Prefeitura de SP frustra setor e prorroga mais uma vez rodízio do VUC

Portaria da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo publicada nesta quinta, 1º de julho, dá prazo até 31 de novembro para que os Veículos Urbanos de Carga, com até 6,3 metros, circulem na zona de restrição da cidade obedecendo rodízio placa par e placa ímpar. Medida da prefeitura frustra setor, que esperava cumprimento de promessa de liberação destes veículos para as operações urbanas

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A Prefeitura de São Paulo publicou nesta quinta-feira, dia 1º de julho, a Portaria 055/10 da Secretaria Municipal de Transportes, que prorroga mais uma vez o prazo de vigência do regime de restrições para os Veículos Urbanos de Carga (VUCs), com até 6,3 metros entre pára-choques, dentro da Zona de Máxima Restrição à Circulação (ZMRC) da cidade.

A medida foi recebida com decepção pelo setor, que esperava a liberação deste tipo de veículo, considerado ideal para as operações urbanas, depois de negociações entre a administração pública e representantes dos empresários do transporte de cargas que operam em São Paulo.

O VUC é considerado pelos transportadores um veículo imprescindível para operar em São Paulo e eles argumentam que este tipo de caminhão pode substituir até quatro utilitários ou caminhões menores nas coletas e entregas dentro da cidade. Com o VUC, as empresas afirmam poder operar com uma frota otimizada, ocupando menos espaço viário e retirando das ruas motores a diesel que emitem gases poluentes.

O argumento da prefeitura para a não liberação do veículo está embasado na afirmação de seus técnicos de que o VUC é um caminhão grande, que tem dificuldades de encontrar vagas para estacionamento para coletas e entregas e que ocupa muito espaço nas ruas.

O debate é antigo e há pelo menos seis meses os transportadores paulistanos lutam para fazer do VUC de 6,3 metros um veículo livre de restrições na cidade. Urubatan Helou, diretor-presidente da Braspress, empresa com grande atuação no transporte de encomendas expressas, dirigiu a principal entidade representante dos transportadores em São Paulo e uma das bases de sua gestão foi a priorização do abastecimento urbano, com o uso de veículos que racionalizam as operações.

Helou defende que o VUC é uma peça importante na logística urbana de São Paulo e que as restrições geram custos e dificuldades para as transportadoras que operam na cidade. “Esta é uma atitude esperada do poder público que prefere, em ano de eleição, tomar o posicionamento favorável à opinião pública em detrimento do bem maior, que é o bom abastecimento e a mobilidade urbana”, diz Urubatan, com exclusividade para o Portal Transporta Brasil.

O SETCESP, Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região, é a entidade que está à frente das negociações com a prefeitura paulista sobre o VUC. Seu presidente em exercício, Manoel Sousa Lima Jr., diz, em nota aos associados, que a medida de prorrogar o rodízio dos VUCs e não liberar estes veículos, não reflete a necessidade da população paulistana. “O abastecimento da metrópole precisa de mais do que apenas prorrogar uma medida que deixa 50% dos veículos VUC parados a cada dia. Esperávamos que a Prefeitura de São Paulo liberasse os veículos, que são ideais para a distribuição urbana de cargas e que otimizam as operações de forma definitiva. Esta medida frustra o setor e nos deixa, mais uma vez, em compasso de espera”, afirma.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Transportes paulistana não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta matéria.

Por: Leonardo Andrade – Redação Portal Transporta Brasil

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