Deficiências de transportes ainda dificultam integração econômica do Brasil com a América Latina

Os custos são altos e inviabilizam o comércio entre as regiões - afirmou Mincarone

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Carência de rodovias e de ferrovias e o pouco desenvolvimento das hidrovias são alguns dos problemas que tem atrasado a integração econômica do Brasil com o restante da América Latina. Para o presidente da Associação Brasileira de Transportes Internacionais (ABTI), Luiz Alberto Mincarone, o setor de transporte é um “elemento vital” para integração regional, que facilitaria o fluxo de bens e pessoas.

– Precisamos de transporte adequado, rodovias, aduanas e integração intermodal. Vamos conseguir reduzir os custos e aumentar a competitividade na América Latina. Os custos são altos e inviabilizam o comércio entre as regiões – afirmou Mincarone em audiência pública realizada na noite desta segunda-feira (14) na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) sobre o tema “Infraestrutura e integração na América Latina”.

Segundo Mincarone, a integração regional do continente pode ocorrer por meio de eixos rodoviários, ferroviários e aquaviários, que se sobressairiam de acordo com condições naturais de cada região. Ele disse ainda que “não existe competitividade entre os modais, mas complementaridade”, e que a integração entre os diversos países exige a “liberação ágil” de mercadorias e veículos.

– Atualmente não temos essa agilidade no Mercosul. O Congresso Nacional tem que buscar solução nesse aspecto para a integração – afirmou.

Também participaram do evento, que faz parte do ciclo de debates Agenda 2009-2015: Desafios Estratégicos Setoriais, o secretário-executivo da Federação das Câmaras de Comércio da América Latina e presidente da Associação Brasileira de Integração e Desenvolvimento (Abides), Everton de Almeida Carvalho; o diretor-executivo da Agência Nacional dos Transportes Ferroviários (ANFT), Rodrigo Otaviano Vilaça; e o diretor-presidente do Corredor Atlântico do Mercosul, Paulo Vivacqua.

Eletricidade

O representante da Abides, Everton de Almeida Carvalho, disse que a integração continental dos modais de transporte tem relação estreita com a questão da eletricidade, sobretudo hoje, com os projetos de construção de usinas no Rio Madeira, na Região Norte do país, com impactos na Bolívia e outros países sul-americanos.

– O cenário energético da América do Sul é conhecido, com tendência de aumento de participação do gás natural. A expansão da integração elétrica depende da solução de problemas técnicos e políticos – afirmou.

Na avaliação do representante da ANFT, Rodrigo Otaviano Vilaça, a integração da matriz de transporte no Brasil “está fragmentada”, tendo em vista a existência de “três agências reguladoras e dois ministérios” para tratar do mesmo tema.

Vilaça criticou ainda a existência de bitolas diferentes nas ferrovias dos países sul-americanos, além da existência de hidrovias no Brasil sem eclusas, o que prejudica o seu potencial de utilização. Disse ainda que os gasodutos são “pouquíssimo explorados”e que seu uso “é distorcido” em relação às necessidades do país.

– Não é apenas pela Copa do Mundo de 2014 e pela Olimpíada de 2016 que precisamos melhorar a estrutura – afirmou.

Vilaça disse ainda que é preciso impulsionar os corredores ferroviários – “a ferrovia brasileira precisa ser interiorizada” – e priorizar os projetos de acesso terrestre aos portos brasileiros.

– É preciso pensar primeiro em nossa situação interna e depois pensar nos corredores interoceânicos e desenvolver um sistema único de regulamentação interna do sistema ferroviário – afirmou.

Matriz

A política de transportes no Brasil tem que ser feita de forma ordenada com a exploração dos recursos existentes no interior e com a proteção dos ecossistemas naturais do país. A afirmação foi feita pelo diretor-presidente do Corredor Atlântico do Mercosul, Paulo Vivacqua.

Em sua exposição, Vicacqua criticou o predomínio da matriz rodoviária no transporte de cargas no Brasil, o que reduz a competitividade do país e o diferencia de outras nações como Canadá, a China e a Rússia.

– Nosso custo médio de transporte interno é o dobro desses países. Perdemos US$ 21 bilhões por ano por essa razão. Isso baixa a nossa competição – afirmou.

A concentração econômica ao longo do Oceano Atlântico, disse Vivacqua, também torna vulnerável a economia local e atrapalha o fluxo comercial do Brasil com outros países. A construção de ferrovias e a dinamização dos rios iria produzir “outro continente” e favorecer o comércio, assim como a criação de corredores interoceânicos para a interligação de regiões da América do Sul e Caribe que reúnem pólos de produção de riqueza, afirmou.

Vivacqua disse ainda que a exploração de jazidas minerais tem que estar associada ao aperfeiçoamento do sistema de educação e à formação de quadros profissionais, assim como a melhoria no sistema de infraestrutura, inclusive com saneamento e construção de moradias.

– A riqueza do país é a soma da riqueza natural, do capital humano e seus recursos físicos – afirmou.

Os painéis de debates vem sendo promovidos desde o ínicio do ano pela CI, presidida pelo senador Fernando Collor.

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