Brasil começa a liberar cargas

Pressionado pela Argentina, governo começa a agilizar a expedição de licenças de importação

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O processo de liberação de carregamentos de produtos argentinos começou a ser agilizado pelo governo brasileiro. Nos últimos dois dias, 40 dos 180 caminhões que estavam parados em Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, receberam a licença de importação e puderam seguir viagem.

A exigência da licença para alguns produtos do país vizinho entrou em vigor no último dia 14, mas o processo de liberação estava bastante lento. Pressionado pelos agricultores locais, o governo da Argentina reclamou publicamente da medida adotada pelo Brasil e convocou uma reunião entre representantes dos dois países. As reclamações parecem ter surtido efeito. Em Uruguaiana, no Rio Grande Sul, a expedição de licenças de importação também aumentou ontem.

O governo brasileiro nega retaliação, mas confirmou que espera que a Argentina reveja as barreiras impostas há pouco mais de um ano a uma extensa lista de produtos brasileiros, em especial os têxteis, os da linha branca (eletrodomésticos) e automotores. Com o embargo e a crise financeira mundial, as exportações desses itens para o país vizinho caíram 20% desde outubro do ano passado.

“O maior temor é que, ao dificultar a entrada dos produtos brasileiros, a Argentina possibilite que outros mercados possam ocupar esse espaço, principalmente a indústria têxtil chinesa”, contextualiza o secretário do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) no Paraná, Santiago Gallo. Quanto ao novo capítulo da queda de braço bilateral, ele aponta que o impasse já começa a dar sinais de que será solucionado em breve.

Como as licenças de importação deixaram de ser automáticas, as cargas só podem embarcar depois de autorizadas, ainda na origem, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Isso pode demorar até 60 dias. Antes, a liberação era feita automaticamente, já na fronteira, em no máximo 48 horas.

Ceia de Natal

As mudanças adotadas pelo Brasil podem elevar os preços do vinho, da farinha de trigo, do azeite e de algumas frutas, todos produtos que compõem a ceia de Natal. O resultado pode ser um gasto maior com as refeições para as festas de fim de ano.

A demanda maior que a oferta também dá margem a especulações. “Quem não tiver quantidade suficiente agora, terá que pagar mais caro depois. Isso afeta a inflação e os preços tendem a subir”, projeta o Gallo. A farinha de trigo argentina garante 20% do consumo brasileiro anual de 7 milhões de toneladas – 70% atendido pela própria indústria. (Fabiula Wurmeister, da sucursal-Gazeta do Povo – PR)

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