Fator X: empresas de Eike Batista perdem R$ 1 bi em 2011

Fator X: empresas de Eike Batista perdem R$ 1 bi em 2011

Saldo do desempenho das companhias com ações na bolsa de valores e que estavam, em sua maioria, pré-operacionais no ano passado, levou a prejuízo bilionário

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Um dos superportos que Eike está construindo: serão duas megaestruturas portuárias, Açu, na foto, e Sudeste, no litoral fluminense

As empresas do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, que possuem ações negociadas em Bolsa de Valores encerram o ano de 2011 com prejuízo acumulado de R$ 1,067 bilhão. Esse desempenho deve-se ao alto investimento que a maioria dessas empresas são obrigadas a realizar por estarem em fase pré-operacional, se preparando para iniciar as atividades e, a partir de então, começar a ter receita originada de suas operações.

Hoje é a vez da empresa de mineração, que é a mais adiantada em termos de operação com produção já desde o inicio de 2011, mostrar os números que obteve. A LLX registrou prejuízo líquido de R$ 53,9 milhões. A empresa explica que este resultado está associado principalmente às despesas gerais e administrativas de R$ 149,8 milhões. Apesar disso, a companhia encerrou o ano com R$ 407,6 milhões em caixa. Já o ativo imobilizado cresceu R$ 459 milhões, passando de R$ 791,9 milhões em 2010 para R$ 1,25 bilhão em 2011.

A companhia do Grupo EBX explica que este resultado reflete a execução das obras de dragagem do canal e quebra-mar do TX2, implantação da Linha de Transmissão, execução de obras civis no Complexo Industrial do Superporto do Açu e aquisição de terrenos e ações de sustentabilidade.

De acordo com o grupo, foram investidos em 2011 R$ 785 milhões no Superporto do Açu, em construção na localidade de São João da Barra (RJ). Entre 2007 e dezembro de 2011 foram investidos R$ 2,426 bilhões no empreendimento.

Entre a infraestrutura que começa a ser erguida no local a LLX destacou a obtenção de Licença Prévia e de Instalação para o canal onshore e a autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para construção da Unidade de Tancagem e Tratamento de Petróleo (UTP).

“A obtenção de licenças que permitiram o início das obras do terminal onshore TX2, resultou em um extraordinário avanço na área comercial, com a assinatura de contratos de aluguel de área com empresas de apoio a indústria offshore de petróleo e gás. A celebração desses contratos e a localização privilegiada do Superporto – em frente à Bacia de Campos e próximo às Bacias de Santos e Espírito Santo, reafirmam sua vocação para o negócio de petróleo e gás”, destacou Otávio Lazcano, diretor-presidente da LLX.

Além disso, nos três últimos meses de 2011 a companhia fechou três contratos de aluguel para áreas do TX2 no Superporto do Açu. Eles foram assinados com a NKT Flexibles (NKTF), terceira maior fabricante de tubos flexíveis no mundo, a Technip Brasil, empresa de gerenciamento de projetos, engenharia e construção para a indústria de óleo e gás e a InterMoor, companhia de serviços de ancoragem, fundações e serviços subaquáticos. Em conjunto, estes contratos representam uma receita anual de mais de R$ 33 milhões com tarifas portuárias e aluguel de área. Além disso, a Ternium obteve a licença prévia (LP) para a construção de uma siderúrgica no complexo para a produção de até 8,4 milhões de toneladas de aço bruto ao ano.

A maior parte dessa perda das empresas do Grupo EBX veio da subsidiária para a exploração de petróleo e gás, a OGX. Em função da aceleração das atividades de exploração (fase que antecede a produção de petróleo e gás) a empresa aumentou suas despesas sem ter geração de caixa e, com isso, apresentou aumento de 270% em seu prejuízo no ano passado.

As perdas da companhia somaram R$ 509,8 milhões em 2011 ante os R$ xx milhões do ano anterior. Apesar dessas perdas, o diretor geral da companhia, Paulo Mendonça, afirmou que está muito otimista com os resultados dos testes realizados até o momento. Um dos fatos para esse sentimento é a produção de Waimea, na Bacia de Campos, que é o  primeiro poço da empresa e que se encontra na fase de teste de longa duração.

Atualmente, relatou, a produção está entre 10 e 13 mil barris diários de petróleo e gás. Porém, a meta é chegar ao final do ano com algo entre 40 mil e 50 mil barris diários. “O melhor de tudo é que não encontramos uma gota de água sequer associado ao petróleo que extraímos até o momento”, comemorou o executivo.

Por sua vez, a OSX, empresa do setor de equipamentos e serviços para a indústria offshore de petróleo e gás natural do grupo, encerrou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 7 milhões e o ano de 2011 com lucro líquido de R$ 7,6 milhões. O caixa consolidado da OSX e de suas controladas em 30 de setembro foi de R$ 1,6 bilhão. O caixa consolidado da Companhia e de suas controladas em 31/12/2011 era de R$ 1 bilhão.

A empresa, criticada por ter apenas os contratos com a OGX, chamado de cliente âncora, com encomendas de R$ 5 bilhões, reportou que o ano passado teve como destaque o início da Construção da Unidade de Construção Naval do Açu (UCN Açu), a chegada do FPSO OSX-1 ao Rio de Janeiro, a assinatura do contrato para a construção do FPSO OSX-3, a assinatura do contrato de financiamento para construção do FPSO OSX-2. Além disso, informou a companhia em comunicado, fechou acordo com a SBM e Modec para Construção dos navios plataformas (FPSOs) OSX-2 e OSX-3 e registrou a chegada dos 2 cascos gêmeos Gemini Star e Suhail Star (VLCC’s – Very Large Crude Carrier) que serão convertidos nos FPSOs OSX-4 e OSX-5.

Outro contrato junto à Techint Engenharia e Construção refere-se à engenharia e construção de duas plataformas fixas, a WHP-1 e WHP-2.

Também, a assinatura de contrato no valor de US$ 732 milhões junto à Kingfish do Brasil Navegação S/A para construção de 11 Navios-Tanque e outro contrato ao valor de US$ 263 milhões junto à Sapura Navegação Maritima S/A para construção um navio PLSV (PLSV – Pipe-Laying Support Vessel).

Já a MPX, braço de geração de energia elétrica, fechou o ano de 2011 com resultado financeiro negativo de R$ 408,6 milhões. Esse valor foi impactado pela montagem da estrutura de operação e implantação das usinas e desenvolvimento do projeto integrado de mineração na Colômbia, além do custo financeiro e contábil da captação de R$ 1,4 bilhão em debêntures. O investimento da empresa ficou em cerca de R$ 2 bilhões no ano passado.

No fechamento da semana de divulgação dos dados anuais das empresas, as ações não apresentaram bom desempenho. A OGX encerrou a semana passada com queda de 4,53% sobre o dia anterior, cotadas a R$ 16,22 e ontem manteve o sentido negativo com recuo de 2,53%, a R$ 15,81. Já as da LLX  (LLXL3) caíram 3,9%, cotados a R$ 3,70 na sexta-feira e ontem reveteram para alta de 0,81%, a R$ 3,74. Os papeis da OSX subiram na sexta de forma leve, 0,88% cotadas a R$ 17,04 e ontem aceleraram o rimto de alta com valorização de 0,94%,a R$ 17,20. No caso da MPX, o desempenho de ontem foi o mais positivo com alta de 1,85%, valendo R$ 48,89.

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