Iveco apresenta nova família de caminhões pesados

Montadora lança novos modelos em três versões, com 460, 415 e 380 cavalos de potência e promessa de maior economia de combustível, conforto na dirigibilidade e moderno sistema de telemetria para a medição do desempenho. Novos Stralis foram projetados por equipe de 110 engenheiros e demandaram mais de dois milhões de quilômetros nos testes

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Os modelos mais produtivos e de menor custo operacional do mercado em seu segmento. Assim foram apresentados os novos caminhões da família Iveco Stralis NR, que foi projetada com a participação de clientes da marca. São três versões: a 460NR, a 410NR e a 380NR, com 460cv, 415cv e 380cv de potência, respectivamente. De acordo com a montadora, eles entregam o maior torque em suas faixas de potência, com maior economia de combustível, que pode ser conferida por meio do econômetro instalado no painel. Na versão de 460cv, por exemplo, o torque chega a 2.250 Nm. Com três opções de tração (4×2, 6×2 e 6×4), duas de câmbio, quatro de eixo traseiro e cabinas de teto alto e baixo, a nova linha permite mais de 60 configurações diferente, e todos já vêm preparados para atender às exigências do Euro5.

Equipados com uma nova transmissão ZF, os modelos têm nova relação de marchas e direct drive, reduzida e otimizada. Redesenhado, o sistema de marchas ficou 40% mais macio que o anterior. A embreagem, agora mais leve que a de um automóvel, foi desenvolvida no País e já tem pedido de patente mundial em andamento.

Nos novos modelos, o sistema de freios apresenta um aumento de 20% na sua capacidade de frenagem, de acordo com João Medeiros, diretor de Engenharia da FPT. Eles podem ter essa potência ainda mais elevada com a adoção de um opcional, o Intarder, que é um sistema suplementar de frenagem integrado à transmissão. “Eles apresentam uma melhor dirigibilidade com menos troca de marca”, conta Medeiros.

Telemetria

A família Iveco Stralis NR já vem também com um sistema de telemetria aberta integrado, o “Frota Fácil”. Com um custo 50% menor que seu principal concorrente, segundo Ricardo Coelho, Engenheiro de Produtos da Iveco, o sistema pode ser utilizado tanto por grandes empresas, que querem flexibilidade na escolha das prestadoras de serviço de rastreamento, como por pequenos frotistas. Nesse caso, o acesso às informações é simples.

Os dados podem ser descarregados através de uma porta USB, instalada no painel do veículo. Por meio de um software, pode-se analisar o consumo de combustível diário ou média do período, tempo na faixa econômica, velocidade, rotação do motor, frenagens de emergência, pressão de óleo e superaquecimento do motor, entre outros.

Para 2010, estima-se que sejam produzidos de 4 mil a 4.500 unidades desses caminhões. Os valores variam conforme a configuração de cada um, mas vão de R$ 280 mil, na versão mais simples, até R$ 380 mil, na mais completa.

Desenvolvimento

Iniciado em 2007, o projeto do Iveco Stralis NR levou 18 meses para ser concluído. No total, foram 110 engenheiros envolvidos e os testes, feitos por cerca de 50 clientes nas regiões Sul (conjuntos bitrem e rodotrem em topografia acidentada) e Centro-Oeste (aplicação severa de bitrem graneleiro), consumiram mais de 2 milhões de quilômetros.

Freio Motor

Para aumentar a potência de frenagem em 20 %, passando de 347cv para 415cv nos modelos 460NR e 410NR, os caminhões Iveco Stralis NR vêm agora equipados com válvula do tipo ‘borboleta’ no sistema de exaustão, combinado com o freio de descompressão Iveco Turbo Brake (ITB). Esse sistema de freio motor é chamado de CEB (Combined Engine Brake).

Para aumentar ainda mais essa potência, os dois modelos citados logo acima podem ter como opcional na configuração 6×4 o novo sistema ZF Intarder de frenagem auxiliar, integrado à transmissão. O dispositivo aumenta em mais 35% (145cv) a potência de frenagem total, totalizando 560cv. O equipamento também já vem com freios ABS.

Embreagem

O esforço de acionamento de embreagem dos modelos 460cv e 410cv é de apenas 8km. Ou seja, metade do esforço exigido por um caminhão normal. O sistema é mais macio que o de um automóvel. No pedal, o esforço também diminuiu. São, agora, dois sistemas pneumáticos que atuam de forma auxiliar ao sistema simples, normalmente adotado em todos os caminhões. O engenheiro responsável também desenvolveu uma embreagem monodisco e mais robusta.

O conforto na troca de marchas deve-se ao projeto do sistema de engate, que foi criado para reduzir em 40% o esforço do motorista com a alavanca de câmbio. Agora, o servo da transmissão é acionado com 75% do curso do pedal de embreagem.

Toda essa inovação é obra do engenheiro Ricardo Coelho, cujo projeto conquistou a primeira patente registrada na matriz italiana da Iveco em nome do Centro de Desenvolvimento de Produto Iveco de Sete Lagoas.

Manutenção

A manutenção inicial para aplicações bitrens e rodotrens está fixada nos 30 mil km, diferentemente dos 10 mil km que anteriormente eram recomendados. O prazo para as revisões periódicas também sofreram alterações. Passam dos antigos 20 mil km para cada 30 mil km. “Isso sem prejuízo da qualidade do produto”, conta Mauricio Gouveia, diretor de Pós-Venda da Iveco Latin America. “Nosso custo de manutenção está abaixo da média praticada pelo mercado em dois anos de manutenções programadas”, completa.

Os novos conjuntos de motor-transmissão (powertrain), alterados para as condições brasileiras, permitem a utilização de óleo semi-sintético na caixa de câmbio com durabilidade de até 240 mil km. O óleo mineral utilizado anteriormente permitia apenas 60 mil km. O intervalo para a troca da correia do motor também foi ampliado, e agora pode ser feito aos 90 mil km – um aumento de 50%.

Surpresa

Felipe Massa, piloto de Fórmula 1 pela Ferrari, marcou presença no evento de lançamento da linha Stralis NR. Lá, Massa deixou sua assinatura em um caminhão branco, que havia recebido as assinaturas de todos os envolvidos no projeto dessa nova família de pesados.

Por: Bruno Martins – Redação Portal Transporta Brasil

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