Exportações de veículos pelo Porto de Paranaguá cresceram 59,7% em agosto

Dados do Setor de Estatística da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) apontam o embarque de 8.818 unidades em agosto, contra 5.519 unidades no mês anterior

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As exportações de veículos pelo Porto de Paranaguá, em agosto deste ano, cresceram 59,7% em relação a julho, reproduzindo uma tendência nacional. Dados do Setor de Estatística da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) apontam o embarque de 8.818 unidades em agosto, contra 5.519 unidades no mês anterior. O volume de 2009 é, também, 27,5% maior que o registrado em agosto do ano passado, quando 6.911 unidades foram exportadas.

No decorrer do ano, uma reação como a registrada em agosto foi verificada somente nos meses de março e junho, com volumes superiores a fevereiro e maio, respectivamente. Já em comparação a 2008, além de agosto, apenas em abril deste ano foi possível registrar incremento, com 68,8% a mais no volume exportado. No restante dos meses, houve retração, tanto na comparação mensal de 2009 quanto nos meses equivalentes em 2008, resultado da crise que provocou a desaceleração dos negócios.

No cenário nacional, agosto também foi favorável às exportações de veículos em comparação aos demais meses deste ano. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em agosto de 2009 o Brasil exportou 45,3 mil unidades de veículos, um aumento de 21,8% em relação ao mês anterior. A receita do período foi de US$ 624,8 milhões, 16% maior que o valor gerado em julho.

No Porto de Paranaguá, de janeiro a agosto, foram exportadas 44,3 mil unidades de veículos, o que representou a geração de US$ 466,3 milhões, ou 5,35% do total da receita cambial neste período. Metade das unidades exportadas teve como destino a Alemanha, seguida da Argentina. Nas importações, o acumulado foi de 34,6 mil unidades, sendo a Argentina o principal país de origem dos veículos, com o envio de 24,8 mil unidades.

Ao avaliar os resultados de agosto, o gerente da multinacional japonesa Nippon Yusen Kaisha (NYK Line), Denis Jorge, afirmou que ainda é cedo para admitir uma recuperação dos negócios. Ele aposta, inclusive, na antecipação do período de recesso das montadoras, de janeiro para dezembro, em função da crise.

“Infelizmente, é muito cedo pensarmos em recuperação das exportações, porque muitos mercados ainda sofrem os reflexos da crise internacional. Acredito que esse incremento seja pontual, porque vemos, desde o início do ano, baixas significativas em diversos mercados. Até agora já registramos uma queda de 40% nas exportações, índice que deverá ser mantido até o final deste ano”, disse Jorge.

Boa parte das operações da NYK Lines tem no México seu principal mercado. Lá, incentivos fiscais e descontos impulsionaram as exportações e o consumo interno. No Brasil, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi apontada por Denis Jorge como um dos fatores que fizeram aquecer as importações. “Principalmente, da Argentina, que não sofreu tanto com a crise porque vendeu mais para o Brasil após a redução do IPI”, destacou.

Sem crise – No cais do Porto de Paranaguá, trabalhadores portuários avulsos (TPAs) que atuam nas operações com veículos comemoram os resultados de agosto. “Temos uma situação privilegiada em função da qualidade dos nossos serviços. Se o dólar sobe temos mais exportações, se o dólar cai aumentam as importações. De qualquer forma, estamos no circuito de carga e descarga de veículos, que gera oportunidade de trabalho e muita mão de obra”, comentou o trabalhador Milton José dos Santos.

Estivador desde 1990, Santos, 45 anos, atua há 15 anos no embarque e desembarque de carros. Nesse período, viu a movimentação passar de pouco mais de 55 mil unidades, em 2004, para 160 mil unidades, em 2008, e com o crescimento dos volumes viu crescer, também, as oportunidades para a categoria de trabalhadores. Cada navio movimenta entre duas mil a três mil unidades, o que exige o emprego de aproximadamente 100 trabalhadores, entre eles, estivadores e arrumadores.

Os veículos são embarcados em navios chamados PCC (Pure Car Carrier), em uma operação onde é exigida extrema qualidade da atividade portuária. Para tanto, o Porto de Paranaguá conta com um berço especializado na extremidade leste do Cais Público.

Qualidade – Um dos parâmetros que mede a produtividade das operações portuárias é a chamada “prancha de movimentação”, que é a produção mínima exigida em um determinado período. No Porto de Paranaguá a prancha para veículos é de 150 carros/hora (a maior do país) e já chegou a 200 veículos/hora. “Com a mesma qualidade e eficiência para garantir índice zero de avarias”, completou o estivador Milton dos Santos.

“O Porto de Paranaguá é referência internacional na movimentação de veículos. As operações são de qualidade e seguem um padrão internacional. Somos reconhecidos pelos supervisores e coordenadores, que acompanham a movimentação de veículos pela excelência do nosso trabalho”, disse Santos.

Para Carlos Alberto Rosa, gerente da empresa Marcon – especializada neste tipo de operação, a prancha exigida no Porto de Paranaguá para movimentação de veículos pode ser atendida desde que sejam observados alguns fatores. “É preciso que as operações em terra e a bordo estejam em sintonia. A posição dos carros no pátio e no cais deve estar em conformidade e a amarração dos veículos deve ser bem feita. Enfim, é uma soma de fatores para atender ao exigido com qualidade e é isso que temos feito aqui”, declarou Rosa.

Em Paranaguá, o trabalho de carga e descarga de veículos é ininterrupto e acontece simultaneamente, o que garante alta produtividade. Trata-se de um trabalho inédito que começa a ser copiado em portos do Japão, onde equipes localizadas em pontos estratégicos liberam a carga e descarga dos veículos.

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