Produção de caminhões no primeiro trimestre de 2012 cai 32,5%

Produção de caminhões no primeiro trimestre de 2012 cai 32,5%

Desaceleração foi necessária para diminuir estoques e fomentar as vendas dos modelos Euro 5. Montadoras querem reduzir os juros de financiamentos para que preços dos caminhões novos fiquem equivalentes aos dos Euro 3 no final do financiamento

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O desempenho da produção das montadoras de caminhões, que começou o ano com quedas de 75% em janeiro e que melhorou em fevereiro com queda de 28,8%, voltou a piorar com os dados do mês de março. De acordo com os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), saíram 32,5% menos veículos das linhas de montagem nos primeiros três meses de 2012 quando comparados com 2011.

As nove companhias que mantêm produção em território nacional fecharam o primeiro trimestre com 31.316 unidades fabricadas, ante 46.397 do ano passado. A explicação vem de um segundo ciclo de férias coletivas que as empresas deram a seus funcionários no mês passado. Entre essas empresas, Mercedes-Benz e Ford.

Mesmo com a redução verificada na produção as vendas estão melhores, sintoma de que as companhias estão em um processo de desestocagem das redes de concessionárias. No consolidado do primeiro trimestre do ano, o licenciamento de caminhões foi menor do que no mesmo período do ano passado, porém, enquanto a produção recuou 32,5% as vendas caíram apenas 6,3%. De acordo com fonte do mercado ouvida pelo Portal Transporta Brasil o nivel de estoques estava 20% mais elevado na virada de 2011 para 2012, isso para abastecer o mercado com o Euro 3, cerca de 15% mais barato que o Euro 5, que passou a ser fabricado no País. Porém, a expectativa era de que as vendas de caminhões com a nova tecnologia começassem a deslanchar.

“Nos três primeiros meses as vendas de Euro 5 de todo o mercado não passaram de 1 mil unidades. Isso porque havia dúvidas sobre a real disponibilidade do combustível e, logicamente, o preço mais elevado do caminhão, mas ao passo que os estoques recuam e a desconfiança sobre o abastecimento são minimizadas, as vendas deverão começar a se elevar em abril”, disse um executivo que é diretor de vendas de uma grande montadora.

Desconsiderando as exportações, todos os segmentos de caminhões tiveram queda significativa. A produção de semileves recuou 58,9%, a de leves 48,4% e a de médios em 55,1%. O segmento de pesados e semipesados tiveram recuos mais suaves, 26,8% e 18,4%, respectivamente, o que aliviou o indicador médio de produção no Brasil. Já as vendas caíram 7,3% em semileves, 5,6% para a categoria dos leves, subiram no segmento de médios em 3,6%, queda de 7,7% para os semipesados e de 6,6% na categoria pesados.

Apesar dessa queda, a perspectiva das montadoras pode ser revertida em breve. De acordo com o presidente da MAN, Roberto Cortes, as empresas vêm negociando com o governo um acordo para oferecer melhores condições de financiamento de caminhões Euro 5 para que no final possam custar o mesmo que os Euro 3 do ano passado, quando o setor vivenciou recordes de vendas consecutivos.

“Conversamos com o governo há seis ou sete meses, quando foi anunciado que o setor automotivo teria um regime especial”, disse Cortes. “Agora, espero que como medidas a incentivo a vendas, ocorra a quedade juros para que possamos chegar ao nível do ano passado. Se não houver esse recuo, acredito que 2012 será um ano de queda de 10% a 15% nas vendas”, disse ele.

No total, foram comercializados no mercado interno de janeiro a março pelas montadoras associadas à Anfavea 36.905 unidades contra 39.390 no ano passado. Como a entidade não divulga a produção, mas apenas as vendas de cada empresa, não é possível saber realmente quais companhias contribuíram para a queda de produção. Mas em termos de vendas a MAN continua na liderança com 11.232 unidades no trimestre. A Mercedes-Benz segue na vice-liderança com 9.920, bem mais atrás está a Ford com 6.278 veiculos, a Volvo com 3.702 unidades, a Iveco está em quinto lugar e já segue de perto a quarta colocada com 3.106 veículos. A Scania segue em sexto lugar com 2.367 caminhões novos nas ruas.

Ônibus e automóveis

Na categoria transporte de passageiros (incluindo chassis), as vendas seguem em alta. No acumulado do primeiro trimestre subiram 6% com 8.449 unidades contra 7.974 no mesmo período do ano passado.

No mercado de automóveis e de comerciais leves a tendência de queda nas vendas começa a ser revertido. No consolidado do primeiro trimestre foram licenciados 736.879 unidades contra as 741.054 do mesmo período do ano passado, leve recuo de 0,5%. Apesar disso, a produção brasileira das empresas associadas à entidade ainda está no vermelho, somou de janeiro a março deste ano 738.106 unidades, queda de 10,9% em 2012 ante o ano passado.

Dentre as quatro mais tradicionais empresas mantiveram a posição de mercado no trimestre com a Fiat em primeiro e vendas de 173.529 unidades. A subsidiária brasileira da Volkswagen vem logo em seguida com 160.830 carros comercializados,a norte-americana GM com 136.771 veículos e em quarto a Ford, 72.619 unidades novas colocadas no mercado.

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