Demanda atrai produtores de peso para o Arla 32

Demanda atrai produtores de peso para o Arla 32

Vale e Tirreno são as concorrentes pelo mercado que visa abastecer os novos veículos que serão fabricados a partir de 2012 e atendem à nova norma do Proconve de emissão de poluentes

Diesel S50 da Shell tem bons resultados no Sul e Sudeste
Transportadoras não identificam economia de combustível significativa em veículos Euro 5
MWM International vende 2,6 milhões de litros de Arla 32 no Brasil este ano

Faltando pouco mais de meio ano para que o Brasil entre em um novo patamar quanto às emissões de poluentes de veículos movidos a diesel atendendo às exigências da norma Euro 5, empresas para atender a esta nova demanda começam a anunciar o início da produção do Arla 32, insumo básico para que esta medida seja bem-sucedida no País. Esse produto é feito de ureia técnica de altíssima pureza, diluída a 32% em água desmineralizada com um rígido controle de qualidade, e será usado para diminuir em 60% a emissão de NOx (óxidos de nitrogênio) veicular.

Após a Tirreno, empresa sediada em Diadema, ter começado sua produção, o mercado ganhou nesta semana mais um concorrente de peso para suprir o mercado, a Vale Fertilizantes. A companhia, originada da aquisição da Fosfertil pela mineradora brasileira, informou que a fabricação ocorrerá em sua unidade de Araucária (PR).

Em seu comunicado, a Vale afirmou que a sua entrada nesse nicho de mercado tem como meta atender a um segmento que possui um alto potencial de crescimento. Entre esses atributos está o de ser um novo mercado consumidor, uma vez que não existia o uso desse produto no Brasil e que ele se tornará constante em função de que a partir de janeiro todos os veículos a diesel deverão sair de fábrica com um tanque adicional para comportar o Arla 32.

A empresa optou por ampliar seu portfólio, inserindo o Arla em sua linha de produtos uma vez que no Complexo Industrial de Araucária são produzidas a amônia e a ureia, matérias-primas básicas para a fabricação. Apesar de não revelar o volume que fabricará, a Vale afirma que será a maior produtora nacional. Além disso, faz mistério sobre quanto será investido na planta para adequá-la ao novo produto, disse apenas que há o investimento na compra de grandes equipamentos e adaptações no processo produtivo.

Por sua vez, a Tirreno, do ABCD paulista, afirma que terá uma produção mensal de um milhão de litros do produto. A empresa não sabe precisar quanto deverá ser a demanda pelo Arla, mas, assim como sua nova concorrente, afirma que o potencial de mercado é imenso. A companhia aposta que o Brasil será um dos maiores consumidores do mundo por dois motivos: o primeiro é o perfil rodoviário do transporte de cargas no País; e segundo por haver a necessidade da renovação de frota que levará a um crescimento continuado das vendas no setor.

Essa estimativa de crescimento das vendas é esperado também pelas montadoras. A Iveco é uma delas. Seu presidente, Marco Mazzu, afirmou que o País apresenta um potencial de expandir as vendas em cerca de 5% ao ano nos próximos anos. De acordo com os números do ano passado divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em 2009 o mercado de caminhões e ônibus foi produziu 237,2 mil veículos, crescimento de 50% sobre 2009.

Expansão de oferta

Por enquanto, a produção da Tirreno tem como clientes as montadoras para que estas afinem o desenvolvimento de seus motores. Após esse período, já a partir do ano que vem, a companhia planeja expandir sua atuação e quer instalar unidades móveis para abastecer clientes em vários Estados. Diferentemente da Vale, que atuará apenas como produtor que venderá o Arla 32 a distribuidores.

Na avaliação da companhia, o preço do litro ainda não está definido, mas a tendência é de que seu custo fique pouco abaixo do que é cobrado pelo Diesel. Para cada 100 litros que o caminhão utilizar, serão necessários cinco litros do Arla.

No que se refere ao diesel, ainda ontem, a Petrobras informou que em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e representantes da indústria automobilística, vai cumprir integralmente o acordo firmado com o Ministério Público Federal e garantirá o fornecimento em todo o País, cumprindo as fases P-7 e L-6 do Proconve a partir de janeiro de 2012.

Na prática, isso significa que continua valendo o que foi estabelecido no acordo com o MPF e os postos de combustível terão o diesel S-50, com menor teor de enxofre e menos poluente, nas bombas em janeiro do ano que vem. Já a indústria automobilística se comprometeu a iniciar a distribuição dos veículos leves e pesados a diesel, adaptados para receber o novo combustível, já no final de 2011.

Ao Portal Transporta Brasil, a Petrobras disse que o combustível mais limpo, o S-10, será ofertado ao mercado apenas em janeiro de 2013, e ressaltou que para isso tem investido US$ 10 bilhões no desenvolvimento e atualização de suas refinarias até o ano de 2013.

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