Produção de caminhões continua em alta, mas vendas internas não acompanham o ritmo

Produção de caminhões continua em alta, mas vendas internas não acompanham o ritmo

Explicação pode ser dada pela proximidade da nova regra de emissão de poluentes, que deverá levar a um aumento de preços de até 20% em decorrência das modificações que a norma Euro 5 exige

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A produção de veículos no mercado brasileiro somou 274,5 mil unidades em novembro deste ano, uma queda de 9,1% na comparação com novembro de 2010 e expansão de 3,4% quando comparada ao mês anterior. Esse desempenho da fabricação freada combinada ao aumento de 14,6% nas vendas para 321,6 mil unidades levou à redução dos estoques que vinham incomodando as montadoras. Ao final de novembro havia no pátio das empresas e das concessionárias o equivalente a 35 dias de produção, no mês passado esse número estava em 40 dias. Os dados foram divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Apesar das vendas maiores em relação ao mês de outubro, na comparação com novembro o desempenho comercial do setor automotivo recuou 2,1%.

Apesar desses números negativos do setor como um todo, o segmento de caminhões continua a mostrar o desempenho positivo que vem apresentando em 2011. A produção desses veículos somou 19.289 unidades, 10,9% a mais que no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano a saíram das montadoras de caminhões quase 198 mil veículos, 13,5% a mais que no ano passado.

Dentre as categorias, os mais fabricados no ano continuam sendo os semipesados e pesados, com 68.680 e 60.248 veículos, respectivamente altas de 19,1% e de 7,7% ante mesmo período do ano passado. O resultado fez os semipesados também ultrapassarem os veículos do segmento leve como os mais fabricados do ano em termos percentuais. Agora, os leves apresentam alta de 18% no ano até novembro.

O ritmo de vendas, porém, continua se descolando da produção. Enquanto no mês passado 76% da produção haviam sido comercializados, em outubro esse indicador voltou a recuar e ficou em cerca de 70%. O número de licenciamentos somou 13.441 unidades. No ano, as vendas parecem estar colocando o pé no freio à medida que as novas regras de emissão de poluentes se aproximam e com essa regra, um quase certo aumento de preços de veículos novos entre 15% e 20%, de acordo com montadoras ouvidas pelo Portal Transporta Brasil.

A MAN (que fabrica e comercializa a marca própria e da Volkswagen) é a primeira colocada em vendas. No acumulado do ano, a alemã vendeu 46.510 veículos, cerca de 30% do mercado nacional, um crescimento de 14,8% ante 2010. Esse volume de vendas está 19,7% acima da segunda colocada, a Mercedes-Benz, que encerrou os 11 meses de 2011 com a comercialização de 38.849 veículos, alta de 5,9% no período. Em terceiro aparece a Ford com 27.588, em quarto a Volvo com 17.234, crescimento de 30% e em quinto a Iveco com 13.050 caminhões no ano, expansão de 25,5%. A Scania continua a perder participação de mercado 11% em comparação a 2010 e continua em sexto lugar no mercado brasileiro.

Não houve mudanças nos segmentos mais vendidos. Os semipesados continuam no primeiro lugar com crescimento de 20,5%, os semileves aparecem novamente com o segundo maior crescimento em comparação a 2010 com 14,8%, seguido dos leves com 14% de vendas a mais. Em número de unidades comercializadas os semipesados registraram 53.616 caminhões no ano e os pesados aparecem logo a seguir com 47.268 veículos entregues.

Apesar de reduzir um pouco a participação de mercado, os importados continuam apresentando um crescimento expressivo. Em onze meses a expansão está em 56,8% ante os 57,4% do mês passado em comparação a 2010. Os pesados têm as maiores vendas com um total de 2.050 unidades vendidas no Brasil somente em 2011.

Ônibus e automóveis

Na categoria para transporte de passageiros (incluindo chassis), as vendas consolidadas do ano seguem o ritmo de crescimento. Enquanto no mês de outubro esse indicador alcançou alta de 22,1%, com 28.170 unidades no acumulado até novembro alcançou vendas de 31.106, crescimento de 21,6%. Mais de 24 mil unidades foram fabricadas pela Mercedes e MAN, as primeiras colocadas, respectivamente.

Com a soma das vendas entre veículos leves e comerciais leves, a Fiat continuou como a marca mais vendida do ano com 685.110 unidades. Em segundo lugar está a alemã Volkswagen com 638.540 carros comercializados. Em terceiro lugar está a GM com 571.312 veículos e em quarto a Ford, 285.659 unidades novas colocadas no mercado. A francesa Renault, continua em quinto lugar com 172.724 carros. No total, foram vendidos 3.096.486 veículos dessas duas categorias.

Na avaliação do presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, os estoques estão em um nível normal. “Se nós considerarmos que a maior parte dos países trabalha com 60 dias de estoque estamos com um nível bastante coerente e adaptado à realidade”, afirmou. E a perspectiva é de que o setor feche com um número menor ainda porque ele lembrou que a maioria das montadoras entrará em férias coletivas depois do Natal e algumas permanecerão fechadas na primeira quinzena de janeiro.

“Nós paramos nos primeiros quinze dias de janeiro, que acaba sendo um período de ajuste de estoques também. Além disso, o mês de janeiro é mais fraco em vendas, fato que deve equilibrar os estoques”, estimou o executivo, que também é o presidente da Fiat. Para ele, o desempenho do mês de novembro foi uma grande surpresa. Fatores como a maior disponibilidade de crédito e ao aumento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados, deve contribuir para o aumento das vendas do setor no mercado interno em 2012. “Acreditamos que a indústria brasileira vai ter uma maior participação nas vendas”, comemorou.

Apesar do otimismo, a entidade revisou para baixo a projeção de vendas para este ano. A nova previsão é de que as montadoras vendam 50 mil unidades a menos, ou seja, passarão de 3,680 milhões de unidades para 3,630 milhões, se esse número se confirmar, o crescimento no ano será de 3,3%.

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