Gol compra Webjet e ameaça liderança de mercado da TAM

Gol compra Webjet e ameaça liderança de mercado da TAM

Negócio anunciado na semana passada tem um objetivo somar slots da Webjet, marca que deverá desaparecer assim que a CVM e Anac aprovarem o negócio. Número de pedidos de novas aeronaves à Boeing deverá aumentar

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O único plano da Gol Linhas Aéreas para a Webjet é encerrar as atividades da empresa recém-adquirida por R$ 311 milhões, sendo que deste valor apenas R$ 96 milhões foram efetivamente pagos. De acordo com o fundador e presidente da segunda maior companhia aérea brasileira, Constantino de Oliveira Júnior, assim que o Conselho Administrativo de Desfesa Econômica (Cade) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovarem o negócio, o Brasil terá uma marca a menos no mercado. Após quase uma semana do anúncio da operação, já ficou claro que o interesse da segunda colocada do mercado são os slots da Webjet, tanto que a Gol assume a liderança de participação em 8 das 10 principais rotas do Brasil, segundo dados da própria Anac e se aproxima TAM.

Com o negócio, a Gol ameaça fortemente a hegemonia da líder de mercado, mas ainda não ultrapassa a TAM que detém 44,43% de participação de mercado, seguida pela Gol, com 35,39%. A Webjet ficou em quarto lugar, com 5,16%, atrás da Azul. Porém, a empresa dos Constantino afirma que o negócio alçará a companhia como a maior em número de passageiros transportados, se as duas empresas já estivessem juntas em 2010 teriam transportado 32,8 milhões de passageiros contra 29,1 milhões da TAM.

Apesar dessa concentração de mercado em vista, o executivo chefe da Gol fez questão de destacar que a compra da Webjet não deve acarretar em aumento nos preços das tarifas da companhia. De acordo com ele, o negócio não implicaria aumento de custos, ao contrário, a Gol deverá ganhar eficiência e manter tarifas extremamente competitivas.

“A estratégia da Webjet pressupõe estrutura extremamente enxuta, eles têm um nível de terceirização maior que o da Gol. Por isso, o número de funcionários por aeronaves é tão baixo e acredito que não teremos demissões”, afirmou. Atualmente, a Webjet opera com 1.670 funcionários, enquanto a Gol possui 18 mil trabalhadores em seu quadro.

Entre os motivos citados por Constantino Junior para a aquisição da Webjet está a frota da companhia que é composta por 24 jatos 737-300 da Boeing, modelo mais antigo que os 737-700 e 737-800 Next Generation operados pela Gol, mas que também já foram utilizados pela companhia da família Constantino.

Por este motivo, a Gol tem planos de ampliar seus pedidos de entregas à Boeing. Essa medida poderá ser tomada depois de ver aprovada a compra da Webjet. O executivo afirmou ainda que, uma vez concluída a aquisição, a Gol poderia renovar a frota mais antiga entre 18 a 24 meses. Essa sinergia entre o pessoal da Webjet e Gol simplificaria a operação de incoporação, não exigindo muito treinamento de pessoal, por exemplo.

“O plano é renovar a frota da Webjet com 737-700 e 800”, apontou ele. Segundo Constantino, a companhia pode aumentar o pedido de aviões para a Boeing para tornar a frota da Webjet mais eficiente. Em 2010, a Gol encomendou até 30 jatos 737-800 NG com entregas previstas para entre 2014 e 2017. Porém, ele não comentou quantos aviões poderia adicionar ao pedido feito à fabricante norte-americana.

Além da encomenda adicional de aeronaves, a Gol trabalha com outras duas possibilidades: atualizar a frota da Webjet com renovação de alguns de seus contratos de leasing, mantendo os aviões da empresa e retornando apenas os 737-300, e buscar novos leasings operacionais de jatos.

Sinergia

Além da facilidade em integrar pessoal operacional, a união de Gol e Webjet deve a expectativa é de que sejam obtidas sinergias de R$ 100 milhões de reais que poderiam ser capturadas dois anos após a aprovação do negócio por órgãos reguladores, disse o vice-presidente financeiro da empresa, Leonardo Pereira.

Segundo ele, os principais indicadores financeiros da Gol não devem ser alterados. Até a aprovação da compra da Webjet, as empresas serão geridas de maneira separada. Pereira afirmou que a dívida de cerca de 200 milhões de reais da Webjet tem vencimentos entre 2011 e 2015, e que a intenção da Gol é melhorar o perfil desse endividamento após a aprovação da compra por autoridades.

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