Modelo para trem veloz deve sair hoje; setor requer R$ 74 bi

A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) apontou de que a longo prazo (até 2025) seriam necessários R$ 54,5 bilhões instalar um sistema de trilhos ideal para o Brasil

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Com a perspectiva de que hoje seja apresentada ao mercado a modelagem para a implementação do trem de alta velocidade (TAV), o setor amanhece com a notícia de que a constituição da infraestrutura de uma rede de ferrovias eficiente no País absorveria aportes na casa dos R$ 74 bilhões, incluindo-se a execução das obras do TAV para dar conta da demanda atual e futura. Ontem, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) apontou de que a longo prazo (até 2025) seriam necessários R$ 54,5 bilhões instalar um sistema de trilhos ideal para o Brasil. Se se quiser sanar os gargalos mais urgentes devem-se aplicar ao menos R$ 25,8 bilhões na ampliação da malha, na recuperação e na duplicação ferroviária.

“Apesar da necessidade de um volume expressivo de investimentos, o sistema avançou e existem vários projetos em curso”, disse Rodrigo Vilaça, presidente da Seção Ferroviária da CNT e também diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

O executivo comentou que existem hoje 11 mil quilômetros de ferrovias projetadas no plano de expansão e quase R$ 25 bilhões do que será investido são ao setor de cargas. “Mas haverá uma tendência do uso misto também para os trens de passageiros”, comentou ao DCI, ao explicar que a nova malha a ser construída permite esse tipo de situação.

Se realizados todos os aportes necessários ao setor até 2025, a participação das ferrovias saltaria de 25% para mais de 35% no transporte de cargas nacional – o modal é competitivo na movimentação de grande volumes, a longas distâncias.

De acordo com Vilaça, é possível dar andamento ao processo de ampliação de toda essa malha, com a continuidade ao programa de concessões e o aprimoramento do ambiente regulatório. “Uma das formas adequadas é a construção por parte de iniciativa privada e a participação do governo com as desapropriações e licença ambiental”, opinou o representante da CNT.

Pelos moldes atuais, está nas mãos da estatal Valec Engenharia, Construções e Ferrovias o papel de construir, para depois conceder, as ferrovias. Hoje, duas operadoras privadas, a América Latina Logística (ALL) e a Vale Logística, da Vale, investem recursos em trechos ferroviários.

O grande projeto de integração da malha ferroviária brasileira de norte a sul, para a qual os valores a serem investidos estão dentro do montante orçado no estudo da CNT, tem como obras prioritárias a continuidade da Transnordestina, a complementação da Ferrovia Norte-Sul e o Ferroanel de São Paulo. Soma-se a tudo o fato de que há entraves técnicos a serem vencidos, como a construção de moradias irregulares aos lados do trilhos e o cruzamento das ferrovias com avenidas e estradas.

A Pesquisa CNT de Ferrovias em 2009, traça um panorama da do transporte por ferrovias, desde a concessão das malhas federais ao setor privado, a partir de 1996. Os principais parâmetros utilizados foram os indicadores de desempenho das concessionárias e a opinião dos clientes.

Operadora

A América Latina Logística (ALL) prepara-se para o transporte da safra de 2010, prevendo que deve investir R$ 100 milhões para atender a demanda – a estimativa é que a safra seja 12% maior a partir de fevereiro próximo. O plano de aportes de ALL inclui a compra de 10 locomotivas, melhorias nos terminais de movimentação de cargas do Alto Araguaia e de Santos, e ajustes nas vias (trilhos).

“Para garantir uma produção 12% maior, o plano 2010 traz investimentos expressivos nas pontas, com maior foco na carga e descarga”, comentou Roberto Monteiro, Diretor de Operações da ALL, ao incluir que a ação permitirá o aumento da eficiência operacional no todo. A previsão da ALL é de que sejam movimentadas 580 vagões em Santos e 436 em Alto Araguaia, diariamente.

As locomotivas destinadas ao projeto, encomendadas da General Electric (GE), trazem vantagens operacionais como a de transportar 8 mil toneladas em uma única máquina. É a primeira vez em que companhia compra estes equipamentos novos: anteriormente eles eram importados usados.

A ALL conta com uma malha ferroviária de mais de 21 mil quilômetros, no sul, no sudeste e no centro-oeste do País, além de um braço argentino. A frota da companhia tem mais de mil locomotivas, 31 mil vagões e mil caminhões. Entre os clientes, estão empresas como Cargill, Bunge, AmBev, Unilever, Votorantim, Scania, Petrobras e Gerdau.

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