Festa de caminhoneiros deve gerar R$ 5 milhões

Rodada de negócios, capacitações, oficinas e muita confraternização marcam a programação para caminhoneiros

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A toda hora tem caminhão buzinando, anunciando a chegada para o Festival dos Caminhoneiros, realizado todo ano neste município. Eles vêm de vários Estados do País e formam comboio na BR-116 para entrar em Tabuleiro do Norte. Os curiosos vão para a calçada, acenam e dão boas vindas a quem veio de muito longe para a “Cidade dos Caminhoneiros”. Além de oficinas, palestras e festas à noite, as principais empresas de peças e acessórios de caminhão do País e bancos financiadores movimentarão cerca de R$ 5 milhões durante esta semana.

Sempre do finalzinho de agosto ao início de setembro, o Festival dos Caminhoneiros é o evento mais tradicional do período no Vale do Jaguaribe e maior do Norte e Nordeste brasileiro nos eventos do setor. Está na 17ª edição, um ano a menos que o período da advogada e caminhoneira Aurineide Gondim à frente da Associação dos Caminhoneiros de Tabuleiro do Norte (Acatan). Empresas como Carropel, Volvo, Briston e Michellin, que movem a cadeia produtiva dos caminhões, já estão com estandes montados, fazendo a venda e fechando negócios para as centenas de caminhoneiros que lotam a cidade. Banco do Brasil e Banco do Nordeste também iniciaram as rodadas de negociações de novos financiamentos para o setor.

“Temos cerca de 18 cartas de projetos para financiamentos junto aos bancos, e isso aqui já dá pelo menos R$ 3 milhões”, afirma Aurineide, referindo-se apenas ao dia de ontem, então a estimativa é de um volume de negócios em média ou até superior a R$ 5 milhões até o próximo domingo. Assim, o caminhoneiro tem o financiamento aprovado e, na mesma hora, já garante a compra de equipamentos ou, até mesmo, de um caminhão novo, afinal manter um caminhão é como manter uma empresa, segundo afirma.

Tabuleiro do Norte ganhou a alcunha de “cidade dos caminhoneiros” por ter uma das maiores médias de caminhoneiro “per capita” do Brasil: de cada 17 habitantes um é caminhoneiro. O caminhão move, literalmente, a economia do município, não só pela renda do motorista, mas principalmente pelo polo metal mecânico em que a cidade se transformou.

Várias oficinas não só consertam o veículo como, mais recentemente, produzem peças pesadas, evitando a necessidade de compra em Fortaleza ou outros centros urbanos do Nordeste. Lá, quem não se fez engenheiro por formação, pode dizer que décadas de trabalho no setor mecânico propiciaram o reconhecimento do talento. Assim, antigos mecânicos são curiosamente visitados por professores e estudantes do curso de eletromecânica do Instituto Federal do Ceará (IFCE), do campus de Limoeiro do Norte.

Durante os dias de evento também acontecem curso de capacitação, promovidos pela vice-governadoria do Estado. São cursos de movimentação de produtos perigosos, de direção defensiva, legislação do trânsito e de primeiros socorros. Em cada um há 40 participantes. Na tarde de hoje, o vice-governador do Estado, Francisco Pinheiro, visitará os cursos e a feira de negócios do festival de caminhoneiros. No domingo, terá alvorada, carreata, mais shows artísticos e sorteio de prêmios.

Gincana tecnológica

Um dos momentos mais curiosos do festival é a gincana tecnológica, em parceria com o IFCE. São criados defeitos mecânicos nos caminhões, por engenheiros mecânicos, para que os caminhoneiros possam identificar rapidamente. É uma forma descontraída para orientar os motoristas para os problemas enfrentados na estrada, a verdadeira morada desses profissionais que escolheram viajar para viver. A vida assume riscos nos acidentes de trânsito e na saúde de quem faz da boléia a casa e também o escritório.

É inegável o fato de que, pelo contato com pessoas de todas as regiões do País, o caminhoneiro está mais suscetível a doenças infecto-contagiosas. É assim com a importação da Gripe A (H1N1), mas principalmente em relação às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Para conter o crescente número de casos notificados de Aids no Interior, também no Festival dos Caminhoneiros haverá alerta sobre o uso de preservativos sexuais. “Evite acidentes, use camisinha”, é dito em camisetas e flanelas distribuídas para os motoristas participantes.

Desde 1983, ano de registro do primeiro caso de Aids no Ceara, até dezembro de 2008, foram notificados no Sistema de Informação de Agravo de Notificação (Sinan) 8.272 casos, sendo 29,4% em mulheres. Nos últimos sete anos (2001-2007), foram notificados, em média, 629 casos novos por ano.

Em 2007, houve registro de 581 casos com taxas de incidência de sete casos por 100 mil habitantes.

EXPECTATIVA

Os caminhoneiros passam o ano esperando pelo festival, já consolidado no País”
Aurineide Gondim
Presidente da Acatan

Mais informações
Associação dos Caminhoneiros de Tabuleiro do Norte
(Acatan)
(88) 3424.1744

(Melquíades Junior – Reportagem Diário do Nordeste)

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