Greve dos caminhoneiros tem pouca adesão no País

Greve dos caminhoneiros tem pouca adesão no País

Manifestação dos caminhoneiros autônomos teve início à zero hora de hoje com focos isolados de mobilização. Movimento organizador admite que apenas o transporte de longa distância se demonstrou favorável, mas que outros segmentos operam normalmente

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Pátio do Ceagesp, em São Paulo, local onde existe uma das maiores concentrações de caminhões na capital paulista: movimento normal e sem ocorrências por causa da greve

A manifestação nacional dos caminhoneiros autônomos, organizada pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro, que prometia a desmobilização do setor de cargas no País com a paralisação dos quase 600 mil transportadores autônomos, começou o dia com baixa adesão da categoria e não afetou as atividades e o fluxo nas estradas.

O Setcergs (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul) afirmou que orienta as empresas associadas a não liberar os caminhões para viagens caso aconteçam protestos, pois, nesse caso, os veículos e as cargas perdem a cobertura do seguro, mas informou que as operações fluem normalmente.

A precaução com atos de vandalismo foi um dos motivos que levaram alguns transportadores reduzirem a frota em atividade hoje, como no caso do transporte de frigorificados no Mato Grosso, mesmo que o Estado não tenha aderido à paralisação. No meio da noite desta terça-feira (24/05), a Justiça Federal concedeu liminar a um pedido de proibição de bloqueios em rodovias federais no Rio Grande do Sul, destinada especificamente ao MUBC. Caso haja interdições nas estradas por causa da greve, a entidade será multada em R$ 50 mil por hora de paralisação.

No Porto de Paranaguá, caminhoneiros realizaram protestos, mas não interromperam as atividades, como era programado. Em São Paulo não há relatos de adesão até o momento.

O presidente do MUBC, Nélio Botelho, afirmou que o esforço do movimento está voltado para a dispersão de atos de violência ou tumulto e acredita que a paralisação ocorre com sucesso. Botelho admite que os profissionais que fazem o transporte de curta distância e a distribuição urbana de carga não aderiram à paralisação, mas recebeu apoio dos caminhoneiros que realizam viagens de longa distância.

Em comunicado no site oficial do MUBC (www.uniaobrasilcaminhoneiro.org.br), Nélio Botelho acusa as entidades que se demonstraram contrárias à paralisação, como a UNICAM (União Nacional dos Caminhoneiros), a Fecam (Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e a CNTTT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Transporte Terrestre), de estarem defendendo interesses pessoais, uma vez que recebem, segundo ele, comissões das operadoras de cartão de crédito que operam o cartão-frete. “Se não apoiam é porque nunca fizeram nada pela categoria”, comenta Botelho.

De acordo com representantes destas entidades, Nélio Botelho não participou de nenhuma das 11 audiências públicas realizadas com o Senador Paulo Paim, autor do projeto de lei 271, que institui o estatuto do motorista, onde consta a medida que prevê a carga horária dos profissionais e os períodos de descanso, que é um dos pontos contestados pelo movimento.

Segundo informações, Botelho teria ainda assinado, por duas vezes, um documento de apoio para o fim da carta-frete, demonstrando adesão à causa em nome das duas entidades em que é presidente: o MUBC e o Sindicam-RJ-ES (Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Bens Dos Estado do Rio de Janeiro e Espírito Santo). Um dos pontos defendidos na manifestação propagada pelo MUBC é, justamente, a revogação da medida da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) que acaba com essa forma de pagamento e institui o novo sistema.

A convocação para a greve seguiu mesmo após a ANTT divulgar publicamente que pretende debater as medidas que envolvem as reivindicações da paralisação, em um Fórum que está programado para agosto. Botelho afirma que a Agência não realizou contato oficial com o MUBC.

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