AMC vai restringir circulação de caminhões na Aldeota (CE)

A medida não vai atingir ruas secundárias. Portanto, os veículos poderão continuar circulando por elas

Terminal de cargas terá inauguração oficial
Obras do Porto do Pecém serão concluídas até o fim de 2010
Infraero promove Carnaval para crianças com câncer no aeroporto de Fortaleza (CE)

Em novembro do ano passado, o Ministério Público Estadual fez uma série de recomendações à Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC). A maioria das orientações ficou no papel. Porém, uma delas, que diz respeito à restrição do tráfego de caminhões de carga e descarga, deve começar a ser aplicada, no máximo, em 45 dias. Com a medida, os veículos não poderão circular entre 6h e 20h não só no Centro, mas em avenidas de grande circulação da região leste da cidade, que compreende Aldeota e adjacências.

O horário ainda pode ser mudado, pois está em estudo. A informação é do presidente da AMC, Fernando Bezerra, que hoje se reúne com empresários para discutir a regra. Segundo ele, a norma será estendida aos grandes corredores da região leste, em especial a Aldeota, porque o bairro e seu entorno concentram 70% do fluxo de veículos na cidade, nos dias e horários úteis. Assim, caminhões que fazem entrega de produtos perecíveis, não perecíveis, alimentícios, móveis e outros terão de cumprir itinerários entre 20h e 6h da manhã. Bairros como Dionísio Torres, Joaquim Távora, Meireles e Varjota devem ficar entre os restritos.

De acordo com Bezerra, a proibição caberá a algumas avenidas, o que significa que os veículos poderão circular por ruas secundárias. Para ele, adotar o rodízio total, inclusive de veículos de passeio particulares, é impraticável. Independente do local, certo é que de manhã, à tarde e provavelmente até 20 horas caminhões a partir de duas toneladas terão a circulação restrita.

Para Fernando Bezerra, a justificativa se explica por uma demanda social. “Não se admite uma cidade do porte de Fortaleza com o tráfego de caminhões em vias estreitas, sem qualquer regulamentação. A proibição vai resultar grande diferença, todo mundo vai sentir, porque esses corredores já estão saturados”, detalha. O problema é que o espaço de um caminhão corresponde ao de quatro veículos de passeio e, quando um veículo de grande porte vai abastecer, pelo menos uma faixa da via fica comprometida.

Sobre outras medidas, Fernando Bezerra informa que a administração atual está fazendo um “trabalho de recuperação” da sinalização horizontal. Para ele, a sinalização vertical “está bem abastecida”, mas requer melhorias, como instalação de novos semáforos inteligentes. A ideia é dar mais visibilidade e evitar acidentes.

Transfor

Uma licitação para instalação de 202 sinais desse tipo está em andamento. Hoje, há 251 cruzamentos utilizando esse sistema. Os novos equipamentos atenderão principalmente ao Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor). De imediato, deve ser mudado o semáforo do cruzamento das avenidas Júlio Abreu e Engenheiro Santana Júnior. Ao invés de três tempos, serão dois.

Essas são ações pontuais, mas outras iniciativas, de médio e longo prazos, também estão em estudo. Entre elas está transformar em mão única as avenidas Desembargador Moreira (no sentido sertão-praia), Santos Dumont (oeste-leste) e Dom Luiz (leste-oeste), mas não este ano, segundo assegura Bezerra. “Isso vai resolver o conflito diário na Praça Portugal”, ressalta.

Turismo

Em paralelo, o presidente da AMC pretende regulamentar o trânsito na Avenida Beira-Mar, a começar pela retirada, com apoio da Secretaria Executiva Regional (SER) II, dos veículos que estacionam ao lado do calçadão para oferecer a turistas pacotes de passeio pelas praias. Já a Praia de Iracema deve ganhar nova sinalização.

Avenidas como Raul Barbosa, Pontes Vieira, Treze de Maio, José Bastos, Oliveira Paiva e Dedé Brasil também devem ter a sinalização recuperada. Para atender às mudanças, Fernando Bezerra afirma que a fiscalização contará com incremento de agentes concursados.

SEM MUDANÇAS

Ministério Público cobra orientações

Após muitas reuniões e solicitações formais para aplicação de recomendações, o Ministério Público Estadual não vê mudanças significativas no trânsito de Fortaleza. O resultado está nas ruas, todos os dias: com frota de 600 mil veículos, a cidade está sufocada em congestionamentos e banalização das infrações.

A primeira recomendação feita pelo MP em 2008 diz respeito à aplicação de multa e remoção do veículo para aqueles que estacionam sobre calçadas. Já o segundo aspecto se refere à penalidade voltada para pessoas físicas e jurídicas que utilizam a via pública para colocar mesas, cadeiras, cavaletes, placas ou qualquer objeto que obstrua a passagem de pedestres.

Segundo um dos seis promotores do Núcleo de Atuação Especial de Controle, Fiscalização e Acompanhamento de Políticas Públicas do Trânsito (Naetran), Antônio Gilvan de Abreu Melo, a administração passada da AMC se esforçou para fazer esse tipo de fiscalização, mas agora as ações minaram. Sobre outra recomendação, a de restringir em vias de grande circulação veículos que fazem carga e descarga de material em dias úteis, entre 6h e 20h, o promotor diz acreditar que deve haver celeridade na aplicação.

Documento do MP mostra que, em reunião no Naetran, no último dia 13 de agosto, o atual presidente da AMC, Fernando Bezerra, comprometeu-se em concluir o estudo de restrição de veículos de carga e descarga durante a semana, no horário acordado, no prazo de 30 dias.

Na ocasião, conforme documento do MP, Fernando Bezerra disse que as medidas sugeridas estavam “sendo tomadas pela AMC, exceto quanto à restrição de veículos de carga e descarga de mercadoria nas vias de grande circulação, uma vez que o projeto está sendo elaborado”. Na opinião do promotor Gilvan Melo, já era tempo de o projeto estar concluído ou em fase de conclusão.

Desinteresse

Conforme ele, se for comprovado que há “desinteresse da AMC em adotar as medidas”, elas passarão a medidas judiciais. “Se o órgão não põe em prática as ações por desinteresse, está provando ineficiência”. (MARTA BRUNO-REPÓRTER Diário do Nordeste)

Veja matéria original

COMMENTS