Volkswagen quer unir MAN e Scania e ser líder em caminhões

Volkswagen quer unir MAN e Scania e ser líder em caminhões

Montadora alemã demonstra estratégia agressiva para conquistar novos mercados e se tornar líder mundial na fabricação de veículos comerciais

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Em um lance inesperado, a maior montadora do mundo, a Volkswagen, deu uma reviravolta e, após ter vendido sua unidade de caminhões e ônibus à MAN no Brasil, em 2009, por 1,17 bilhão de euros, fez uma oferta para incorporar a gigante europeia de caminhões no mundo todo, fato que deverá criar uma mega montadora inigualável neste setor, pois 46% do capital que dá direito a voto na sueca Scania já é da Volkswagen. Se a Volkswagen sair bem sucedida deste negócio ela deverá aumentar sua participação na Scania para quase 60%, uma vez que a MAN já detém 13,4% da montadora sueca.

O negócio começou a se desenhar no início da semana passada com o anúncio de elevação da participação na fabricante de caminhões MAN de 29,9% para 30,47%. Como a legislação daquele país determina que se ultrapassar a marca de 30% das ações de uma empresa deve ser feita uma oferta pública para a compra dos 70% restantes dessa empresa. Com isso a Volks deverá oferecer 95 euros (cerca de R$ 220) por ação. Com essa oferta a Volks indica que a MAN tenha valor de US$ 19,8 bilhões, mas suas ações estão cotadas a mais de 96 euros.

Segundo especialistas de mercado de capitais, essa oferta abaixo da cotação da MAN visa apenas atender a regra da Alemanha. A Volks afirmou em nota que pretende combinar numa aliança ou numa empresa só todas as suas participações no segmento de caminhões, para concorrer com a Daimler AG, fabricante da Mercedes-Benz, pelo posto de maior fabricante de caminhões da Europa em participação de mercado.

A elevação no capital da MAN permite à Volkswagen a aprovação para iniciar um processo de integração entre as duas montadoras de veículos pesados o que traria, além da liderança no mercado europeu ganhos com redução de custos. O diretor financeiro da Volkswagen, Hans Dieter Pötsch, indicou um dos principais e mais imediato: a aquisição conjunta de suprimentos e autopeças, eliminando 200 milhões de euros por ano em custos já em 2012.

De acordo com o jornal norte-americano de negócios, The Wall Street Journal, embora a Volkswagen possa terminar comprando ações suficientes da MAN para assumir seu controle, as empresas já estudaram outros cenários no último ano, como a Scania servir de veículo para a aquisição da MAN, segundo pessoas a par das negociações. A Volkswagen já tem 71,8% da Scania no total . Mas o progresso rumo a uma fusão completa tem sido adiado, em parte, por uma disputa judicial na MAN ligada à indenização de um escândalo de propinas em sua antiga divisão de engenharia, a Ferrostaal AG.

A MAN informou em comunicado que “compartilha a lógica industrial por trás de uma cooperação intensificada” e que ela espera continuar as discussões com a Volkswagen e a Scania. Ela informou também que vai esperar a publicação da oferta da Volks para avaliar.

O presidente do conselho da Volkswagen, Ferdinand Piëch, não fez segredo de sua ambição de atrair a MAN para o seio da montadora. Em 2006, Piëch ajudou a derrotar uma oferta hostil da MAN pela Scania, da qual a Volks tinha 30% na época. A Volks depois conseguiu aumentar sua fatia na Scania para mais de 45% e o direito de voto, para 71%. Ela também se tornou a maior acionista da MAN em 2007, quando elevou sua participação para 30%, abrindo caminho para Piëch também presidir o conselho da MAN.

No início de maio a MAN informou que a receita do grupo alcançou 3,7 bilhões de euros, 19% acima do mesmo período do ano passado. A empresa aumentou sua entrada de pedidos em 26% para 4.4 bilhões de euros. A divisão de caminhões e ônibus registrou um crescimento de 47%, para 2.5 bilhões de euros, principalmente em caminhões pesados. Desse número, a MAN Latin America alcançou o melhor valor trimestral de sua história com 36% do total.

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