Debatedores defendem investimentos em transporte aquaviário

Para desenvolver ainda mais o modal aquaviário, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Fialho, cobrou medidas que promovam a integração dos tipos de transportes e a melhora da logística

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O ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, afirmou, nesta terça-feira, que o setor portuário não sofreu impacto com a crise internacional e que o governo brasileiro manteve integralmente seus investimentos na área. Durante o seminário “Portos e vias navegáveis: um olhar sobre a infraestrutura”, ele lembrou que, só na dragagem dos 20 maiores portos, foi investido R$ 1,5 bilhão.

Essa obra, disse ele, vai permitir um impacto positivo no comércio externo em médio prazo, pois possibilitará a chegada de navios maiores e com mais carga, o que reduzirá o valor do frete. No porto de Santos, por exemplo, a dragagem permitirá a atracação de navios com calado – profundidade do ponto mais baixo da embarcação – de até 17 metros.

Para desenvolver ainda mais o modal aquaviário, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Fialho, cobrou medidas que promovam a integração dos tipos de transportes e a melhora da logística. “Temos que pensar nos trechos e nas cargas envolvidas no processo para definir a melhor maneira de transporte”, disse ele.

Segundo Fialho, atualmente o Brasil utiliza 15 mil km de hidrovias para o transporte de 30 milhões de toneladas de carga por ano. Esses números seriam muito menores que o potencial brasileiro, que é de 42 mil km de hidrovias com capacidade de exportar, no mínimo, 60% de toda a produção do agronegócio. “O Brasil é extremamente produtivo, mas perde competitividade na logística.”

Aproveitando a realização da conferência do clima em Copenhague (Dinamarca), Fialho acrescentou que a transferência de parte da produção das rodovias para as hidrovias representaria uma queda de até 68% na emissão de CO2 em toda cadeia do agronegócio, o maior emissor no Brasil. Além disso, iria melhorar a distribuição de renda do setor, com a queda nos custos. “Quanto mais economia na logística, mais fica dinheiro na mão do produtor”, declarou.

Integração
Durante o evento, deputados cobraram medidas que permitam maior integração entre os tipos de transporte existentes no Brasil e a melhor utilização das ferrovias e hidrovias. O deputado Edinho Bez (PMDB-SC), que é coordenador de Portos e Vias Navegáveis da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Infraestrutura Nacional, lembrou que a média do custo de frete nas rodovias é de R$ 120 por tonelada, valor que cai para R$ 75 nas ferrovias e R$ 40 nas hidrovias.

“O modal hidroviário permite menor consumo de combustível, reduz os congestionamentos de trânsito e acidentes, tem custos mais baixos de infraestrutura e operacionais, além de menor impacto ambiental”, ressaltou o deputado.

Bez destacou ainda que uma barcaça transporta o equivalente a 55 carretas. “Ter a consciência de que investir em hidrovias reduz o custo logístico de um país é fundamental. Sabemos que, embora a produção de grãos dos americanos seja mais cara do que no Brasil, na hora de transportar a carga, o custo logístico fica mais baixo por conta da opção pelas hidrovias.”

O 1º vice-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), disse que o Brasil não conseguirá manter os níveis de crescimento econômico registrados até 2008 sem melhorar a infraestrutura de transporte. Já o presidente da Frente Parlamentar de Logística de Transportes e Armazenagem, deputado Homero Pereira (PR-MT), advertiu que o País perde competitividade “da porteira para fora”. Ele afirma que o agronegócio brasileiro é eficiente, mas perde recursos no transporte.

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