Empresários defendem ferrovia até Cuiabá

Aas indústrias que precisam escoar seus produtos pagam um preço muito alto pelo frete rodoviário, segundo Jandir Milan, presidente da Fiemt

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Empresários e representantes da sociedade civil organizada mato-grossense, que participaram ontem da retomada da mobilização pela construção da ferrovia em Cuiabá, defendem a chegada dos trilhos até à Capital como fator decisivo para o desenvolvimento sócio-econômico da Baixada Cuiababa. “Temos um grande potencial econômico, com inúmeras indústrias e um parque industrial muito forte instalado em nossa Capital. Para o setor industrial, a ferrovia é imprescindível e faz parte dos planos de desenvolvimento do setor para os próximos anos”, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiemt), Jandir Milan. Segundo ele, as indústrias que precisam escoar seus produtos pagam um preço muito alto pelo frete rodoviário. “Hoje estamos à mercê do transporte rodoviário porque não dispomos de outra alternativa. Quando a ferrovia chegar em nossa região, teremos importantes ganhos”, disse, lembrando que em alguns países o custo ferroviário chega a representar apenas 50% do transporte rodoviário. “Em Mato Grosso é diferente. A ALL pratica preços altíssimos e os valores estão praticamente equiparados”.

“Precisamos de outras alternativas de transporte para escoar nossos produtos”, afirma o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL), José Alberto Aguiar. Segundo ele, a intermodalidade é importante para reduzir os custos do frete. “Defendemos a chegada dos trilhos não só até Cuiabá, como em outras regiões do Estado e na região amazônica”.

Aurelino Levy Dias de Campos, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), destaca a falta de concorrência como um dos fatores que elevam os preços do frete da América Latina Logística (ALL) a partir de Alto Araguaia e Alto Taquari.

“Os produtores não estão tendo benefícios até agora porque a concessão está nas mãos de apenas uma empresa, que não tem como objetivo atender a demanda social. Está apenas preocupada com a demanda empresarial. Precisamos da ocupação racional da ferrovia, de forma que quem ganhe é o Estado, a população e a econômica como um todo. Por enquanto, a ALL não está se importando com Cuiabá, mas apenas preocupada com o seu lucro”, critica Levy. Ele defende a criação de uma agência regulatória para disciplinar a exploração da concessão ferroviária em Mato Grosso.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB/MT) também tem posição em defesa da chegada da ferrovia a Cuiabá. Para o conselheiro da entidade, Francisco Eduardo Torres Esgaib, a Capital do Estado pode se tornar um “pólo irradiador” de desenvolvimento na região. Segundo ele, a ferrovia deve servir de “instrumento de desenvolvimento na visão de que as regiões distintas se integrem com o objetivo de crescimento e desenvolvimento social”. Ele diz que Cuiabá ocupa uma posição geográfica privilegiada não só para o Estado, como para o país e a América Latina. “O nosso posicionamento é em favor da ferrovia e vamos lutar para que este sonho se torne realidade”, afirmou Esgaib.

Na avaliação do coordenador do Fórum Pró-Ferrovia, vereador Francisco Vuolo, a extensão dos trilhos até à região amazônica será muito importante, pois além de dar mais uma opção de transporte, promoverá a ocupação e integração social e econômica da região.

“Esta integração será o grande agente uniformizador do crescimento auto-sustentável do país, na medida em que possibilitará a ocupação econômica e social do cerrado brasileiro – com uma área de aproximadamente 1,8 milhão de quilômetros quadrados, correspondendo a 21,84% da área territorial do país, onde vivem 15,51% da população brasileira – ao oferecer uma logística adequada à concretização do potencial de desenvolvimento dessa região, fortalecendo a infra-estrutura de transporte necessária ao escoamento da sua produção agropecuária e agro-industrial”, destaca.

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