disse Cristian Jadue, analista do Santander GBM em Santiago no Chile. A TAM divulgou, no fim de março, uma dívida líquida total de cerca de US$ 4 bilhões.

A desaceleração econômica do Brasil, juntamente com um excesso de oferta no mercado aéreo doméstico, também pode retardar uma reviravolta na TAM, dizem analistas.

“O Brasil não está na sua melhor fase, e seu tráfego aéreo vai sentir as repercussões da desaceleração econômica”, disse Pablo Álvarez, analista do Banco Penta, do Chile.

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