Economia instável = fator de risco positivo?

Em tempos de crise, como deve se comportar a segurança empresarial? Confira a visão do especialista Teanes Carlos Santos Silva, neste novo artigo para o Portal Transporta Brasil

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O Brasil foi afetado pela crise mundial, haja vista que a taxa de crescimento foi revista para baixo e as projeções para 2012 também foram reavaliados. Ainda assim, existe espaço para a corrupção. Aliás, a palavra corrupção é muito comum nos dias atuais.

Estamos realmente preparados para a desaceleração longa da economia? Entendo que pode ser uma crise longa, porque nem os países ricos sabem o exato tamanho do problema e suas causas.

Caso a ocorra a desaceleração, pode aumentar a violência urbana, furtos internos e a corrupção?

No caso da corrupção, percebem-se tímidas ações, contudo é um longo caminho, necessitando de posicionamento ético e atuações sérias, a exemplo de outros países e movimentos internos – ficha limpa.

Diante de tanta incerteza a segurança empresarial precisa analisar o contexto da sua empresa e auxiliar a alta administração na mitigação dos riscos resultantes de variáveis incontroláveis, porém influenciáveis.

A avaliação do cenário deve ocorrer conjuntamente com outras áreas, formadoras de perspectivas e metas.

Normalmente em momentos de crise ocorrem demissões e cortes de gastos e despesas. Reduzir pedidos e demitir funcionários não reduz a área a ser fiscalizada pela segurança patrimonial.

Muitas vezes o administrador determina a redução do efetivo de vigilância patrimonial, por associar ao número de empregados; porém, na análise outros fatores são levados em conta.

Obviamente que o gestor de segurança precisa dos indicadores para contrapor e justificar a permanência do efetivo de segurança.
Vejamos; se em momentos de crise, pode ocorrer aumento da violência e furtos internos, na contrapartida existirá a demanda por mais controles e consequentemente de vigilantes, não fazendo sentido a redução.

A tarefa não é fácil. Todas as áreas querem manter as pessoas. Estaremos abrindo mão de pessoas treinadas… e depois?

Algumas empresas reduzem o quadro e quando a crise passa e a produção volta à normalidade, as contratações nem sempre ocorrem.

Portanto, como mitigar os riscos com o efetivo reduzido? Quem é o responsável ou será responsabilizado?

Nessas ocasiões é necessária muita criatividade e inovação do gestor de segurança. Claro que os resultados devem ser medidos para constatar os efeitos.

Não realizar alguns controles passa a ser uma opção, em função da pouca mão de obra disponível.

Dessa forma é crucial  rever o mapeamento de riscos para indicar quais controles são indispensáveis, no presente e futuro. Falo em futuro, porque as decisões podem ser boas agora, mas péssimas lá na frente, onde, por falta deles, impere a ocorrência de perdas.

As pessoas mau intencionadas são antenadas. Sabem quando a segurança patrimonial está fragilizada.

O uso da inteligência e contra-inteligência é fator crítico de sucesso nessas crises. Deve-se envolver as boas pessoas, a ponto delas serem nossas colaboradoras e os nossos olhos, trazendo os informes e dados, que após trabalhados gerem informações para tomada de decisão e ações de prevenção.

Em tempos de crise a segurança empresarial deve elevar seu estado de atenção. Focar realmente nesse cenário angustiante. Cenário este que faz pessoas boas serem ruins. Ruins porque elas vão querer tirar proveito, ou seja, este momento é uma oportunidade. Aflora em algumas pessoas uma sensação de não ficar no prejuízo.

Não ficar no prejuízo é uma característica do criminoso. O perfil do criminoso deve ser exaustivamente avaliado, visando detectar e entender os movimentos futuros.

Receita de bolo para estes casos não existe. As ações devem ser estabelecidas e os riscos apontados em planejamento conjunto com os responsáveis dos cortes de empregados.

Deve-se levar em consideração, para esta decisão, que os cortes contemplem as pessoas mapeadas em inquéritos administrativos, aquelas que em algum momento estiveram envolvidas em ocorrências de furtos internos, desvios de conduta, entre outros comportamentos e atitudes incompatíveis com o código de conduta e ética da empresa.

Diante do exposto, conclui-se que ter um departamento de segurança empresarial bem estruturado, com indicadores e condições mapeadas, certamente contribuirá para acerto nas decisões, transformando uma incerteza (risco negativo) em oportunidade (risco positivo).

Teanes Carlos Santos Silva, gestor de Segurança Empresarial.
teanes@transportabrasil.com.br

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