Chuvas complicam o transporte de cargas na maior cidade do País

Alagamentos, trânsito caótico e perda de produtividade acendem a luz vermelha para as empresas de transportes que operam em São Paulo. Na capital paulista, janeiro já é o mês com maior concentração de chuvas desde que as medições da Central de Gerenciamento de Emergência começaram, em 1995

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As chuvas estão castigando as mais diversas regiões do Brasil neste início de verão. Nos noticiários, o que se vê diariamente são problemas com deslizamentos, mortes, pessoas desabrigadas, alagamentos e um verdadeiro nó em todo o sistema logístico nacional. Em São Paulo, o mês de janeiro já é o mais chuvoso da história, desde quando começou a medição das precipitações pela CGE (Central de Gerenciamento de Emergência), órgão da prefeitura que mede o nível de risco causado pelas tempestades na maior cidade do Brasil.

Entidades representativas do transporte em São Paulo e Região informam que os prejuízos com as chuvas são incalculáveis. Segundo Rogério Helou, diretor do SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região), um dia parado em uma transportadora gera problemas de quebra de produtividade, ociosidade dos veículos, das equipes e risco de quebra de contratos com os clientes. “Se formos fazer uma conta, chegaríamos a um número astronômico. Somente em São Paulo, que tem mais de sete mil empresas de transporte de cargas, os prejuízos com os alagamentos, que impedem os veículos de transitar, passam de R$ 300 milhões em um único dia”, comenta o dirigente.

Nas últimas semanas, vias importantes para o transporte de cargas como as Marginais Tietê e Pinheiros, as rodovias Presidente Dutra, Fernão Dias, Régis Bittencourt, Anchieta, Imigrantes, Castello Branco e Raposo Tavares apresentaram pontos de alagamento intransitáveis, impedindo a fluidez das cargas e causando transtornos para os negócios em transporte.

Nesta terça-feira, dia 26 de janeiro, o acesso a São Paulo pela Via Dutra ficou interrompido por quase uma hora devido ao alagamento das pistas locais nas proximidades da confluência da rodovia com a Marginal Tietê, conforme a foto abaixo:

Segundo relatos de transportadores, muitas empresas ficaram ilhadas pelas enchentes em diversas regiões da cidade, impossibilitando as operações e criando um ambiente de muita preocupação no setor.

O Ceagesp, maior entreposto de frutas, verduras e hortaliças do Brasil, ficou debaixo d’água por pelo menos duas vezes este mês. “Precisamos alertar as autoridades para um sistema logístico mais eficaz na cidade de São Paulo. Centros de Distribuição importantes como o Ceagesp e os de grandes empresas varejistas têm de ser melhor pensados, têm que ficar fora do perímetro da cidade, para que haja maior agilidade. Com o Trecho Sul do Rodoanel prestes a ser inaugurado, acredito que haverá mais opções para a implementação destes centros logísticos. Mas também temos que conscientizar a população a não jogar lixo nas vias. Este é um dos principais motivos das enchentes”, comenta o presidente do SETCESP, Francisco Pelucio.

O verão e o caos logístico na cidade foram comentados pelo articulista do Portal Transporta Brasil, Antonio Wrobleski Filho, em texto publicado no portal recentemente.

Por: Leonardo Helou Doca de Andrade – Redação Portal Transporta Brasil

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