Preços do frete têm alta de até 15,17% em Mato Grosso

Frete fica “mais caro ou mais barato”, dependendo da evolução de cotação do dólar

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Os preços do frete rodoviário para os portos de exportação, como Santos e Paranaguá – os mais utilizados pelos produtores mato-grossenses – sofreram elevações significativas no começo do ano, reflexo direto da colheita da soja no Estado.

De acordo com levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os preços tiveram variação média de 3,5% na maioria das regiões, porém em alguns municípios estaduais – como Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá) – registram alta acima de 15%.

As estatísticas do Imea indicam que para cada 166 sacas de soja transportadas até ao porto de Santos (SP), o produtor da região de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) tem de desembolsar atualmente 50 sacas para pagar o frete. Esse cálculo é feito tomando-se por base os preços pagos atualmente pelo transporte de uma tonelada de soja, R$ 160. No ano passado, nesta mesma época do ano (primeira semana de março), os preços do frete estavam situados na faixa de R$ 155.

Sorriso – a mais de 2 mil quilômetros do porto de Santos -, o desembolso com frete é bem maior. Com os preços cotados atualmente em R$ 220 por tonelada, o produtor tem de desembolsar o montante correspondente a 90 sacas de soja para pagar o transporte das mesmas 166 sacas, por meio de carretas que trafegam por estradas mal conservadas.

Os analistas lembram que o frete fica “mais caro ou mais barato” dependendo da cotação do dólar. Dólar baixo prejudica, principalmente, aqueles que estão localizados em regiões mais distantes dos portos de escoamento. “O real é a moeda que forma o valor do transporte no Brasil. Quando este custo é convertido para dólar nas baixas cotações, o valor fica mais alto”, explicam.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja) considera o aumento do frete uma “tendência natural” nesta época do ano. “Já era esperado, pois o frete é sazonal e os preços sobem na época da colheita da safra”. Este ano, para agravar, haverá forte pressão do milho sobre o frete. “Ao que tudo indica vamos ter uma boa produção de milho, assim como foi no ano passado, e os preços [do frete] tendem a atingir o pico”.

O Imea lembra que é comum na boca se safra o aumento do valor do frete, “todavia neste ano já se reporta a maior cotação do ano, superando em 14% a média de preços no mês de janeiro de 2010”.

Os especialistas afirmam que com frete em real e a formação de preço em dólar, “quanto mais fortalecido o real frente ao dólar, pior para a logística de Mato Grosso e para o frete. O real valorizado é muito ruim para a nossa logística”.

MOMENTO – Para o diretor administrativo da Aprosoja/MT, Carlos Fávaro, o produtor terá de administrar o escoamento da produção de acordo com a comercialização da safra. “Se o produtor deixar para vender depois, com certeza terá um resultado melhor com os preços da soja e do frete, pois os estoques estarão mais reduzidos e haverá menos produtos para serem transportados”.

Segundo ele, a baixa cotação do dólar em relação ao real deverá decretar baixa rentabilidade para o produtor na atual temporada. “Com certeza, o produtor não terá ganhos nesta safra devido aos problemas de câmbio, preços e logística”.

Na opinião dos analistas, câmbio baixo significa preço baixo para o produtor. “Quando temos dólar baixo, há desestímulo por parte dos importadores e o nosso produto perde competitividade no mercado internacional. O ideal seria o produtor plantar e colher com câmbio no mesmo patamar, o que não ocorrerá mais uma vez”.

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