O transporte e a logística dos murais de Portinari

O transporte e a logística dos murais de Portinari

Operação multimodal trouxe os famosos paineis “Guerra” e “Paz” ao Brasil, para uma exposição no Memorial da América Latina, em São Paulo. Exposição gratuita das obras vai até o dia 21 de abril

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Toda e qualquer carga exige cuidado na sua movimentação, mas há algumas que requerem ainda mais atenção na hora de serem levadas de um lugar para outro. Adicione a esse cenário mais de 50 anos de história e mais de 7,5 mil quilômetros de distância. Delicado, não? Pois assim mesmo foi a logística das obras “Guerra” e “Paz”, do artista brasileiro Candido Portinari, que estão em exposição no Memorial da América Latina, em São Paulo (SP), até 21 de abril.

Trazidos de Nova Iorque, nos Estados Unidos, os murais são compostos por 28 placas de madeira compensada naval, com 2,2 metros de altura por 5 metros de largura. Cada uma dessas partes pesa 75 quilos. “É muito difícil essa logística”, explica Maria Ignez Mantovani Franco, presidente da Expomus, companhia responsável pela coordenação geral da exposição.

De acordo com a executiva, o processo para a vinda desse material para o Brasil começou no fim de 2010. Desde essa época até 2013, o prédio da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, passa por uma grande reforma – fato que ajudou a proporcionar essa oportunidade inédita.

“O planejamento é muito grande e começou com a visita de restauradores às obras para que eles pudessem avaliar o estado de conservação delas. Eles emitiram laudos e, depois, tem todo o processo de desmontagem. Posteriormente, duas empresas americanas também foram envolvidas no projeto: uma especializada no manuseio de obras de arte e outra em embalagens”, detalha Maria Ignez.

“Sofisticadas, essas embalagens foram utilizadas para o transporte temporário até um armazém. Lá, as peças foram colocadas em caixas de madeira feitas especificamente para que as condições climáticas fossem mantidas o mais próximo possíveis das do local onde elas estavam instaladas”, continua. “Em seguida, essas caixas foram lacradas e encaminhadas para o transporte internacional.”

Transporte

Vindos de avião até terras brasileiras, os murais foram divididos em três voos diferentes. “Fragmentamos o risco. Nunca fazemos um único embarque. Caso algum acidente ocorra, não perdemos as obras por completo”, explica a presidente. “E elas vêm sempre acompanhadas de um responsável.”

Apesar de estarem expostos para visitação na capital paulista, os murais foram levados inicialmente para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ), onde, após a remontagem, passaram por um processo de restauração ao longo de 2011. Depois disso, todas as partes seguiram de caminhão para a capital paulista. Nessa parte da viagem, o trajeto foi realizado por rodovia com caminhões climatizados preparados especialmente para transportar materiais delicados como as obras de arte.

Custo

Todo esse cuidado na movimentação da carga gera um custo bastante elevado: viagens de pessoal, despacho de material, avaliação dos restauradores, acompanhamento da carga e armazenagem, só para nomear alguns dos pontos principais. Mas, quanto efetivamente se gasta para proporcionar uma experiência como essa para os visitantes do Memorial? “É um custo muito variável”, revela a responsável. “Há o frete aéreo, o seguro. Há as despesas nos Estados Unidos, pagas em dólar. Há, claro, uma projeção, mas tudo depende da variação cambial”, diz.

 

Serviço:

Exposição “Guerra e Paz”, de Candido Portinari
Onde: Memorial da América Latina
Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda – São Paulo
Entrada pelo portão 4
Data: de 7 de fevereiro a 21 de abril de 2012
Quando: Terça a domingo, das 9h às 18h

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