Trem de alta velocidade sairá para Olimpíadas

A minuta da licitação, com custo estimado em R$ 34 bilhões, prevê novidades como a obrigatoriedade de uma estação na cidade de Aparecida (SP), e uma redução no preço máximo da passagem, anteriormente calculada em R$ 0,60 por quilômetro, mas agora a R$ 0,50

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Não foi possível para a Copa de 2014, mas o trem de alta velocidade (TAV) poderá atender o fluxo de turistas entre os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo durante os Jogos Olímpicos de 2016. Pelo menos é essa a intenção do governo, com a publicação na sexta-feira da modelagem para a concorrência do TAV. A minuta da licitação, com custo estimado em R$ 34 bilhões, prevê novidades como a obrigatoriedade de uma estação na cidade de Aparecida (SP), e uma redução no preço máximo da passagem, anteriormente calculada em R$ 0,60 por quilômetro, mas agora a R$ 0,50.

A oficialização do modelo é o passo principal para abertura das audiências públicas, onde serão apresentadas contribuições, em janeiro próximo, via internet e presencialmente nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas e Brasília. Agora, as empresas começam a se mobilizar.

“É certeza que o fim de ano será de muito trabalho em função desse edital que está sendo publicado”, comentou Paulo Benites, presidente da Trends Engenharia e Infraestrutura. A empresa é coordenadora no Brasil de um grupo coreano interessado no TAV.

Sobre a obrigatoriedade da parada na cidade de Aparecida, o executivo crê ser algo viável. “Ali existe uma demanda expressiva, especialmente aos finais de semana e também de excursões o ano todo”, analisou. Em relação a implementação de um linha expressa entre São Paulo e Rio, o presidente da Trends colocou ser possível, porém teria de ser dada uma flexibilidade para que cada grupo possa fazer seu plano mercadológico.

Benites contou que a Coreia estruturou um grupo que atende as áreas desde o projeto, à construção, operação, material rodante e suporte financeiro, ao se preparar para a disputa. “Estamos em fase da busca de parceiros brasileiros nestes setores.”

Não é só a Coreia que se prepara com afinco para a concorrência do TAV. Nos bastidores, especialistas contam os estrangeiros que desejam o TAV brasileiro, se organizam e correm em atrás de parceiros locais. Estão com essa disposição franceses, espanhóis, alemães, chineses e japoneses.

Na área de material rodante (trens), sinalização e equipamentos, corporações especializadas nos trens rápidos e que têm negócios no setor ferroviário do Brasil, têm planos claros em integrar a concorrência. Estão na lista a Alstom Transport, a Siemens Mobility e a Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF), que inaugura sua primeira fábrica por aqui.

“Temos, sim, interesse no projeto do TAV Brasil, pois ele se enquadra no perfil de produtos da empresa”, comentou Paulo Fontenelle, presidente da CAF, durante um seminário sobre infraestrutura, em São Paulo.

Outro setor que deve se movimentar em torno do projeto é o de construção pesada. Dos R$ 34 bilhões, cerca de 70% são obras civis. O Brasil tem grandes grupos especializados em infraestrutura. Entre elas, um possível candidato a levar uma obra desse porte, seria a Odebrecht. A construtora está otimista em relação aos trabalhos que virão na área de infraestrutura. Carlos Armando Paschoal, diretor superintendente em São Paulo da Odebrecht Serviços de Engenharia e Construção, conversou recentemente com o DCI, ocasião em que incluiu os projetos de mobilidade urbana, estádios, rodovias e o TAV, como oportunidades. “A empresa está atenta aos negócios que possam trazer retorno”, disse.

Ajuste

Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) está otimista com a modelagem divulgada pelo governo.

Especialmente, a redução da tarifa-teto em cerca de 17%, que vai desencadear em um preço de bilhete em consonância com os outros modais existentes no trecho. “Com o novo valor, a passagem de São Paulo ao Rio custaria R$ 200, mas a expectativa é de que caia à R$ 180”, disse à jornalistas na sexta.

Figueiredo divulgou as principais alterações para minuta de licitação, como a estação em Aparecida.

Agora, as paradas obrigatórias serão no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), no Campo de Marte, capital paulista, no Aeroporto de Guarulhos (SP), duas na região do Vale do Paraíba , uma em São Paulo e outra no Rio, seguindo para Barão de Mauá e o Aeroporto do Galeão, no Rio – o percurso previsto para uma hora e meia terá aproximadamente 510 quilômetros no total.

O documento ainda prevê “garantia de proposta” de R$ 340 milhões, por parte dos proponentes. Se tudo seguir dentro do cronograma desejado, o vencedor sairá em maio, sendo que o critério de julgamento será a combinação entre a oferta do menor valor de financiamento público com a oferta de menor valor de tarifa-teto para a classe econômica.

Viajar do Rio de Janeiro a São Paulo em menos de duas horas já não é um sonho tão distante para os brasileiros, pois começa a ser desenhado um dos maiores projetos na área de infraestrutura e transportes do País: a implementação do trem de alta velocidade (TAV), que por ter se arrastado até semana passada -o governo publicou o edital da modelagem para a concorrência a sexta-feira- deixará de atender ao fluxo de turistas durante a Copa do Mundo de 2014, mas terá de estar afinado para atender ao público nos Jogos Olímpicos de 2016.

A proposta prevê nove paradas obrigatórias entre Rio e São Paulo, porém orienta a implantação de uma linha direta -sem paradas- no trajeto. Constam no percurso a obrigatoriedade de estação na cidade de Aparecida (SP), no Campo de Marte, e redução no preço máximo da passagem, anteriormente calculada em R$ 0,60 por quilômetro, mas agora a R$ 0,50.

Bernardo Figueiredo, diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), está otimista em relação à modelagem, e reforça que há empresas de países como Coreia do Sul, Alemanha, França e Espanha interessadas em disputar a obra. Como a intenção do poder público e da iniciativa privada é ter o TAV pronto em cinco anos, começa a corrida contra o tempo. As empresas vão formular projetos e debater nas audiências públicas no começo do ano. A previsão é de que o leilão será em maio. O projeto envolverá R$ 34 bilhões.

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