Fiat, Ford, GM e Volks preveem crescimento de 6% nas vendas

Mesmo aguardando um primeiro semestre menos aquecido em 2010, tanto por conta da volta integral da alíquota do imposto em janeiro, quanto pela sazonalidade natural no período, as fabricantes apostam que o mercado doméstico irá se expandir em até 6%

Infraero vai investir R$ 400 milhões em Brasília
GM demorou a reconhecer erros e o declínio, afirma especialista
ANAC coloca em consulta pública projeto de liberdade tarifária para todos os vôos internacionais

A expectativa de crescimento das vendas de automóveis no mercado brasileiro para os próximos anos, rumo a um volume de quatro milhões de veículos em 2014, não foi abalada com o retorno do Imposto sobre os Produtos Industrializados (IPI). Mesmo aguardando um primeiro semestre menos aquecido em 2010, tanto por conta da volta integral da alíquota do imposto em janeiro, quanto pela sazonalidade natural no período, as fabricantes apostam que o mercado doméstico irá se expandir em até 6%, na comparação com os números recordes de 2009, dependendo da análise de cada montadora.

A Volkswagen do Brasil, em sua projeção mais otimista, estima crescimento de 6%. A montadora está a poucas semanas de anunciar novos aportes no Brasil para incremento de sua produção. “Como a previsão de crescimento é forte, o investimento será grande”, garantiu o presidente da Volks do Brasil, Thomas Schmall.

Segundo o executivo, o objetivo não será construir uma nova unidade fabril e que, no momento, a montadora estuda questões sobre competitividade para definir o destino do montante, que terá sua maturação em 2014. Nesse ano, a companhia alemã projeta vender um milhão das quatro milhões de unidades estimadas para serem comercializadas no mercado brasileiro. “O investimento será necessário para manter o crescimento”, afirmou.

O desempenho do mercado brasileiro está, ainda, ampliando a participação das operações brasileiras da montadora. O País deverá representar, no fechamento de 2009, 11,7% das vendas mundiais do grupo, contra os 9,3% anotados em 2008. “A América do Sul e Ásia são os mercados do futuro”, disse. Para 2010, a Volkswagen do Brasil planeja, no mínimo, dez lançamentos no mercado nacional.

Preços

O custo do carro vai subir em 2010, tanto pelo retorno integral do IPI, quanto pelo custo de fabricação dos veículos, o que irá impactar as montadoras e consumidores. Segundo o presidente da General Motors do Brasil (GMB), Jaime Ardila, o IPI, mais a antecipação de compras deste ano, somado ao aumento dos preços, levarão a indústria automobilística brasileira a ter resultados em 2010 similares aos que serão registrados no final deste ano. “Apenas o rastreador, que já começa a ser implantado em fevereiro, pode aumentar o preço do veículo em R$ 500”, afirmou Ardila. “Mas se meus concorrentes estão sendo mais otimistas, estou torcendo por eles”, concluiu. A previsão atual da GM para 2009 é que a indústria automobilística brasileira feche o ano com 3,140 milhões de veículos comercializados no País, 140 mil a mais do que a projeção da Anfavea (associação que reúne as montadoras) .

Mesmo mais conservadora, a GM irá lançar de três a quatro modelos em 2010, “importado e de produção local”, segundo o presidente da montadora. A GMB iniciará a produção do segundo modelo da família Viva na metade de 2010, em sua unidade em São Caetano (SP).

Mercado aquecido

O mercado interno de quatro milhões de unidades nos próximos cinco anos é considerada “pessimista” pela Ford, afirmou o diretor de Assuntos Corporativos da Ford na América do Sul, Rogelio Golfarb. Já para 2010, a Ford acredita em expansão de 5% do mercado doméstico ante 2009.

Segundo o executivo, o IPI é uma “questão já resolvida” e que a Ford está agora mais preocupada com questões estruturais. “Nos próximos cinco anos nossos investimentos dependem de um plano de negócios. Sabemos que o mercado vai crescer e a questão é de quanto”, afirmou Golfarb. “Não acredito que as coisas, no Brasil e no mundo, serão como antes da crise. Por isso, é preciso repensar o modelo produtivo. Estamos mais preocupados com o cenário de investimento e produtividade”, completou.

Já a italiana Fiat projeta para o próximo ano crescimento que poderá ir de 1% a 5%, segundo o diretor comercial da montadora, Lélio Ramos. “Neste ano o IPI foi responsável pelas vendas de 300 mil unidades”, disse.

Até o final do ano, a Anfavea aguarda vendas aquecidas, mesmo com o retorno gradual do IPI Por outro lado, o presidente da entidade, Jackson Schneider, aguarda “dificuldades no início de 2010”, mas prevê “crescimento de um dígito para o ano”. Questionada sobre as ofertas da indústria e concessionárias para segurarem o IPI, o executivo afirmou que não existe uma posição da indústria. “Esta é uma decisão comercial”, disse. (Fernanda Guimarães-DCI)

Veja matéria original

COMMENTS