Petrobras investirá mais de R$ 7 bi na indústria naval até 2015

Petrobras investirá mais de R$ 7 bi na indústria naval até 2015

Empresa quer mais de 800 embarcações novas até o final da década. Entre esses equipamentos estão petroleiros novos e sondas de perfuração acima de 2 mil metros de profundidade. Estatal terá nova fábrica de Arla 32 e garante diesel com menos enxofre até 2014

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A expansão da produção de petróleo na camada ultraprofunda do pré-sal promete ser um dos motores para o desenvolvimento da indústria naval brasileira e, a Petrobras, o seu combustível. Isso porque a promessa da empresa é de colocar em águas brasileiras 810 novas embarcações e equipamentos até o final dessa década. Esse é o plano apenas para o desenvolvimento da infraestrutura logística para viabilizar as operações da companhia. O valor de parte desse investimento deve ficar em US$ 4,26 bilhões ou quase R$ 7,4 bilhões até 2015. A média de investimentos no país deverá ficar em 65% pela necessidade de se utilizar o conteúdo nacional.

“O mínimo que faremos no Brasil é 65%”, disse o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

A maior parte desse plano está centrada na encomenda na categoria classificada como barcos de apoio ou especiais. Segundo a estatal, em 2010 a companhia estava com 287 unidades. Até 2013, o plano prevê a incorporação de mais 136 unidades, em 2015 mais 56, até alcançar 568 embarcações no final desta década. Em número de sondas de perfuração com capacidade acima de 2 mil metros de profundidade, a empresa deverá incorporar mais 40 unidades se comparada às 15 existentes. Serão mais 50 plataformas de produção do tipo semi submersíveis e FPSO (navio transformado em plataforma de produção).

De acordo com o Gabrielli, essa expansão é necessária para que a companhia alcance sua meta de chegar a 2020 com a produção de mais de 6,5 milhões de barris de petróleo equivalente (o que inclui gás natural) somando a produção local e internacional. O maior crescimento proporcional dessa produção ficará mesmo com o pré-sal, explicou o executivo, que incrementará a produção brasileira em 2 milhões de barris de petróleo, para efeitos de comparação, essa é a atual produção da estatal em quase 60 anos de existência.

“Atualmente, o pré-sal representa apenas 2% da produção da Petrobras. Queremos chegar a 2020 com 40% do óleo brasileiro vindo desses reservatórios, que podem chegar a 7 mil metros de profundidade”, disse Gabrielli em São Paulo. “Para isso, vamos perfurar mais 1 mil poços offshore”, acrescentou ele.

Apesar de a empresa estabelecer metas até 2020, o Plano de Negócios da Petrobras, divulgado esta semana, engloba apenas os próximos cinco anos (2011 a 2015), e tem valor de US$ 224,7 bilhões. Nesse período, a empresa terá um portfólio de 3,7 mil projetos em todas as suas áreas de atuação. A maior será a de exploração e produção de petróleo, com US$ 127,5 bilhões. Para Refino, Transporte, comercialização e Petroquímica (RTC) a empresa destinará US$ 74,4 bilhões. O setor de Gás Natural, Energia Elétrica e Fertilizantes ficará com US$ 13,2 bilhões. Por sua vez, os Biocombustíveis, Distribuição e área Internacional terão US$ 18,2 bilhões.

Combustíveis

Gabrielli disse ainda que a empresa já começou a reduzir os investimentos na retirada do nível de enxofre do Diesel porque esses projetos já estão sendo finalizados pela empresa e garantiu que em breve o País terá disponível o S-500, e S-10 em 2014. Além disso, a Petrobras tem no escopo de projetos uma fábrica para a produção de Arla-32 e plantas para aumentar a produção de uréia e amônia, apesar de admitir que o Brasil não será auto-suficiente nessas duas ultimas substâncias. Isso tudo até 2015.

A capacidade nacional de refino de petróleo até 2020 aumentará de 1,8 milhão de barris de petróleo ao dia e saltará para 3,2 milhões com a entrada em operação de cinco novas refinarias. A primeira, Abreu e Lima (PE) deverá entrar em operação já no ano que vem. Em seguida, de acordo com o cronograma atual da empresa, em 2013 começa a primeira fase do Comperj (RJ), em 2016 a refinaria Premium I (MA) e em 2017 a Premium II, no Ceará. Aliás, essa é a tendência do mercado nacional, o maior equilíbrio das capacidades de distribuição de combustíveis pelo Brasil, atualmente concentradas nas regiões Sul e Sudeste.

Dos produtos das novas refinarias, a Petrobras deverá aumentar a disponibilidade do que é chamado de destilados médios, o Diesel e a Querosene de Aviação (QAV). Quanto ao preço dos combustíveis, o executivo afirmou que a empresa não é a responsável pelos preços de qualquer um deles. No que se refere à gasolina, a empresa contribui com apenas 33% de sua formação e que o preço na refinaria não se altera desde maio de 2009.

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