Cargas argentinas param em Foz

Com mudança nas regras brasileiras, mais de 180 carregamentos aguardam a licença para entrar no país

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Mais de 180 carregamentos de frutas, cebola, azeitona e farinha de trigo vindos da Argentina aguardavam ontem, em Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, autorização para entrar no país. Os caminhões estão parados por causa de uma mudança no processo de importação. Desde 14 de outubro o Brasil passou a exigir licenças não automáticas para produtos argentinos. O problema também ocorre em Dionísio Cerqueira (SC) e Uruguaiana (RS).

Sem saber o tempo para o recebimento da liberação e com carregamentos perecíveis, muitos importadores estão tendo que descarregar os caminhões e estocar os produtos em armazéns da região. Cerca de 150 cargas, porém, por falta de espaço e de condições de acondicionamento, não ingressaram no país.

As mudanças surpreenderam importadores e motoristas ainda a caminho da fronteira. Dos mais de 600 desembaraços concluídos por dia em Foz do Iguaçu, cerca de 120 são de produtos argentinos. “Por enquanto ainda não temos como apurar os prejuízos econômicos provocados por essa decisão repentina do governo brasileiro. Isso só vai poder ser feito quando as primeiras cargas chegarem ao destino e as importadoras contabilizarem os custos com o tempo parado, a descarga e a recarga”, adianta o presidente da Câmara de Comércio Exterior da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, Mário Camargo.

Ontem, 30 cargas foram liberadas depois de quase duas semanas. Normalmente, quando não há nenhum problema com a documentação ou na fiscalização fitossanitária feita pelos técnicos do Ministério da Agricultura, os despachos são concluídos em no máximo 48 horas. Em alguns casos, uma carga de farinha que chega de manhã no final da tarde já está autorizada a deixar o pátio da estação aduaneira.

Carga ferroviária

No Porto Seco ferroviário de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, quase cem contêiners de farinha de trigo da Argentina, que somam 2,5 mil toneladas, aguardam a emissão de licença. A carga chegou ao porto alfandegado no dia 14 de outubro.

O procedimento de transbordo da mercadoria para vagões ferroviários brasileiros – medida necessária porque a bitola dos trens argentinos é diferente – e a emissão da licença habitualmente demorariam 48 horas, afirma o gerente do Porto Seco ferroviário, que é operado pela América Latina Logística (ALL), Miguel Angelo Evangelista Jorge. “A informação que temos é que falta anuência da licença de importação”, afirma ele.

Processo

O fim da licença levou os produtores de frutas frescas da Argentina a estudarem entrar na Justiça contra o Brasil. O governador de Mendoza, Celso Jaque, assinou decreto para ativar ações judiciais de cobrança de pagamento dos prejuízos provocados pelas restrições comerciais. (Fabiula Wurmeister, da sucursal, com agências – Gazeta do Povo – PR)

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